Café recua no mercado físico com queda em Nova York e dólar mais fraco
Produtores reduzem o ritmo das vendas diante da pressão externa, enquanto preços permanecem estáveis nas principais regiões cafeeiras do Brasil e estoques certificados da ICE voltam a cair
Publicado em: 21/08/2026 às 11:50hs
O mercado físico brasileiro de café deve encerrar a semana sob pressão, refletindo a desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York e o recuo do dólar frente ao real. A combinação reduz a sustentação das cotações internas e mantém os produtores cautelosos, à espera de condições mais favoráveis para retomar as negociações.
Depois de uma quinta-feira (20) marcada por estabilidade nos preços e poucos negócios, a tendência é de continuidade da lentidão comercial. A volatilidade nas bolsas internacionais ampliou a distância entre os valores pedidos pelos vendedores e as ofertas apresentadas pelos compradores, dificultando novos acordos.
Mercado de café tem negócios travados no Brasil
Na sessão anterior, as referências permaneceram praticamente inalteradas nas principais regiões produtoras. A queda de braço entre compradores e cafeicultores limitou o volume comercializado, mesmo diante das oscilações observadas nos contratos de café arábica em Nova York e de robusta em Londres.
No Sul de Minas Gerais, o café arábica de bebida boa, da safra nova e com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.870 e R$ 1.875 por saca.
No Cerrado Mineiro, o arábica de bebida dura, também da safra nova e com 15% de catação, permaneceu entre R$ 1.880 e R$ 1.885 por saca.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica “rio” tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, apresentou referências entre R$ 1.380 e R$ 1.385 por saca.
Preço do café conilon permanece estável no Espírito Santo
Em Vitória, no Espírito Santo, o café conilon tipo 7 da safra 2026 foi cotado entre R$ 1.070 e R$ 1.075 por saca. Para o tipo 7/8, os valores ficaram entre R$ 1.060 e R$ 1.065.
Apesar da estabilidade nominal, a pressão exercida pelo câmbio e pelo mercado internacional pode limitar eventuais tentativas de valorização no curto prazo. Nesse cenário, produtores tendem a restringir a oferta, principalmente quando não há necessidade imediata de caixa.
Café arábica cai mais de 1% na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures de Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em dezembro de 2026 recuava 1,60%, cotado a 324 centavos de dólar por libra-peso.
O movimento contrasta com o desempenho da posição setembro de 2026 na sessão de quinta-feira. O vencimento encerrou o pregão a 363,60 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 4,10 centavos, equivalente a 1,1%.
A oscilação dos contratos reforça o ambiente de cautela no mercado físico brasileiro, especialmente diante da dificuldade de compradores e vendedores em estabelecer novas bases de negociação.
Estoques certificados de café recuam na ICE
Os estoques certificados de café armazenados em unidades credenciadas pela Bolsa de Nova York totalizaram 228.378 sacas de 60 quilos em 20 de agosto de 2026.
O volume representa uma redução diária de 836 sacas, segundo informações da ICE Futures. A queda dos estoques segue como fator de atenção para o mercado, embora não tenha sido suficiente para impedir a desvalorização dos contratos futuros nesta sexta-feira.
Dólar em queda aumenta pressão sobre preços do café
No mercado cambial, o dólar comercial recuava 0,29%, negociado a R$ 5,1792. O Dollar Index, indicador que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, caía 0,14%, aos 98,753 pontos.
A valorização do real reduz a conversão das receitas obtidas com as exportações e pode pressionar os preços pagos pelo café no mercado brasileiro. Para os produtores, o câmbio menos favorável reforça a estratégia de aguardar melhores oportunidades antes de ampliar as vendas.
Bolsas globais operam sem direção única
Os mercados acionários da Ásia encerraram a sessão com resultados mistos. A bolsa chinesa avançou 0,04%, enquanto o mercado japonês recuou 0,30%.
Na Europa, os principais índices operavam em alta, com ganhos de 0,21% em Paris, 0,22% em Frankfurt e 0,20% em Londres.
No mercado de energia, o petróleo WTI para outubro era negociado a US$ 86,94 por barril em Nova York, com valorização de 0,12%.
Perspectiva para o mercado físico de café
O comportamento do café na Bolsa de Nova York e a trajetória do dólar devem continuar orientando os negócios no Brasil. Enquanto esses indicadores permanecerem pressionados, a tendência é de comercialização lenta e maior resistência dos produtores.
A redução dos estoques certificados oferece algum suporte estrutural às cotações, mas o mercado físico ainda depende de uma recuperação dos futuros internacionais ou do câmbio para apresentar preços mais firmes e maior liquidez.
Fonte: Portal do Agronegócio
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