Milho tem preços mistos e negócios travados; ritmo das exportações cai 16,7%
Preço médio nacional fica em R$ 67,35 por saca, com quedas mais fortes em São Paulo; embarques somam 2,29 milhões de toneladas nos primeiros oito dias úteis de setembro
Publicado em: 18/09/2026 às 16:00hs
O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com baixa liquidez e preços mistos nas principais regiões produtoras. A oferta permaneceu restrita na maior parte do país, enquanto compradores demonstraram tranquilidade em relação aos estoques e evitaram elevar as propostas.
Segundo análise da Safras & Mercado, as quedas mais expressivas ocorreram em São Paulo, onde parte dos produtores precisou vender o cereal para cumprir compromissos financeiros com vencimento no fim do mês.
Mesmo assim, o volume disponibilizado foi limitado e não provocou uma pressão mais intensa sobre as cotações nacionais. Em outras praças, a expectativa de preços mais elevados nos próximos meses manteve os vendedores afastados das negociações.
Produtores limitam oferta à espera de preços melhores
A retenção dos lotes predominou entre os produtores durante a semana. A estratégia reflete a expectativa de valorização do milho nos próximos meses e contribuiu para sustentar os preços em diferentes regiões.
Do lado comprador, consumidores e indústrias negociaram apenas os volumes necessários para reposição. A avaliação de que os estoques são suficientes no curto prazo reduziu a urgência para novas aquisições.
A combinação de oferta restrita e demanda cautelosa manteve o mercado travado, com poucas operações e variações pontuais entre as praças.
Milho cai em Campinas e na região da Mogiana
O preço médio da saca de milho no Brasil ficou em R$ 67,35 em 17 de setembro, recuo de 0,05% em relação aos R$ 67,38 registrados no encerramento da semana anterior.
Em Campinas, na modalidade CIF, a cotação caiu 2,70%, passando de R$ 74 para R$ 72 por saca. Na região paulista da Mogiana, o cereal recuou 2,13%, de R$ 70,50 para R$ 69.
A necessidade de caixa por parte de alguns produtores aumentou a disponibilidade em São Paulo. O movimento, contudo, permaneceu concentrado e não se espalhou com a mesma intensidade pelo restante do país.
Preços permanecem estáveis em outras regiões
Fora de São Paulo, as principais referências apresentaram poucas alterações durante a semana.
Em Cascavel, no Paraná, o milho permaneceu cotado a R$ 65 por saca. Em Rondonópolis, Mato Grosso, o preço ficou estável em R$ 68.
Erechim, no Rio Grande do Sul, manteve a referência de R$ 71 por saca. Em Uberlândia, Minas Gerais, o cereal continuou negociado a R$ 66.
Em Rio Verde, Goiás, a cotação permaneceu em R$ 65 por saca. A estabilidade nessas regiões reflete a limitada disposição dos produtores para vender e o baixo interesse dos compradores em ampliar estoques.
USDA e paridade de exportação ficam no radar
Ao longo dos últimos sete dias, o mercado acompanhou o relatório de oferta e demanda de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), além do comportamento dos contratos futuros e da paridade de exportação.
As cotações internacionais do milho apresentaram forte volatilidade, influenciadas também pelas oscilações do petróleo.
Embora o USDA tenha reduzido suas projeções para a produção e os estoques de milho dos Estados Unidos e do mundo na safra 2026/27, os ajustes ficaram abaixo do esperado pelo mercado. A reação foi negativa para os contratos futuros.
No Brasil, a relação entre preços internos, câmbio e valores nos portos continua determinando a competitividade das exportações e a atratividade das vendas destinadas ao mercado internacional.
Exportações de milho somam 2,29 milhões de toneladas
O Brasil exportou 2,289 milhões de toneladas de milho nos primeiros oito dias úteis de setembro, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A média diária dos embarques ficou em 286,23 mil toneladas, redução de 16,7% em comparação com setembro de 2025.
A receita acumulada chegou a US$ 525,61 milhões, com média de US$ 65,70 milhões por dia. Na comparação anual, o valor médio diário recuou 3,7%.
Apesar da diminuição do ritmo dos embarques, o preço médio do milho exportado aumentou 15,7%, alcançando US$ 229,50 por tonelada.
Preço maior compensa parte da queda no volume
A valorização da tonelada comercializada no exterior ajudou a limitar o impacto financeiro da redução nos embarques. Ainda assim, a queda de 16,7% no volume médio diário mostra um ritmo mais lento das exportações neste início de setembro.
No mercado doméstico, a possibilidade de maior sustentação dos preços dependerá da continuidade da retenção dos produtores, da necessidade de reposição dos consumidores e da evolução da paridade de exportação.
Com compradores abastecidos e vendedores aguardando melhores oportunidades, a tendência de curto prazo é de negócios pontuais, preços regionalizados e baixa liquidez no mercado brasileiro de milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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