Café cai 4% em Nova York com exportações recordes do Brasil e boas perspectivas para safra 2027/28
Avanço dos embarques, aumento dos estoques certificados e condições iniciais favoráveis às floradas reforçam expectativa de maior oferta global e pressionam arábica e robusta
Publicado em: 18/09/2026 às 20:00hs
Os preços internacionais do café encerraram a semana em forte queda, pressionados pela perspectiva de melhora na oferta mundial. O avanço das exportações brasileiras, os sinais iniciais positivos para a safra 2027/28 e o aumento dos estoques certificados em Nova York reduziram a preocupação imediata com o abastecimento.
Na Bolsa de Nova York, o contrato dezembro do café arábica acumulou baixa de 4% entre os dias 10 e 17 de setembro, passando de 288,15 para 276,50 centavos de dólar por libra-peso. A cotação atingiu o menor nível em mais de dois meses e meio.
Na Bolsa de Londres, o robusta com vencimento em novembro recuou 4,6% no mesmo período. As perdas externas chegaram ao mercado físico brasileiro, embora a valorização do dólar, a demanda e a resistência dos produtores tenham limitado a desvalorização interna.
Exportações brasileiras de café batem recorde em agosto
O desempenho das exportações brasileiras reforçou a percepção de maior disponibilidade de café no mercado global. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 4,16 milhões de sacas em agosto, considerando café verde e industrializado.
O volume foi 31% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e representou o melhor resultado da história para agosto.
Com essa performance, as exportações brasileiras de todos os tipos de café somaram 7,204 milhões de sacas no primeiro bimestre da temporada 2026/27, que começou em julho. O volume cresceu 21,5% em relação a julho e agosto do ciclo anterior.
A receita cambial alcançou US$ 2,242 bilhões, avanço de 4,1% na comparação anual. O aumento mais moderado do faturamento em relação ao volume reflete a redução dos preços médios recebidos pelo produto.
Embarques aceleram no início de setembro
O ritmo das exportações continuou forte em setembro. Nos oito primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 1.798.317 sacas de 60 quilos de café em grão, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A média diária atingiu 224.790 sacas, crescimento de 51,5% em relação à média de setembro de 2025.
A receita acumulada chegou a US$ 584,586 milhões, com média diária de US$ 73,073 milhões. O resultado representa alta de 35% na comparação anual.
O preço médio, por outro lado, recuou 10,9%, para US$ 325,07 por saca. A combinação entre maior volume embarcado e menor valor médio ajuda a explicar a pressão observada nas bolsas internacionais.
A expectativa é de manutenção de exportações consistentes ao longo da temporada, favorecidas pela disponibilidade da safra brasileira de 2026, considerada ampla e com possibilidade de alcançar volume recorde.
Floradas aumentam expectativa de oferta em 2027
Além dos embarques, o mercado monitora o desenvolvimento da próxima safra brasileira. As primeiras chuvas e a impressão inicial positiva das floradas aumentaram a perspectiva de abastecimento mais confortável em 2027/28.
Para Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, esse cenário amplia a expectativa de recomposição dos estoques nos países importadores.
“As chuvas e a boa impressão inicial das floradas brasileiras para a safra 2027/28 aumentam a percepção de um abastecimento mais confortável no futuro. Esse conjunto de fatores reforça a pressão negativa sobre a curva de preços”, avalia.
As condições iniciais para as floradas e o pegamento são consideradas favoráveis. O mercado, entretanto, continua acompanhando os possíveis efeitos do El Niño, especialmente o risco de falta de umidade e temperaturas elevadas nos últimos meses do ano.
Caso o clima fique mais quente e seco durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras, as atuais expectativas poderão ser revistas.
Chuvas favorecem robusta no Vietnã
O clima no Vietnã também contribuiu para a queda do café robusta em Londres. Depois das preocupações iniciais com o excesso de precipitações, informações divulgadas durante a semana indicaram que as chuvas foram favoráveis às regiões produtoras.
A melhora das condições para a safra vietnamita reforçou a expectativa de maior disponibilidade de robusta, adicionando pressão às cotações internacionais.
Outro fator negativo para os preços foi o crescimento dos estoques certificados de café arábica na Bolsa de Nova York, após um longo período de quedas sucessivas.
Os volumes permanecem historicamente baixos, mas a recuperação trouxe algum alívio ao mercado em relação à oferta de curto prazo.
Dólar limita queda do café no mercado brasileiro
O ambiente financeiro também influenciou as negociações, em uma semana marcada por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre 10 e 17 de setembro, o dólar comercial acumulou alta de 0,75% no Brasil. A valorização da moeda norte-americana torna as exportações brasileiras mais competitivas e pode aumentar a disponibilidade do produto no mercado internacional, exercendo pressão sobre as bolsas.
No mercado físico nacional, porém, o câmbio oferece sustentação aos preços em reais. Essa influência, somada à cautela dos vendedores e à demanda interna, impediu que as perdas de Nova York e Londres fossem integralmente transferidas às cotações brasileiras.
Os produtores reduziram a participação nas negociações diante das quedas externas, enquanto os compradores atuaram conforme a necessidade e buscaram preços mais baixos.
Arábica cai para R$ 1.580 e conilon recua a R$ 960
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa da safra nova caiu de R$ 1.620 para R$ 1.580 por saca entre os dias 10 e 17 de setembro, na base de compra. A redução semanal foi de 2,5%.
No Espírito Santo, o conilon tipo 7 recuou de R$ 990 para R$ 960 por saca, queda acumulada de 3%.
Para os próximos pregões, o mercado deverá continuar acompanhando o ritmo das exportações brasileiras, o comportamento dos estoques certificados, as condições climáticas no Brasil e no Vietnã e os movimentos do câmbio.
Embora a expectativa de maior oferta tenha dominado a semana, as incertezas climáticas permanecem relevantes e podem aumentar novamente a volatilidade do café nas bolsas e no mercado físico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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