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Identificação animal transforma dados em lucro e fortalece a gestão da pecuária moderna

Controle individual do rebanho permite decisões mais precisas, aumenta a eficiência produtiva, melhora a rastreabilidade e transforma informações zootécnicas em estratégia econômica dentro e fora da porteira.


Publicado em: 28/07/2026 às 12:30hs

Identificação animal transforma dados em lucro e fortalece a gestão da pecuária moderna

A identificação animal deixou de ser apenas uma ferramenta operacional no campo e passou a ocupar posição estratégica na pecuária moderna. Em um cenário de margens mais apertadas, custos elevados e maior exigência por eficiência, conhecer o desempenho individual de cada animal se tornou um diferencial para aumentar a produtividade, reduzir perdas e valorizar o rebanho.

Ao transformar dados zootécnicos em informações econômicas, a tecnologia permite que o pecuarista tome decisões mais assertivas sobre genética, nutrição, sanidade, reprodução e manejo, criando uma gestão baseada em evidências e não apenas em médias do lote.

Identificação individual transforma rebanho em patrimônio mensurável

Segundo o consultor de pecuária Adauto Franco Filho, proprietário da Precisa Consultoria e Assessoria, a identificação individual muda a forma como o produtor enxerga o negócio.

Quando cada animal possui um histórico próprio, a fazenda consegue acompanhar indicadores como ganho de peso, desempenho reprodutivo, histórico sanitário, origem, movimentação e permanência no sistema produtivo.

“Isso permite acompanhar ganho de peso, desempenho reprodutivo, histórico sanitário, origem, movimentação e permanência no sistema”, explica o consultor.

Com essas informações, o produtor consegue identificar animais mais eficientes, selecionar genética superior, direcionar descartes e produzir mais carne utilizando melhor os mesmos recursos disponíveis.

“Cada quilo produzido carrega dentro dele genética, manejo, nutrição, sanidade e eficiência produtiva”, destaca Adauto.

Dados individuais aumentam eficiência e rentabilidade

A grande vantagem da identificação animal está na possibilidade de transformar informações coletadas no campo em decisões estratégicas.

Com o controle individual, o pecuarista deixa de trabalhar apenas com médias do rebanho e passa a identificar quais animais entregam maior retorno econômico e quais precisam ser ajustados ou retirados do sistema.

A gerente de produtos de Soluções Tecnológicas para Ruminantes da MSD Saúde Animal, Thatiane Kievitsbosch, explica que a tecnologia pode ser adotada de diferentes formas, conforme o nível de gestão da propriedade.

A jornada pode começar pela identificação visual e evoluir para sistemas eletrônicos integrados a softwares de gestão. Mesmo propriedades menores conseguem utilizar a ferramenta com controles simples, como planilhas, tornando a tecnologia acessível a diferentes perfis de produtores.

Rastreabilidade amplia acesso a mercados mais exigentes

Além dos ganhos dentro da fazenda, a identificação individual também fortalece a rastreabilidade da produção pecuária.

O histórico completo dos animais permite atender programas de qualidade, protocolos sanitários e demandas de mercados consumidores que exigem maior transparência sobre origem e manejo.

Com o avanço das exigências relacionadas à sustentabilidade, segurança alimentar e comprovação de origem, a capacidade de demonstrar informações do rebanho passa a representar uma vantagem competitiva para produtores que buscam mercados premium e exportação.

No confinamento, a tecnologia também ganha importância ao transformar o animal em um patrimônio controlado e mensurável.

“Quando o rebanho é identificado, ele deixa de ser apenas volume e passa a ser patrimônio mensurável, auditável e gerenciável”, afirma Thatiane.

Estudos mostram impacto da identificação no desempenho animal

Um levantamento realizado pela Precisa Consultoria com 687 animais demonstrou o impacto econômico do acompanhamento individual.

Com a utilização da pesagem individual associada ao código único de identificação, foi possível verificar que os animais apresentaram peso médio de 256,3 quilos ao desmame e alcançaram 413,8 quilos ao sobreano, com ganho médio de 157,5 quilos no período avaliado.

Entretanto, o principal resultado apareceu na comparação entre grupos.

Os 25% melhores animais ultrapassaram 471 quilos aos 450 dias, enquanto os 25% inferiores ficaram abaixo de 357 quilos, uma diferença próxima de 114 quilos por animal.

Segundo Adauto Franco Filho, essa diferença representa aproximadamente 3,8 arrobas dentro da mesma fazenda, mostrando o potencial econômico da seleção e do manejo orientados por dados.

Genética mais eficiente gera retorno financeiro

Outro estudo da consultoria avaliou o desempenho dos filhos de diferentes touros utilizados em uma estação de monta em uma propriedade de Mato Grosso.

Os filhos dos 20% melhores reprodutores apresentaram peso médio de 281 quilos aos 210 dias, enquanto os filhos dos 20% piores reprodutores atingiram 229 quilos, uma diferença de 52 quilos por animal.

Aos 450 dias, a vantagem aumentou para 77 quilos, equivalente a aproximadamente 2,57 arrobas.

Considerando uma arroba estimada em R$ 320, o potencial adicional chegou a cerca de R$ 822 por cabeça. Em um lote de 500 animais, a escolha genética baseada em dados poderia representar mais de R$ 400 mil em receita potencial adicional.

Tecnologia aproxima pecuária de uma gestão empresarial

A identificação animal reforça uma transformação estrutural na pecuária: medir melhor para decidir melhor.

Com informações precisas, o produtor consegue antecipar problemas, corrigir falhas de manejo, controlar custos e capturar valor em todas as etapas da produção.

“A tecnologia, os dados e o manejo caminham juntos para transformar resultado dentro e fora da porteira”, ressalta Thatiane Kievitsbosch.

Allflex amplia controle das informações no campo

Dentro desse movimento de digitalização da pecuária, os identificadores Allflex, da MSD Saúde Animal, atuam como base para uma gestão orientada por dados.

A tecnologia permite registrar informações individuais dos animais e transformar esses dados em decisões relacionadas a manejo, custos, genética, sanidade e valorização do rebanho.

A empresa produz mais de 500 milhões de identificadores por ano, atendendo produtores em mais de 26 países.

Segundo Renan Sugahara Permigiani, gerente de confinamento da Captar Agrobusiness, a adoção dos brincos Allflex trouxe maior controle sobre o estoque animal e sobre os custos da operação.

“O principal gargalo é conseguir trabalhar com custos e resultados individuais. Sem a identificação, só é possível trabalhar com lotes e médias, e não entender o indivíduo”, afirma.

Pecuária baseada em dados é caminho para maior competitividade

A evolução da identificação animal mostra que a pecuária brasileira caminha para um modelo cada vez mais conectado, eficiente e sustentável.

Ao transformar animais em unidades produtivas monitoradas individualmente, a tecnologia cria oportunidades para melhorar resultados econômicos, aumentar a transparência da cadeia e fortalecer a competitividade do setor.

Na pecuária de precisão, identificar cada animal significa descobrir onde está o desempenho, onde estão as perdas e onde está o potencial de ganho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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