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Suíno

Preço do suíno vivo recua e mercado segue travado, apesar do avanço das exportações

Frigoríficos mantêm cautela diante da oferta elevada de animais, enquanto consumo doméstico apresenta melhora limitada e preço médio da carne suína exportada cai 9%


Publicado em: 11/09/2026 às 15:30hs

Preço do suíno vivo recua e mercado segue travado, apesar do avanço das exportações

O mercado brasileiro de suínos encerrou a semana com negócios lentos e preços mistos tanto para o animal vivo quanto para os principais cortes comercializados no atacado. A avaliação é da Safras & Mercado, que identifica uma postura cautelosa dos frigoríficos diante da oferta disponível e do comportamento ainda irregular da demanda doméstica.

A cotação média nacional do suíno vivo recuou de R$ 4,77 para R$ 4,75 por quilo. No atacado, o preço médio dos cortes de carcaça avançou levemente, de R$ 7,50 para R$ 7,52 por quilo, enquanto o pernil caiu de R$ 9,49 para R$ 9,47.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, as indústrias avaliam que a disponibilidade de animais permanece acima das necessidades imediatas de abate. Esse cenário limita as compras e dificulta uma recuperação mais consistente das cotações.

Oferta elevada mantém negócios com suínos travados

O escoamento da carne suína apresentou discreta melhora ao longo da semana, mas o movimento ainda não foi suficiente para sustentar uma reação dos preços.

Na avaliação da consultoria, uma retomada mais sólida das cotações dependerá, inicialmente, de um ajuste na oferta disponível no mercado interno. Enquanto isso não ocorrer, os frigoríficos tendem a manter compras seletivas e escalas de abate ajustadas às necessidades de curto prazo.

A situação aumenta a preocupação dos suinocultores, especialmente daqueles que atuam no mercado independente, diante do acúmulo de prejuízos e da dificuldade para repassar os custos de produção.

Consumo pode melhorar com maior renda das famílias

As perspectivas para o consumo de carne suína continuam favoráveis. A maior disponibilidade de renda das famílias e a competitividade do produto em relação à carne bovina podem estimular as vendas nas próximas semanas.

A carne suína costuma ganhar espaço no orçamento dos consumidores quando a diferença de preços em relação à proteína bovina aumenta. No entanto, essa vantagem ainda não se converteu em demanda suficiente para absorver a oferta e provocar uma recuperação ampla das cotações.

O comportamento do atacado será decisivo para o mercado do suíno vivo. Uma melhora mais consistente nas vendas de cortes poderá estimular novas compras por parte dos frigoríficos e reduzir a pressão sobre os produtores.

Preço do suíno vivo recua no Sul e Centro-Oeste

Em São Paulo, a arroba suína permaneceu cotada a R$ 95. No Rio Grande do Sul, o quilo do animal vivo ficou estável em R$ 4,80 no sistema de integração, mas recuou de R$ 4,65 para R$ 4,60 no interior do estado.

Em Santa Catarina, o preço na integração permaneceu em R$ 4,65 por quilo. No mercado do interior catarinense, a cotação caiu de R$ 4,60 para R$ 4,55.

No Paraná, o suíno vivo recuou de R$ 4,60 para R$ 4,55 por quilo no mercado livre. Na integração, o valor permaneceu em R$ 5,05.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o preço ficou estável em R$ 4,80 por quilo. Na integração estadual, porém, houve queda de R$ 4,80 para R$ 4,65.

Em Goiânia, a cotação recuou de R$ 5 para R$ 4,90. No interior de Minas Gerais, o preço permaneceu em R$ 5 por quilo, enquanto o mercado independente registrou estabilidade em R$ 5,20.

Em Rondonópolis, Mato Grosso, o quilo vivo continuou cotado a R$ 5,05. Na integração estadual, o valor caiu de R$ 4,80 para R$ 4,65.

Exportações crescem em volume, mas preço médio cai 9%

No mercado internacional, as exportações brasileiras de carne suína in natura mantiveram desempenho positivo em volume no início de setembro.

Nos quatro primeiros dias úteis do mês, os embarques geraram receita de US$ 58,583 milhões, com média diária de US$ 14,646 milhões. O Brasil exportou 24,927 mil toneladas no período, equivalentes a uma média de 6,232 mil toneladas por dia.

O preço médio da carne suína exportada ficou em US$ 2.350,10 por tonelada, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Na comparação com setembro de 2025, a quantidade média diária embarcada cresceu 2,3%. Em contrapartida, a receita média diária recuou 6,9% e o preço médio por tonelada caiu 9%.

Os números mostram que o setor brasileiro continua ampliando a presença no mercado internacional, mas encontra dificuldades para transformar o aumento dos volumes em maior faturamento. A desvalorização da tonelada exportada permanece, portanto, como um dos principais pontos de atenção para a cadeia suinícola.

Foco de febre aftosa na China entra no radar do mercado

O mercado também acompanha a confirmação de um foco de febre aftosa do sorotipo O em suínos no distrito de Dazu, no município de Chongqing, sudoeste da China.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês, a ocorrência foi identificada em um estabelecimento de abate que mantinha 677 suínos. Desse total, 37 animais apresentaram sinais compatíveis com a doença.

O caso foi comunicado ao governo central após diagnóstico realizado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças Animais de Chongqing.

Embora o episódio exija monitoramento, a Safras & Mercado avalia que ainda não existem indícios de disseminação da doença em grande escala. A China ampliou sua capacidade sanitária e operacional nos últimos anos, o que pode favorecer uma contenção mais rápida do foco.

Produção elevada na China limita efeitos imediatos

A China mantém ampla disponibilidade de carne suína, resultado dos investimentos realizados para reconstruir sua produção após os impactos da peste suína africana.

O país conseguiu elevar a produtividade de suas matrizes e, mesmo com um rebanho reprodutor menor, continua gerando volume suficiente de leitões para atender ao mercado doméstico.

Por essa razão, eventuais reflexos do foco de febre aftosa sobre as importações chinesas ainda são considerados incertos. No curto prazo, a oferta elevada no país asiático reduz a possibilidade de uma mudança significativa na demanda pela carne brasileira.

Para o mercado nacional, o cenário permanece condicionado ao equilíbrio entre oferta e consumo. Enquanto a demanda interna não ganhar força suficiente e o preço médio das exportações continuar pressionado, os frigoríficos devem manter a cautela e os preços do suíno vivo podem seguir sem espaço para uma recuperação consistente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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