Exportações de carne bovina caem 25,6% em agosto, mas nova cota dos EUA pode compensar perdas
Embarques para a China despencaram após o esgotamento da cota anual, enquanto acesso adicional ao mercado norte-americano abre espaço para até 300 mil toneladas entre setembro e novembro
Publicado em: 17/09/2026 às 10:50hs
As exportações brasileiras de carne bovina e subprodutos recuaram em agosto de 2026, pressionadas principalmente pela forte redução dos embarques para a China. Apesar do resultado mensal, a abertura de uma cota adicional nos Estados Unidos pode ajudar a compensar parte das perdas provocadas pelas restrições chinesas e pelas novas exigências da União Europeia.
Em agosto, o Brasil exportou 267,34 mil toneladas de carnes e subprodutos bovinos, incluindo carne in natura, industrializados, miúdos comestíveis e outros itens derivados do abate. O volume ficou 25,56% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.
A receita alcançou US$ 1,399 bilhão, queda de 16,11% na comparação anual. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Receita das exportações cresce 19,6% no acumulado do ano
Apesar da retração mensal, o balanço de janeiro a agosto permanece positivo em receita. Nos primeiros oito meses de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina e subprodutos somaram US$ 12,957 bilhões, crescimento de 19,55% sobre o mesmo período de 2025.
Em volume, porém, os embarques recuaram 1,14%, totalizando 2,387 milhões de toneladas. O contraste entre a alta da receita e a pequena queda das quantidades indica melhora no valor médio obtido pelo produto brasileiro no mercado internacional.
O Brasil também ampliou a diversificação de destinos. O número de países compradores passou de 164, entre janeiro e agosto de 2025, para 171 no mesmo período de 2026. Desse total, 126 mercados aumentaram as aquisições, enquanto 55 reduziram as compras.
Embarques de carne bovina para a China caem quase 90%
A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira nos primeiros oito meses do ano. As compras chinesas somaram US$ 5,438 bilhões, avanço de 9,43% em receita.
O volume enviado ao país asiático, entretanto, caiu 7,9%, para 873 mil toneladas. A retração tornou-se muito mais intensa em agosto, após o esgotamento da cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas submetida à tarifa mais baixa.
Segundo a Abrafrigo, os volumes negociados acima desse limite estão sujeitos a uma sobretaxa de 55%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro.
Somente em agosto, as exportações de carne bovina in natura para a China recuaram 89,62% em receita, para US$ 92 milhões. O volume caiu 89,82%, totalizando aproximadamente 16 mil toneladas.
A entidade estima que as compras chinesas ganhem novo impulso em novembro, quando os embarques poderão ser contabilizados na cota de 2027.
Estados Unidos abrem cota adicional de 300 mil toneladas
Os Estados Unidos, segundo maior mercado da carne bovina brasileira, autorizaram uma quantidade adicional de 300 mil toneladas dentro da categoria destinada a países sem cota individual específica.
O volume foi dividido em três parcelas mensais de até 100 mil toneladas, válidas entre setembro e novembro de 2026. Dentro da cota, as importações ficam livres da tarifa alfandegária de 26,4%. A medida foi confirmada pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.
A expectativa é que o Brasil esteja entre os principais beneficiários, aproveitando a competitividade de suas aparas de carne bovina magra, conhecidas como beef trimmings. Esses produtos são utilizados principalmente pela indústria norte-americana na fabricação de carne moída e hambúrgueres.
Até 14 de setembro, 22,16% da primeira parcela de 100 mil toneladas havia sido preenchida, segundo informações da autoridade aduaneira norte-americana compiladas pela adidância agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O volume não utilizado em determinado mês não será automaticamente transferido para o período seguinte. Por isso, o ritmo de habilitação, contratação e embarque será decisivo para o aproveitamento integral da oportunidade.
Exportações aos EUA alcançam US$ 2 bilhões
As vendas totais de carne bovina brasileira para os Estados Unidos somaram US$ 2 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 24,75% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.
Considerando apenas a carne in natura, a receita cresceu 62,16%, alcançando US$ 1,458 bilhão. O volume embarcado avançou 37,24%, para 241 mil toneladas.
Em agosto, antes da entrada em vigor da nova cota, os Estados Unidos importaram 31,33 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil, crescimento de 390% na comparação anual. A receita saltou 385%, para US$ 182,2 milhões.
A base de comparação foi influenciada pela tarifa adicional de 50% aplicada aos produtos brasileiros em agosto de 2025. Ainda assim, o avanço demonstra o potencial do mercado norte-americano para absorver parte da carne que deixou de ser enviada à China.
Barreira europeia ameaça US$ 700 milhões em embarques
A União Europeia ocupou a terceira posição entre os destinos da carne bovina brasileira no acumulado de janeiro a agosto. As vendas totais ao bloco chegaram a US$ 791,3 milhões, crescimento de 44,4%.
Nas exportações de carne in natura, a receita avançou 38,54%, para US$ 659 milhões, enquanto o volume aumentou 26,36%, alcançando 72,95 mil toneladas.
Esse fluxo passou a enfrentar restrições relacionadas às regras europeias para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A medida envolve requisitos sanitários, certificação e reconhecimento dos controles adotados pelos países exportadores. Análises oficiais brasileiras apontam que as exigências entraram em vigor em 3 de setembro de 2026 e podem ser revistas caso o país comprove conformidade com as normas do bloco. Mapa, Sedec-MT.
Segundo a estimativa apresentada pela Abrafrigo, o Brasil pode deixar de exportar aproximadamente 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos para a União Europeia entre setembro e dezembro, com impacto potencial próximo de US$ 700 milhões.
O governo brasileiro segue negociando com as autoridades europeias para buscar o reconhecimento dos protocolos adotados pela cadeia produtiva e restabelecer o acesso ao mercado.
Chile, Rússia e Arábia Saudita ampliam compras
A expansão de outros destinos ajuda a reduzir a dependência dos três maiores compradores. Entre janeiro e agosto, o Chile importou 106,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, crescimento de 32,4%. A receita avançou 47,6%, para US$ 650 milhões.
A Rússia aumentou as compras em 29,4%, para aproximadamente 96 mil toneladas. O faturamento cresceu 46,4% e chegou a cerca de US$ 454 milhões.
Hong Kong apresentou recuperação, com 71 mil toneladas adquiridas, alta de 9,9%. A receita aumentou 34,7%, para US$ 301 milhões.
A Arábia Saudita registrou um dos desempenhos mais fortes entre os mercados analisados. O volume cresceu 24,9%, para 49,7 mil toneladas, enquanto a receita avançou 56,8%, alcançando US$ 297,5 milhões.
O México seguiu na direção contrária. As compras caíram 18,8%, para 65,8 mil toneladas, e a receita recuou 9,4%, para US$ 399 milhões.
Nova cota pode reduzir pressão sobre frigoríficos
A abertura temporária dos Estados Unidos surge em um momento de menor presença da China e de restrição no mercado europeu. O acesso adicional poderá favorecer o redirecionamento da produção, reduzir a concentração dos embarques e preservar parte da demanda dos frigoríficos por animais.
O efeito sobre o mercado do boi gordo dependerá da velocidade de utilização das cotas, dos preços pagos pelos importadores e da capacidade das indústrias brasileiras de atender às especificações norte-americanas.
Embora a receita acumulada ainda apresente crescimento expressivo em 2026, a queda dos volumes em agosto mostra a sensibilidade das exportações a mudanças tarifárias e sanitárias nos principais destinos. Nesse cenário, ampliar mercados e aproveitar integralmente a nova cota dos Estados Unidos serão fatores fundamentais para sustentar os embarques brasileiros até o fim do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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