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Preços Agropecuários

Preço do leite sobe 4,65%, mas mercado perde força e custos avançam no campo

Boletim do Cepea aponta litro a R$ 2,8761 na Média Brasil, estabilidade dos lácteos no atacado, recuo das exportações e alta de 0,63% nos custos da atividade


Publicado em: 18/09/2026 às 18:00hs

Preço do leite sobe 4,65%, mas mercado perde força e custos avançam no campo

O preço do leite captado pelos laticínios manteve a trajetória de valorização em julho, mas o mercado começou a apresentar sinais de acomodação nas etapas seguintes da cadeia. Ao mesmo tempo, a elevação dos gastos com alimentação e suplementação aumentou a pressão sobre as margens dos produtores.

Os dados integram a edição de setembro do Boletim do Leite, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Na Média Brasil líquida, o leite pago ao produtor alcançou R$ 2,8761 por litro em julho, alta de 4,65% em relação a junho. O valor também ficou 4,96% acima do registrado em julho de 2025, em termos reais, considerando a correção pelo IPCA do período.

Apesar da valorização no campo, os preços dos derivados apresentaram movimentos limitados em agosto e perderam força na parcial de setembro.

Preço ao produtor alcança R$ 2,8761 por litro

A alta de 4,65% do leite captado em julho refletiu a valorização da matéria-prima e levou o preço médio ao maior patamar recente da série acompanhada pelo Cepea.

Na comparação anual, o avanço real de 4,96% mostra que a elevação superou a inflação acumulada no período. A recuperação beneficia a receita bruta das propriedades, mas não representa necessariamente uma melhora equivalente na rentabilidade.

Isso ocorre porque os custos de produção também voltaram a subir, principalmente nos componentes ligados à alimentação do rebanho.

Além disso, os sinais de acomodação observados no mercado de derivados indicam menor espaço para novos reajustes ao produtor nos próximos períodos.

Mercado de lácteos perde força em setembro

Levantamento do Cepea, realizado com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostra que o atacado paulista apresentou comportamento distinto entre os produtos lácteos durante agosto.

No caso do leite UHT, o preço médio subiu 0,45% e alcançou R$ 4,89 por litro. A valorização esteve associada ao encarecimento da matéria-prima, já que o leite cru pago ao produtor havia avançado no mês anterior.

O movimento dos derivados, entretanto, perdeu intensidade na parcial de setembro. A estabilização mostra que o repasse da alta do leite cru para o atacado encontrou maior resistência.

A capacidade de sustentação dos preços dependerá do equilíbrio entre oferta, demanda dos consumidores, estoques da indústria e ritmo de captação nas propriedades.

Exportações de queijos crescem 39,54%

As vendas brasileiras de queijos ao exterior apresentaram forte crescimento entre julho e agosto, mesmo com a retração dos embarques totais de produtos lácteos.

As exportações de queijos alcançaram 2,47 milhões de litros em equivalente-leite, aumento de 39,54% na comparação mensal. O produto respondeu por 47% de todo o volume de lácteos exportado pelo Brasil em agosto.

Na comparação com agosto de 2025, porém, os embarques de queijos recuaram 4,6%.

Os números mostram que a recuperação mensal ficou concentrada nesse segmento e não foi suficiente para impedir a queda no conjunto das exportações brasileiras de lácteos.

Custos da pecuária leiteira sobem 0,63%

O Custo Operacional Efetivo da atividade leiteira registrou aumento de 0,63% na Média Brasil entre julho e agosto.

A pressão veio principalmente dos preços do concentrado e dos suplementos minerais, dois componentes importantes do orçamento das propriedades.

Entre as regiões acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul apresentou a maior elevação mensal, com avanço de 1,38% no custo operacional.

A alta dos insumos reduz parte do efeito positivo da valorização do leite. Para avaliar a rentabilidade, o produtor precisa considerar não apenas o preço recebido por litro, mas também a relação de troca com alimentação, minerais, energia, mão de obra e demais despesas da propriedade.

Margens exigem atenção dos produtores

O cenário apresentado pelo Boletim do Leite combina recuperação do preço ao produtor, menor força no atacado, desempenho desigual das exportações e aumento dos custos de produção.

A valorização registrada em julho trouxe algum alívio à receita das propriedades, mas a acomodação dos derivados e o encarecimento da alimentação limitam as perspectivas de ampliação das margens.

Nos próximos períodos, o comportamento da oferta de leite, o consumo interno e os custos nutricionais deverão orientar a formação dos preços e a rentabilidade da pecuária leiteira brasileira.

Boletim do Leite

Fonte: Portal do Agronegócio

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