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Arroz

Preço do arroz sobe 33,3% no RS, mas exportações fracas limitam mercado

Indicador alcança R$ 82,85 por saca, enquanto negócios entre R$ 88 e R$ 90 avançam em Pelotas e no Litoral Sul; importações maiores e embarques reduzidos mantêm cautela


Publicado em: 18/09/2026 às 17:30hs

Preço do arroz sobe 33,3% no RS, mas exportações fracas limitam mercado

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul encerrou a semana com preços firmes e avanços concentrados em algumas regiões, apesar da baixa programação de exportações e do crescimento das importações.

O Indicador Safras do arroz em casca no estado, considerando produto com rendimento de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, fechou a quinta-feira cotado a R$ 82,85 por saca de 50 quilos.

O valor representa alta de 1,58% na semana e avanço de 8,23% em relação ao mesmo período do mês anterior. Na comparação anual, a valorização chega a 33,30%.

Arroz chega a R$ 90 em negócios regionais

A firmeza do mercado gaúcho, principal referência para a formação dos preços nacionais, foi mais perceptível em Pelotas e no Litoral Sul.

Nessas regiões, foram registrados negócios entre R$ 88 e R$ 90 por saca de 50 quilos. As operações indicam aceitação comercial de valores mais elevados, mas ainda não configuram uma mudança generalizada no mercado brasileiro.

“O movimento permanece seletivo: não há aceleração generalizada, nem confirmação de novo preço nacional”, explica Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado.

Segundo ele, as diferenças entre as negociações continuam relacionadas à qualidade do arroz, ao rendimento industrial, à localização do produto, aos prazos e às condições de entrega.

Valorização ainda não representa novo patamar nacional

Os preços mais altos observados em determinadas regiões não significam que todas as praças produtoras passaram a operar nas mesmas referências.

A valorização permanece condicionada às características de cada lote e à necessidade dos compradores. Produtos com melhor qualidade ou localizados mais próximos das unidades beneficiadoras podem alcançar condições diferentes.

Essa seletividade ajuda a explicar por que o Indicador Safras permanece abaixo dos valores de R$ 88 a R$ 90 registrados em negociações específicas no sul do estado.

Exportações de arroz ainda não sustentam a alta

A valorização no mercado interno ocorre sem uma expansão consistente dos embarques. A programação portuária segue reduzida, indicando que a firmeza atual dos preços não depende, até o momento, de uma demanda externa mais intensa.

No mercado internacional, a aproximação do arroz norte-americano de US$ 20 por saca passou a chamar atenção dos agentes. O encarecimento do produto dos Estados Unidos pode melhorar a posição relativa de outros fornecedores, mas não assegura uma migração automática dos compradores para o Brasil.

A competitividade depende da diferença efetiva entre produtos equivalentes, considerando preço, qualidade, frete, condições comerciais e disponibilidade.

“Sem quantificação desse diferencial, não é possível definir quanto falta para destravar vendas brasileiras de forma consistente”, ressalta Oliveira.

Alta interna pode reduzir vantagem do arroz brasileiro

Mesmo que os preços internacionais avancem, a valorização da matéria-prima no Brasil pode absorver parte da melhora da competitividade.

Isso ocorre porque o comprador externo compara o custo final das diferentes origens. Se o arroz brasileiro subir no mercado doméstico na mesma proporção ou acima dos concorrentes, a vantagem comercial pode diminuir.

Além disso, preços internacionais mais altos não significam necessariamente contratos fechados. Mesmo quando há vendas, os embarques podem utilizar estoques adquiridos anteriormente, sem gerar uma procura imediata pelo arroz disponível nas regiões produtoras.

Importações maiores ampliam disponibilidade

As importações continuam funcionando como contraponto à sustentação dos preços internos. A entrada de volumes maiores aumenta a disponibilidade agregada de arroz no país e pode pressionar diferentes etapas da cadeia.

O impacto depende da composição das compras externas, especialmente da proporção entre arroz beneficiado e arroz em casca.

Quando o produto importado chega pronto para comercialização, a concorrência pode atingir diretamente a indústria e o varejo. Já a entrada de arroz em casca interfere também na demanda das unidades beneficiadoras pela matéria-prima nacional.

Mercado segue firme, mas ainda seletivo

A alta de 33,30% em relação ao ano anterior confirma a recuperação expressiva do arroz em casca no Rio Grande do Sul. No curto prazo, porém, a sustentação continua apoiada principalmente em condições regionais e na oferta seletiva.

Para que os valores mais elevados se consolidem em escala nacional, o mercado precisará de sinais adicionais de demanda, maior regularidade nas exportações ou redução da pressão exercida pelas importações.

Até lá, qualidade, rendimento industrial, localização e condições de entrega continuarão definindo os preços, com negócios pontuais acima das referências médias, mas sem confirmação de um novo patamar para todo o país.

Fonte: Portal do Agronegócio

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