Maximus projeta abater 110 mil bovinos em 2026 e consolida modelo inovador de confinamento no Brasil
Empresa paulista aposta na engorda terceirizada com cobrança por matéria seca, modelo que amplia transparência, eficiência e previsibilidade para pecuaristas
Publicado em: 22/07/2026 às 13:30hs
A Maximus Agronegócio estima ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 100 mil bovinos abatidos em um único ano, com a projeção de 110 mil animais em 2026. O crescimento é sustentado por um modelo de confinamento considerado pioneiro no Brasil, baseado na cobrança pelo quilo de matéria seca efetivamente consumida pelos animais, substituindo os tradicionais contratos por diária ou por arroba produzida.
Com três unidades de confinamento instaladas em Sertãozinho, Clementina e Sales, no interior de São Paulo, a empresa aposta em um sistema que busca alinhar os interesses entre confinamento e pecuarista, oferecendo maior previsibilidade de custos, transparência comercial e eficiência produtiva.
Modelo de cobrança por matéria seca ganha espaço na pecuária de corte
Criado há quase uma década pelo zootecnista e fundador da Maximus, Neto Sartor, o modelo de cobrança por matéria seca tornou-se o principal formato adotado pela empresa.
Em 2025, 89,5% dos contratos de engorda terceirizada foram realizados nessa modalidade, evidenciando a crescente aceitação do sistema pelos produtores.
Diferentemente do modelo convencional, em que o pagamento ocorre por diária de permanência ou por arroba produzida, o pecuarista remunera apenas o alimento efetivamente fornecido ao lote, enquanto o desempenho é medido pela eficiência da conversão alimentar em ganho de carcaça.
Segundo Sartor, o sistema elimina conflitos de interesse comuns nos contratos tradicionais.
"Quando o confinamento cobra por diária, existem interesses conflitantes entre quem presta o serviço e quem coloca o animal no sistema. Como o ganho de peso depende diretamente do consumo, o produtor deseja que o animal consuma mais, enquanto o confinamento busca controlar esse consumo para reduzir seus custos. No modelo por matéria seca, ambos trabalham pelo mesmo objetivo: maior consumo aliado à melhor eficiência na transformação do alimento em carne."
Maior transparência reduz riscos para o produtor
Outro diferencial do modelo está na redução de fatores que costumam gerar divergências comerciais entre confinamento e pecuarista.
Aspectos como peso inicial dos animais, diferenças raciais e até perdas ocasionadas pelo transporte deixam de impactar diretamente o custo da engorda.
A chamada "quebra de viagem", perda natural de peso durante o deslocamento dos bovinos até o confinamento, por exemplo, deixa de interferir no cálculo financeiro da operação, proporcionando maior previsibilidade para ambas as partes.
Boitel passa a ser ferramenta estratégica de gestão
Para o diretor da Maximus Agronegócio, Pablo Campos, o confinamento terceirizado precisa ser visto pelo mercado como uma ferramenta de gestão da pecuária e não apenas como uma solução para produtores sem estrutura própria.
Segundo ele, a transparência dos contratos fortalece a confiança e melhora a tomada de decisão dentro das fazendas.
"O produtor deposita um patrimônio importante quando envia seus animais para um confinamento. Por isso, precisa compreender exatamente como os custos são formados, quais são as regras do contrato e quais resultados pode esperar. O boitel somente se sustenta quando gera valor para o pecuarista."
Empresa nasceu para solucionar desafios da engorda terceirizada
A criação da Maximus está diretamente ligada às dificuldades enfrentadas por Neto Sartor durante sua atuação como consultor em pecuária.
Na época, o profissional identificava problemas frequentes envolvendo critérios de cobrança, divergências sobre peso de entrada dos animais, impactos das viagens e limitações para receber diferentes perfis de rebanho.
Após conhecer operações de confinamento terceirizado nos Estados Unidos, Sartor adaptou o conceito à realidade brasileira e desenvolveu o sistema baseado na cobrança por matéria seca.
A empresa iniciou suas atividades em 2017, em uma unidade arrendada no município de Sabino (SP). Inicialmente, prestou serviços de quarentena para exportação de gado vivo pelo Porto de Santos. Em 2018, direcionou definitivamente sua estrutura para a engorda de bovinos em confinamento.
Expansão acompanha crescimento da demanda por confinamento
Desde o início das operações, a evolução dos volumes demonstra a consolidação do negócio.
A empresa registrou aproximadamente:
- 20,3 mil bovinos abatidos em 2018;
- 34,7 mil animais em 2019;
- 43 mil cabeças em 2020;
- 96.993 animais em 2025.
Para 2026, a expectativa de alcançar 110 mil bovinos abatidos representa um novo marco para a companhia.
A expansão levou à consolidação das três unidades operacionais e ao fortalecimento das áreas de gestão, governança e padronização dos processos internos, preparando a empresa para um novo ciclo de crescimento.
Confinamento agrega valor à cadeia da carne bovina
Além da prestação de serviços de engorda, a Maximus também atua no fornecimento de animais para programas de carnes premium, com foco em padronização de carcaças, regularidade de oferta e atendimento às exigências da indústria frigorífica.
A companhia ainda disponibiliza soluções financeiras aos clientes, como antecipação de recebíveis para pecuaristas que mantêm animais em confinamento.
O avanço do modelo de cobrança por matéria seca acompanha uma tendência crescente de profissionalização da pecuária de corte brasileira, que busca maior eficiência produtiva, redução de custos e gestão baseada em indicadores de desempenho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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