Publicidade
Bovinos de Corte

Exportações de carne bovina do Brasil batem recorde histórico, mas China e União Europeia elevam risco para o segundo semestre

Receita supera US$ 9,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, impulsionada pela demanda internacional. Porém, esgotamento da cota chinesa e possível embargo europeu podem frear o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina


Publicado em: 20/07/2026 às 18:40hs

Exportações de carne bovina do Brasil batem recorde histórico, mas China e União Europeia elevam risco para o segundo semestre
Foto: Freepik

As exportações brasileiras de carne bovina e subprodutos registraram o melhor primeiro semestre da história em 2026, consolidando o Brasil como um dos maiores fornecedores globais de proteína animal. O desempenho recorde, no entanto, convive com um cenário de incertezas para a segunda metade do ano, marcado pelo esgotamento da cota de exportação para a China e pelo risco de suspensão das compras pela União Europeia.

Levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), aponta que as vendas externas de carnes e subprodutos bovinos totalizaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 33,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Em volume, os embarques alcançaram 1,811 milhão de toneladas, avanço de 7,3%, estabelecendo novos recordes tanto em faturamento quanto em quantidade exportada.

China impulsiona recorde, mas cota de importação já foi esgotada

A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira durante o primeiro semestre, respondendo por quase metade das receitas obtidas com as exportações.

As vendas para o mercado chinês alcançaram US$ 4,818 bilhões, crescimento de 50,3% na comparação anual. O volume exportado chegou a 774,7 mil toneladas, alta de 22,6%.

O país asiático representou 48,5% da receita total obtida com carnes e subprodutos bovinos brasileiros e concentrou 53% das compras de carne bovina in natura.

Entretanto, a perspectiva para os próximos meses é menos favorável.

A cota anual de importação concedida pela China ao Brasil, fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, já teria sido completamente utilizada com os embarques realizados até junho. Como consequência, as exportações destinadas ao país foram interrompidas a partir de julho, uma vez que os volumes enviados acima da cota passam a sofrer uma tarifa adicional de 55%.

Esse cenário poderá reduzir significativamente o desempenho das exportações brasileiras até o restabelecimento da nova cota, previsto apenas para 2027.

Brasil pode perder cerca de US$ 4 bilhões em vendas para a China

Segundo estimativas da Abrafrigo, considerando que a cota brasileira já foi preenchida, o Brasil poderá deixar de exportar aproximadamente US$ 4 bilhões em carne bovina para a China ao longo de 2026.

Em 2025, as vendas ao mercado chinês somaram US$ 8,845 bilhões, desempenho que dificilmente será repetido neste ano.

Ainda assim, existe a possibilidade de retomada parcial dos embarques nos últimos meses de 2026, desde que as cargas desembarquem nos portos chineses somente em janeiro de 2027, passando a ser contabilizadas dentro da nova cota anual.

União Europeia ameaça suspender compras de carne bovina brasileira

Outro fator que preocupa o setor frigorífico é a possibilidade de embargo da União Europeia.

O bloco europeu deverá implementar, a partir de setembro, novas exigências sanitárias que obrigam os países exportadores a comprovarem que seus rebanhos são produzidos sem o uso de antimicrobianos, conforme a legislação europeia.

Embora o Brasil negocie um modelo de certificação junto às autoridades sanitárias europeias, ainda não houve definição que assegure a continuidade das exportações.

No primeiro semestre, a União Europeia ampliou suas compras de carnes e subprodutos bovinos brasileiros em 35,26%, movimentando US$ 482,65 milhões.

Caso as negociações não avancem, esse mercado poderá ser temporariamente fechado para a carne brasileira.

Estados Unidos ampliam compras e ajudam a compensar perdas

Enquanto China e União Europeia geram preocupações, outros mercados seguem fortalecendo a demanda pela proteína brasileira.

Os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, elevando suas importações em 14,76%, para US$ 1,465 bilhão.

Considerando apenas a carne bovina in natura, o crescimento foi ainda mais expressivo:

  • Receita: US$ 1,116 bilhão (+41%);
  • Volume: 183,6 mil toneladas (+17,3%).

O cenário permanece favorável porque a carne bovina ficou de fora das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, além da baixa oferta de gado no mercado norte-americano continuar sustentando elevados níveis de importação.

Diversificação dos mercados fortalece exportações brasileiras

Além dos Estados Unidos, diversos países aumentaram significativamente suas compras de carne bovina brasileira durante o primeiro semestre.

Entre os principais destaques estão:

  • Chile: US$ 419,6 milhões (+33,12%);
  • Rússia: US$ 283,8 milhões (+48,6%);
  • Hong Kong: US$ 227,15 milhões (+33,8%);
  • Arábia Saudita: US$ 192 milhões (+31,7%);
  • Egito: US$ 179,8 milhões (+32,2%).

Na contramão, o México reduziu suas aquisições em 8,13%, totalizando US$ 253,8 milhões.

Ao todo, 118 países ampliaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 55 mercados reduziram suas importações, demonstrando um processo crescente de diversificação das exportações nacionais.

Agronegócio aposta na abertura de mercados para manter ritmo de crescimento

Apesar dos desafios impostos pela China e pela União Europeia, a Abrafrigo avalia que a expansão das vendas para mercados da América do Norte, Oriente Médio, Ásia, África e América do Sul poderá reduzir parte dos impactos esperados no segundo semestre.

A estratégia de diversificação comercial ganha importância em um cenário internacional marcado por mudanças regulatórias, disputas comerciais e maior rigor sanitário.

Mesmo diante das incertezas, o desempenho recorde registrado até junho reforça a competitividade da carne bovina brasileira e evidencia a força do agronegócio nacional no abastecimento do mercado global de proteínas.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias