Trigo de melhor qualidade fica escasso e sustenta preços no Paraná e no Rio Grande do Sul
Chuvas reduzem o padrão dos grãos paranaenses, produtores seguram lotes com PH elevado e diferença de até R$ 70 por tonelada limita negócios no mercado gaúcho
Publicado em: 18/09/2026 às 18:20hs
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com baixa liquidez, oferta limitada de grãos adequados à moagem e preços sustentados nas principais regiões produtoras do Sul. Mesmo com o avanço da colheita no Paraná, a disponibilidade não cresceu na intensidade esperada, principalmente nos lotes de melhor qualidade.
Segundo o analista de Safras & Mercado Thiago Oleto, as chuvas prejudicaram lavouras próximas da colheita e aumentaram a preocupação com o peso hectolítrico (PH), além de favorecerem doenças como brusone e giberela.
Nesse cenário, produtores que colheram trigo com PH superior a 78 reduziram a oferta e passaram a aguardar uma definição mais clara sobre a qualidade da safra e a formação dos preços. A retenção sustenta os prêmios pagos pelos lotes com padrão industrial superior.
No Rio Grande do Sul, compradores e vendedores permaneceram distantes nas negociações. A diferença entre as ofertas de compra e as pedidas chegou a R$ 70 por tonelada, mantendo o mercado em compasso de espera.
Trigo Tipo 1 se aproxima de R$ 1.600 no Paraná
A referência média FOB no interior do Paraná iniciou a semana em R$ 1.480 por tonelada e permaneceu praticamente estável até quinta-feira (17).
Apesar do avanço da colheita, a entrada de produto no mercado foi menor do que a esperada. As chuvas atingiram principalmente lavouras das regiões Norte e Oeste, comprometendo a qualidade de parte dos lotes.
Já na terça-feira (15), foram registrados carregamentos com PH entre 70 e 78. A umidade elevada também dificultou a aplicação de tratamentos preventivos e aumentou a incidência de brusone e giberela.
Com a redução da oferta de trigo Tipo 1, vendedores elevaram as pedidas para valores próximos de R$ 1.600 por tonelada.
“Mesmo com o avanço da colheita, a disponibilidade de trigo adequado à moagem segue limitada”, afirma Oleto.
Produtores seguram lotes com PH acima de 78
A retenção tornou-se mais intensa ao longo da semana. Agricultores que colheram trigo com PH superior a 78 optaram por armazenar o produto, na expectativa de valorização diante da possível escassez de grãos com melhor padrão.
Esse movimento reduziu ainda mais a disponibilidade imediata para os moinhos. A diferenciação por qualidade tende a ganhar importância à medida que a colheita avança e o mercado consegue dimensionar os danos provocados pelo excesso de umidade.
O peso hectolítrico é um dos principais parâmetros utilizados na classificação comercial do trigo. Valores mais elevados costumam indicar maior densidade dos grãos e melhor aproveitamento industrial, embora a avaliação para moagem também considere outros indicadores de qualidade.
Tempo fechado amplia incerteza nos Campos Gerais
Nos Campos Gerais, onde o ciclo das lavouras está mais atrasado, a sequência de dias com tempo fechado aumentou a preocupação com a qualidade do cereal que ainda será colhido.
Os moinhos indicaram aproximadamente R$ 1.500 por tonelada, posto indústria, para entrega imediata. Para outubro, as ofertas ficaram próximas de R$ 1.450, enquanto os valores para novembro recuaram para R$ 1.400.
As referências permaneceram praticamente inalteradas durante a semana, demonstrando a cautela dos compradores diante das incertezas sobre oferta e qualidade.
Em Cascavel, foi registrado um negócio pontual envolvendo trigo da safra anterior a R$ 1.530 por tonelada FOB.
Diferença de preços trava mercado no Rio Grande do Sul
O mercado gaúcho também apresentou poucos negócios e número reduzido de vendedores ativos. Os compradores iniciaram a semana oferecendo entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada FOB no interior.
Do lado vendedor, as pedidas ficaram próximas de R$ 1.500. A diferença de R$ 50 a R$ 70 por tonelada entre as pontas impediu maior movimentação.
A partir de terça-feira, a indicação de compra se estabilizou em aproximadamente R$ 1.450 por tonelada, enquanto os vendedores mantiveram as ofertas ao redor de R$ 1.500.
“A diferença de aproximadamente R$ 50 por tonelada entre as pontas continua dificultando a realização de negócios, sem mudança relevante nas referências”, observa Oleto.
Qualidade provoca diferença entre trigo branqueador e pão
Embora o mercado geral tenha permanecido lento, algumas negociações pontuais reforçaram a valorização dos lotes com características específicas.
Na quinta-feira, operações com trigo branqueador foram fechadas a R$ 1.500 por tonelada FOB. Para o trigo pão, os negócios alcançaram R$ 1.550.
Os valores mostram que a qualidade e a aptidão industrial do cereal influenciam diretamente as cotações. Lotes capazes de atender às exigências dos moinhos podem alcançar preços superiores à referência média.
Safra nova permanece sem referência firme no RS
As negociações antecipadas para a nova safra continuaram praticamente paralisadas no Rio Grande do Sul.
Na segunda-feira (14), foi registrada uma indicação isolada de compra a R$ 1.270 por tonelada, com produto colocado no porto, entrega e pagamento em dezembro. O valor não despertou interesse dos vendedores.
A partir de quarta-feira (16), deixaram de ser reportadas novas ofertas para o trigo da safra futura.
“O mercado gaúcho permanece em compasso de espera, acompanhando principalmente a qualidade do trigo que está sendo colhido no Paraná antes de estabelecer novas referências para a próxima safra”, explica o analista.
Qualidade da colheita deve orientar preços nas próximas semanas
O avanço dos trabalhos no Paraná será decisivo para o comportamento do mercado de trigo. Caso aumente a proporção de lotes com PH baixo, doenças ou outros problemas industriais, a oferta de cereal de melhor padrão poderá permanecer restrita e sustentar os preços.
No Rio Grande do Sul, compradores e vendedores também aguardam informações mais claras antes de estabelecer referências para a nova safra.
Nas próximas semanas, o clima, o ritmo da colheita e os resultados das análises de qualidade deverão determinar os prêmios pagos pelo trigo superior e a velocidade de retomada das negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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