Mercado de trigo segue travado no Sul, enquanto oferta menor e importações entram no radar
Baixa demanda por farinha limita negociações no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; redução da área cultivada e riscos climáticos aumentam a cautela para a nova safra
Publicado em: 21/08/2026 às 11:30hs
O mercado de trigo no Sul do Brasil mantém ritmo lento, marcado pela baixa procura dos moinhos, vendas enfraquecidas de farinha e diferenças entre os valores solicitados pelos produtores e as ofertas apresentadas pelos compradores. Ao mesmo tempo, agentes acompanham a disponibilidade do cereal para os próximos meses, diante da perspectiva de menor produção regional e possível aumento das importações.
De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, as negociações permanecem restritas nos três principais estados produtores da Região Sul. Além da demanda limitada, a cobertura antecipada de parte das indústrias reduz a necessidade de novas compras no curto prazo.
Preço do trigo no Rio Grande do Sul trava negociações
No Rio Grande do Sul, vendedores indicam o trigo a R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os compradores oferecem até R$ 1.320 por tonelada. A distância entre as referências impede a evolução dos negócios.
As últimas operações com trigo não segregado foram registradas a R$ 1.300 por tonelada para embarque em agosto e a R$ 1.320 para setembro. Lotes segregados, com características específicas de qualidade, conseguem alcançar preços mais elevados.
Os moinhos gaúchos já ampliaram a cobertura de matéria-prima até o final de setembro. O avanço das compras ocorreu em um ambiente de moagem reduzida e menor demanda por farinha, fatores que diminuem a pressão compradora sobre o cereal disponível.
No mercado de balcão, a saca de trigo permanece cotada a R$ 69 em Panambi.
Trigo argentino chega ao estado com preços mais altos
As importações continuam como alternativa para complementar o abastecimento brasileiro. Um navio operado pela Cargill desembarcou 31 mil toneladas de trigo argentino no Rio Grande do Sul.
Inicialmente, o produto foi ofertado a US$ 290 por tonelada CIF Canoas. Com a valorização das cotações internacionais, a referência avançou para US$ 300 por tonelada.
Para a nova safra, as negociações antecipadas acumulam aproximadamente 60 mil toneladas no estado. Compradores demonstraram interesse em adquirir trigo para dezembro a R$ 1.400 por tonelada FOB, mas os vendedores não aceitaram a proposta.
Mercado de trigo em Santa Catarina sente baixa moagem
Em Santa Catarina, o mercado também apresenta pouca movimentação. A baixa moagem e as dificuldades na comercialização de farinha reduzem o interesse das indústrias por novas aquisições.
O trigo destinado à produção de pão é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Nas compras de balcão, os preços permaneceram estáveis na maior parte das regiões pesquisadas.
A exceção foi Canoinhas, onde a cotação subiu para R$ 72 por saca.
Paraná monitora redução da área e risco de chuvas na colheita
No Paraná, as negociações de trigo avançam lentamente. Nos Campos Gerais, o cereal da safra anterior é indicado a R$ 1.500 por tonelada CIF.
Para a nova produção, as referências diminuem conforme o período de entrega. O trigo para setembro é cotado a R$ 1.450 por tonelada, enquanto os lotes destinados a novembro aparecem próximos de R$ 1.400.
Entre os produtos importados, o trigo argentino já nacionalizado é oferecido a US$ 310 por tonelada no porto. O cereal procedente do Paraguai varia entre US$ 285 e US$ 310 por tonelada CIF Paraná.
A principal preocupação do mercado paranaense está relacionada à redução da área plantada, às possibilidades de chuva durante a colheita e ao consequente risco de aumento da dependência de trigo importado.
Perspectiva de oferta menor exige cautela na comercialização
Embora a demanda atual esteja enfraquecida, a disponibilidade de trigo poderá ficar mais apertada nos próximos meses. Uma safra regional menor ou afetada por problemas climáticos tende a ampliar a necessidade de importações e pode alterar a formação dos preços internos.
Diante desse cenário, a TF Agroeconômica recomenda cautela nas vendas antecipadas do trigo físico. Para produtores interessados em aproveitar as cotações atuais sem comprometer imediatamente a entrega do cereal, a consultoria sugere avaliar estratégias de fixação de preços por meio da Bolsa, sempre considerando os custos e riscos envolvidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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