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Soja

Safra de soja do Brasil deve atingir 181,64 milhões de toneladas, enquanto USDA eleva produção dos EUA

Conab projeta expansão de 1,4% na área brasileira, mas prevê menor produtividade; oferta mundial pode alcançar 442,35 milhões de toneladas em 2026/27


Publicado em: 18/09/2026 às 17:00hs

Safra de soja do Brasil deve atingir 181,64 milhões de toneladas, enquanto USDA eleva produção dos EUA

A produção brasileira de soja deverá alcançar 181,64 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 0,7% em relação ao ciclo anterior, segundo a primeira estimativa oficial divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A expansão deverá ocorrer em ritmo mais moderado. A área plantada está projetada em 49,31 milhões de hectares, alta de 1,4%, enquanto a produtividade média pode recuar 0,8%, para 3.683 quilos por hectare.

No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu ao elevar sua projeção para a safra norte-americana de soja. A produção foi estimada em 123,4 milhões de toneladas, acima do relatório anterior e da expectativa dos agentes.

Produção brasileira de soja cresce 0,7%

A Conab projeta uma nova expansão da soja no país, mas com menor intensidade na comparação com as temporadas anteriores.

Para 2026/27, o crescimento da produção será sustentado principalmente pelo aumento da área cultivada. A estimativa de 181,64 milhões de toneladas representa acréscimo de aproximadamente 1,23 milhão de toneladas sobre a safra anterior.

Segundo o presidente da Conab, Silvio Porto, a oleaginosa continua liderando o avanço entre as principais culturas brasileiras.

“A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra”, afirmou.

De acordo com Porto, o Brasil deverá manter sua posição de destaque no abastecimento mundial diante dos problemas produtivos enfrentados por outros países e das incertezas sobre a oferta internacional.

Área aumenta, mas produtividade deve recuar

Os produtores brasileiros deverão cultivar 49,31 milhões de hectares de soja na temporada 2026/27, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior.

A produtividade, entretanto, foi projetada em 3.683 quilos por hectare, redução de 0,8%. O resultado final dependerá do comportamento climático durante o plantio, o desenvolvimento das lavouras e a colheita.

A expectativa de expansão mais lenta da área indica que custos de produção, preços da soja e margens esperadas deverão ter peso maior nas decisões dos produtores.

Safra 2025/26 alcançou 180,4 milhões de toneladas

Na temporada 2025/26, a produção brasileira de soja foi estimada em 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação às 171,48 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25.

A projeção anterior indicava 180,46 milhões de toneladas, mostrando apenas um pequeno ajuste no levantamento mais recente.

A área cultivada em 2025/26 chegou a 48,608 milhões de hectares, avanço de 2,7% sobre os 47,346 milhões de hectares da safra anterior.

A produtividade média foi calculada em 3.711 quilos por hectare, crescimento de 2,5% frente aos 3.622 quilos registrados em 2024/25.

USDA eleva produção de soja dos Estados Unidos

O relatório de setembro do USDA estimou a safra norte-americana de soja em 4,535 bilhões de bushels na temporada 2026/27, o equivalente a 123,4 milhões de toneladas.

No levantamento anterior, a projeção era de 4,519 bilhões de bushels, ou aproximadamente 123 milhões de toneladas. O mercado esperava um volume menor, de 4,492 bilhões de bushels, equivalente a 122,3 milhões de toneladas.

Apesar do aumento da produção estimada, o USDA reduziu a produtividade de 53 para 52,7 bushels por acre.

A revisão acima das expectativas amplia a atenção sobre a oferta norte-americana em um momento no qual o mercado também acompanha o avanço da colheita, a demanda chinesa e a competitividade da soja sul-americana.

Exportações maiores reduzem estoques norte-americanos

Os estoques finais de soja dos Estados Unidos em 2026/27 foram projetados em 310 milhões de bushels, equivalentes a 8,44 milhões de toneladas.

O volume ficou abaixo dos 320 milhões de bushels, ou 8,71 milhões de toneladas, previstos no relatório de agosto. Ainda assim, a estimativa superou a expectativa do mercado, que apontava estoques de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

O USDA manteve a projeção de esmagamento em 2,78 bilhões de bushels, mas elevou a previsão de exportações de 1,66 bilhão para 1,685 bilhão de bushels.

Para a temporada 2025/26, os estoques de passagem norte-americanos foram mantidos em 325 milhões de bushels. O mercado esperava 320 milhões.

Safra mundial de soja chega a 442,35 milhões de toneladas

A produção mundial de soja em 2026/27 foi projetada pelo USDA em 442,35 milhões de toneladas. No relatório de agosto, a estimativa era ligeiramente menor, de 442,25 milhões.

Os estoques finais globais foram calculados em 124,02 milhões de toneladas, acima dos 123,1 milhões esperados pelo mercado.

Para a temporada 2025/26, os estoques mundiais estão estimados em 125,27 milhões de toneladas, também acima da expectativa de 125,1 milhões.

USDA mantém Brasil em 186 milhões de toneladas

As projeções do USDA para a produção sul-americana foram mantidas. O órgão estima a safra brasileira de soja em 180,5 milhões de toneladas em 2025/26 e em 186 milhões de toneladas em 2026/27.

A estimativa norte-americana para o próximo ciclo brasileiro supera em 4,36 milhões de toneladas a projeção inicial da Conab, de 181,64 milhões. A diferença reflete metodologias e períodos distintos de avaliação e deverá ser acompanhada ao longo do desenvolvimento da safra.

Para a Argentina, o USDA manteve a produção em 49,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26 e em 50 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.

China deve importar 115 milhões de toneladas

As importações chinesas de soja foram mantidas em 113 milhões de toneladas para 2025/26 e em 115 milhões para 2026/27.

Como maior compradora mundial da oleaginosa, a China continuará sendo determinante para os preços e para a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

O mercado deverá acompanhar o ritmo das compras chinesas, o avanço da colheita norte-americana e o plantio brasileiro. A combinação entre uma safra global elevada e estoques acima das expectativas pode limitar altas mais intensas, enquanto eventuais problemas climáticos no Brasil podem elevar o prêmio de risco sobre as cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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