Calor e baixa umidade aceleram colheita do milho, mas elevam riscos para a pecuária no Centro-Oeste
Tempo seco amplia as janelas para retirada da segunda safra, enquanto temperaturas acima de 40 °C, pastagens ressecadas e umidade inferior a 20% ameaçam o desempenho dos rebanhos
Publicado em: 21/08/2026 às 10:20hs
O predomínio de calor intenso, baixa umidade relativa do ar e pouca chuva deverá favorecer a etapa final da colheita do milho segunda safra no Centro-Oeste. As mesmas condições, entretanto, aumentam o risco de estresse térmico nos rebanhos, reduzem a qualidade das pastagens e ampliam a possibilidade de incêndios em áreas rurais.
De acordo com o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 84,7% da área brasileira cultivada com milho segunda safra já foi colhida. Na principal região produtora do país, os trabalhos avançam para a conclusão, beneficiados pela maior disponibilidade de dias secos.
O cenário exige atenção especial nas lavouras mais tardias e nas propriedades pecuárias. A combinação de temperaturas elevadas, restrição hídrica e umidade do ar inferior a 20% pode afetar o desenvolvimento final dos grãos e comprometer a oferta de alimento e água aos animais.
Colheita do milho se aproxima do fim no Brasil
Em Mato Grosso, a retirada do milho segunda safra está praticamente concluída. As produtividades observadas no estado superaram as expectativas iniciais dos produtores, consolidando um resultado favorável para a temporada.
Em Goiás, a colheita continua avançando nas regiões norte e leste. No sudoeste goiano, importante polo de produção de grãos, os trabalhos já se aproximam da finalização.
Mato Grosso do Sul apresenta uma situação diferente. A ocorrência de chuvas restringiu o avanço das máquinas em algumas áreas do estado. Com a previsão de tempo firme nos próximos dias, a expectativa é de retomada e aceleração das operações.
A ausência de novas precipitações também deverá favorecer a secagem natural dos grãos ainda no campo, permitindo ampliar as janelas de trabalho e reduzir possíveis interrupções na colheita.
Tempo seco melhora condições operacionais nas lavouras
A maior parte das lavouras de milho segunda safra encontra-se nas fases de maturação fisiológica ou colheita. Nessas áreas, o tempo seco tende a produzir efeitos positivos do ponto de vista operacional.
A redução gradual da umidade dos grãos pode melhorar a uniformidade da secagem, facilitar a entrada das máquinas e diminuir a necessidade de estruturas artificiais de secagem.
O menor teor de umidade também contribui para reduzir os riscos de deterioração do milho durante o período posterior à colheita, desde que o produto seja armazenado e transportado em condições adequadas.
A ampliação dos períodos disponíveis para o trabalho no campo pode ser especialmente importante em Mato Grosso do Sul, onde as precipitações anteriores atrasaram parte das atividades.
Milho tardio ainda enfrenta risco de perda produtiva
Apesar dos benefícios para a colheita, a ausência de chuva pode prejudicar as lavouras mais tardias, que ainda estão em fase de enchimento de grãos.
Nessas áreas, as temperaturas elevadas e o déficit hídrico no solo aumentam a evapotranspiração e a demanda das plantas por água. Caso não haja disponibilidade suficiente de umidade, o milho pode encontrar dificuldades para completar adequadamente o desenvolvimento dos grãos.
A restrição hídrica também pode limitar a translocação de fotoassimilados, processo responsável pelo transporte dos compostos produzidos pela planta até os grãos. Como consequência, poderá ocorrer redução do peso final e do potencial produtivo.
O nível de impacto dependerá da duração do período seco, das condições anteriores de umidade do solo e do estágio de desenvolvimento de cada lavoura.
Temperaturas podem passar de 40 °C no Centro-Oeste
A previsão de precipitação acumulada para os próximos sete dias, baseada no modelo COSMO, aponta volumes baixos e isolados, concentrados principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul.
Nas demais áreas do Centro-Oeste, a tendência é de predomínio de tempo estável durante a semana, influenciado pela atuação de uma massa de ar seco.
As temperaturas máximas deverão variar entre 34 °C e 38 °C em grande parte da região. Em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e do norte de Mato Grosso do Sul, os termômetros poderão superar 40 °C.
A umidade relativa do ar deverá ficar abaixo de 20% em áreas do norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e nos setores noroeste, sudeste e norte de Mato Grosso, principalmente durante a tarde.
Esse padrão intensifica a secura atmosférica, eleva a evapotranspiração e amplia a demanda hídrica das lavouras, pastagens e animais.
Tempo seco reduz qualidade das pastagens
Na pecuária, a persistência da estiagem compromete a capacidade de rebrota e reduz a qualidade nutricional das pastagens. Com menor disponibilidade de forragem, os produtores poderão precisar intensificar a suplementação alimentar dos rebanhos.
A redução do volume e da qualidade do capim também exige planejamento mais rigoroso da lotação animal. Manter um número de animais acima da capacidade de suporte da propriedade pode acelerar a degradação das pastagens e agravar a falta de alimento durante o período seco.
O acompanhamento das condições do pasto, das reservas de forragem e do desempenho dos animais será essencial para antecipar ajustes no manejo.
Estresse térmico ameaça saúde e produtividade dos rebanhos
A combinação de calor intenso, ausência de precipitação e baixa umidade do ar aumenta o risco de estresse térmico, especialmente para animais mantidos em sistemas extensivos.
Sob temperaturas elevadas, os bovinos tendem a reduzir o consumo de alimentos e buscar locais com sombra. O organismo também direciona energia para controlar a temperatura corporal, o que pode comprometer o ganho de peso, a produção de leite e o desempenho reprodutivo.
Para reduzir os impactos, os produtores devem reforçar o fornecimento de água limpa e fresca, em quantidade superior à habitual, e garantir a disponibilidade de sombreamento natural ou artificial.
Também é recomendado evitar atividades que exijam maior esforço físico nos períodos mais quentes do dia, como:
- deslocamento dos animais;
- apartação;
- vacinação e outros manejos no curral;
- embarque e transporte;
- movimentação entre pastagens.
Sempre que possível, essas operações devem ser realizadas no início da manhã ou no fim da tarde, quando a radiação solar e as temperaturas são mais baixas.
Risco de incêndios aumenta em lavouras e pastagens
O calor e a baixa umidade aceleram o ressecamento da vegetação, das pastagens e da palhada deixada após a colheita. Com maior quantidade de material seco disponível, cresce o risco de início e rápida propagação de incêndios.
As propriedades devem manter aceiros conservados, revisar equipamentos utilizados no combate ao fogo e evitar qualquer atividade que possa produzir faíscas próximo de lavouras, palhadas, matas e pastagens secas.
Também é importante monitorar áreas próximas a estradas, redes elétricas e propriedades vizinhas, onde focos de incêndio podem surgir e avançar rapidamente sob condições de vento.
Monitoramento meteorológico orienta decisões no campo
O cenário reforça a necessidade de planejamento das atividades agropecuárias no Centro-Oeste. Para os agricultores, o período seco pode ser aproveitado para acelerar a retirada do milho maduro e reduzir possíveis perdas operacionais.
Nas lavouras tardias e nos sistemas pecuários, entretanto, será necessário acompanhar a disponibilidade de água, as condições do solo, a qualidade das pastagens e os sinais de estresse térmico nos animais.
A recomendação é manter o acompanhamento das previsões e dos avisos meteorológicos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). As informações podem auxiliar na organização da colheita, no manejo dos rebanhos, na prevenção de incêndios e na adoção de medidas destinadas a reduzir perdas provocadas pelo calor e pela restrição hídrica.
Fonte: Portal do Agronegócio
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