Genética Angus e Brangus ganha valorização no Sul e touro é vendido por R$ 51 mil no Leilão Soldera
Remate realizado em Panambi (RS) abre temporada de vendas de reprodutores com liquidez, compradores de quatro estados e médias superiores a R$ 24 mil para touros Angus
Publicado em: 21/08/2026 às 14:00hs
A temporada de leilões de genética Angus e Brangus no Rio Grande do Sul começou com preços firmes e demanda por reprodutores. Realizado na sexta-feira (14), em Panambi (RS), o 5º Leilão Soldera Portas Abertas registrou valorização dos animais e comercializou genética para criadores de diferentes regiões do país.
Entre os machos, os touros Angus alcançaram média de R$ 24.057,69, enquanto os reprodutores Brangus foram negociados, em média, por R$ 18.536,84.
Nas fêmeas, a média chegou a R$ 12.656,90 para Angus e R$ 13.017,86 para Brangus.
Com mais de cinco horas de comercialização, o leilão atraiu compradores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, sinalizando um início de temporada com boa procura por genética bovina no Sul do Brasil.
Touros Angus superam média de R$ 24 mil
A valorização dos touros Angus foi um dos principais destaques do remate.
Segundo o leiloeiro Fábio Crespo, responsável pela condução das vendas ao lado das equipes da Parceria Leilões e Programa Leilões, o evento é tradicionalmente acompanhado pelo mercado por abrir a temporada de comercialização de genética em uma importante região agrícola do Rio Grande do Sul.
Nesta edição, a combinação entre liquidez e preços alcançados pelos reprodutores reforçou as expectativas para os próximos leilões da primavera.
Além da pecuária tradicional, a demanda por animais selecionados também encontra espaço em propriedades que adotam sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), modelo com presença relevante nas regiões agrícolas do Estado.
Touro Angus São Bento é vendido por R$ 51 mil
O maior preço do leilão foi registrado pelo touro Angus São Bento (Soldera 24078 Justification), negociado por R$ 51 mil.
Homozigoto preto, o reprodutor foi adquirido pela Renascer Biotecnologia, de Uruguaiana (RS), para integrar uma central de inseminação.
O animal se destaca pelas características relacionadas à carcaça e possui três reconhecimentos da Associação Brasileira de Angus: Seleção Qualidade de Carne, Performance e Beef on Dairy.
A entrada do reprodutor em uma central de inseminação amplia o potencial de disseminação dessa genética por meio da comercialização de sêmen, permitindo que suas características sejam incorporadas a um número maior de rebanhos.
Para Didi Soldera, responsável pela condução da cabanha ao lado dos irmãos Adenir, Marivane e Adenirse Soldera, a contratação representa um reconhecimento do trabalho de seleção desenvolvido pela propriedade.
Melhoramento genético busca desempenho e qualidade de carne
A Cabanha Soldera acumula mais de 20 anos de trabalho com seleção genética, tendo como base rebanhos melhoradores direcionados à produção de carne e mantidos predominantemente em condições de campo.
A estratégia busca desenvolver animais capazes de combinar características como desempenho produtivo, qualidade de carcaça, adaptação e eficiência em sistemas comerciais de pecuária.
Esses atributos ganham importância à medida que os pecuaristas procuram aumentar a produtividade por área e melhorar a qualidade dos animais destinados ao mercado.
A utilização de touros geneticamente superiores permite disseminar características desejáveis por um número expressivo de descendentes, tornando a escolha do reprodutor uma decisão estratégica para o resultado econômico da propriedade.
Angus e Brangus ganham espaço em diferentes sistemas de produção
As raças Angus e Brangus possuem presença consolidada na pecuária do Sul do Brasil e vêm sendo utilizadas em diferentes estratégias de produção.
Enquanto o Angus possui forte associação com qualidade de carne e precocidade, o Brangus combina características da genética Angus com atributos de adaptação provenientes do Brahman.
A evolução dos programas de melhoramento também amplia a utilização dessas genéticas em cruzamentos industriais e sistemas voltados à produção de carne de maior valor agregado.
Outro mercado que vem ganhando atenção é o Beef on Dairy, estratégia baseada no uso de genética de corte sobre matrizes leiteiras para produzir bezerros com maior aptidão para produção de carne.
Integração lavoura-pecuária impulsiona procura por reprodutores
A localização do leilão em uma região marcada pela produção agrícola também evidencia uma tendência importante da pecuária gaúcha: a utilização de bovinos em áreas integradas com lavouras.
Segundo Adenir Soldera, parte dos clientes procura reprodutores justamente para propriedades que trabalham com integração entre agricultura e pecuária.
Nesses sistemas, a genética precisa estar alinhada a ciclos produtivos cada vez mais eficientes, com animais capazes de aproveitar adequadamente as pastagens disponíveis nas áreas agrícolas durante determinadas épocas do ano.
A demanda também é sustentada pela fidelização dos compradores. De acordo com a cabanha, é frequente o retorno de pecuaristas que adquiriram genética em edições anteriores e voltam aos remates para renovar ou ampliar o número de reprodutores.
Leilão sinaliza mercado firme para genética bovina
Os resultados do 5º Leilão Soldera Portas Abertas colocam a comercialização de genética bovina no radar para a temporada de primavera de 2026.
Além das médias alcançadas, a presença de compradores de quatro estados mostra que a procura por reprodutores selecionados ultrapassa o mercado regional.
Médias do 5º Leilão Soldera Portas Abertas
- Touros Angus: R$ 24.057,69;
- Touros Brangus: R$ 18.536,84;
- Fêmeas Angus: R$ 12.656,90;
- Fêmeas Brangus: R$ 13.017,86;
- Maior preço: R$ 51 mil pelo touro Angus São Bento;
- Estados compradores: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
A combinação entre melhoramento genético, qualidade de carne, eficiência produtiva e adaptação aos diferentes sistemas de produção deverá continuar orientando a procura por touros e matrizes durante os próximos remates da temporada no Sul do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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