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Soja

Soja sobe no mercado brasileiro, mas recua em Chicago após sequência de fortes ganhos

Preços avançam em importantes praças do Sul e de Mato Grosso, enquanto contratos futuros passam por realização de lucros; clima nos Estados Unidos e resultados do Pro Farmer Crop Tour seguem no radar


Publicado em: 21/08/2026 às 11:20hs

Soja sobe no mercado brasileiro, mas recua em Chicago após sequência de fortes ganhos
Foto: CNA

O mercado da soja encerrou a quinta-feira (20) com novas valorizações em diferentes regiões brasileiras, apesar da cautela dos produtores e do ritmo limitado de comercialização. Nesta sexta-feira (21), porém, os contratos futuros da oleaginosa recuaram na Bolsa de Chicago, pressionados por uma realização de lucros após a sequência de altas registrada ao longo da semana.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, as cotações domésticas avançaram principalmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em Mato Grosso. A baixa disposição dos produtores para ampliar as vendas, as preocupações climáticas e as margens apertadas ajudaram a sustentar os preços no mercado físico.

Soja completa terceiro dia de alta no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a soja acumulou o terceiro pregão consecutivo de valorização. Mesmo com o avanço das cotações, os negócios permaneceram lentos e concentrados em operações pontuais.

As referências apresentaram diferenças relevantes entre cooperativas, compradores do mercado comercial e o porto. Em Ijuí, a saca chegou a R$ 144,00. Cruz Alta e Santa Rosa registraram R$ 147,00, enquanto Passo Fundo alcançou R$ 145,00.

No porto de Rio Grande, a soja foi indicada a R$ 153,00 por saca.

A postura cautelosa dos produtores está relacionada às margens mais estreitas, à volatilidade do mercado e aos riscos climáticos. Esse cenário reduz o interesse por vendas mais agressivas, mesmo diante da valorização recente.

Cotações avançam em Santa Catarina e no Paraná

Em Santa Catarina, Palma Sola apresentou alta de 1,51%, com a saca cotada a R$ 134,50. Em Rio do Sul, o preço ficou em R$ 133,00, enquanto São Francisco do Sul registrou R$ 153,00.

No Paraná, o movimento de valorização foi mais disseminado entre as praças acompanhadas. Cascavel alcançou R$ 144,00 por saca, Maringá chegou a R$ 146,00 e Ponta Grossa registrou R$ 148,23.

Em Pato Branco, a soja foi negociada a R$ 145,19, enquanto Paranaguá apresentou a maior referência estadual, de R$ 154,63 por saca.

Assim como no mercado gaúcho, produtores paranaenses demonstraram resistência em ampliar a comercialização. As incertezas climáticas e a expectativa de preços mais favoráveis continuam influenciando a tomada de decisão.

Mercado fica estável em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, os preços permaneceram predominantemente estáveis. Dourados e Maracaju registraram R$ 142,50 por saca.

Nas praças de Campo Grande, Chapadão do Sul e Sidrolândia, a soja foi indicada a R$ 141,00.

Já em Mato Grosso, as cotações avançaram pelo terceiro dia consecutivo. Os preços oscilaram entre R$ 136,50 em Sorriso e R$ 141,50 em Rondonópolis.

A diferença superior a R$ 15,00 por saca entre algumas regiões brasileiras evidencia a influência dos custos logísticos, do frete, da distância dos portos e das margens de comercialização sobre a formação dos preços da soja.

Soja recua em Chicago com realização de lucros

Após uma semana marcada por forte recuperação, os contratos futuros da soja passaram por correção na Bolsa de Chicago na manhã desta sexta-feira.

Por volta das 7h15, no horário de Brasília, os principais vencimentos recuavam entre 5 e 6 pontos. O contrato novembro era negociado a aproximadamente US$ 12,31 por bushel, enquanto março de 2027 operava perto de US$ 12,51 por bushel.

O movimento foi atribuído principalmente à realização de lucros. Depois das altas acumuladas nos pregões anteriores, investidores reduziram posições para assegurar parte dos ganhos recentes.

Na quinta-feira, o contrato novembro chegou a operar próximo de US$ 12,41 por bushel. O vencimento março de 2027 alcançou US$ 12,60, apoiado pelas preocupações com o potencial produtivo da safra norte-americana e pelas primeiras informações coletadas durante o Pro Farmer Crop Tour.

Derivados também pressionam as cotações

O ambiente negativo observado entre outras commodities agrícolas também contribuiu para a correção da soja em Chicago. Os contratos futuros do milho igualmente registraram perdas, depois de uma semana volátil e com avanços expressivos.

Os derivados da soja acompanharam o movimento de baixa. O óleo e o farelo operaram no campo negativo, reduzindo o suporte que vinham oferecendo ao grão.

O óleo de soja com vencimento em dezembro era negociado em torno de 70,77 centavos de dólar por libra-peso. O farelo para o mesmo mês estava próximo de US$ 322,30 por tonelada.

Pro Farmer Crop Tour mantém clima e produtividade no foco

Apesar da realização de lucros em Chicago, os fundamentos responsáveis pela recente valorização da soja continuam presentes. O mercado permanece atento às condições das lavouras nos Estados Unidos e aos resultados do Pro Farmer Crop Tour.

O levantamento vem identificando diferenças relevantes no potencial produtivo das áreas visitadas. Em Illinois, por exemplo, os participantes estimaram produtividade média do milho em 184,19 bushels por acre, abaixo dos 199,57 bushels registrados no tour de 2025 e da média de três anos, calculada em 199,15 bushels por acre.

Para a soja, as avaliações sobre o número de vagens e as condições das lavouras em diferentes estados norte-americanos serão determinantes para as próximas movimentações em Chicago.

No Brasil, além do comportamento da bolsa internacional, o câmbio, os prêmios de exportação, os custos de frete e a disponibilidade dos produtores para negociar continuarão direcionando os preços da soja nas principais praças.

Fonte: Portal do Agronegócio

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