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Algodão

Preço do algodão recua no Brasil com demanda fraca, enquanto safra supera 4,1 milhões de toneladas

Negociações seguem limitadas em São Paulo e Mato Grosso; produtividade maior compensa redução de 3,2% na área cultivada na temporada 2025/26


Publicado em: 18/09/2026 às 15:30hs

Preço do algodão recua no Brasil com demanda fraca, enquanto safra supera 4,1 milhões de toneladas

O mercado brasileiro de algodão encerrou mais uma semana com baixa liquidez, preços pressionados e poucas negociações. A demanda incerta manteve compradores e vendedores cautelosos, enquanto a produção nacional de pluma foi estimada em 4,143 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Segundo a Safras Consultoria, as indústrias reduziram suas bases de compra, ao passo que os vendedores evitaram ampliar a oferta diante da ausência de sinais mais consistentes de demanda. As oscilações das cotações internacionais e do câmbio também influenciaram a formação dos preços domésticos.

A nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta crescimento da produção mesmo com a redução da área cultivada. O resultado deve ser sustentado pelo aumento da produtividade média das lavouras.

Algodão cai 1,61% em São Paulo

Em São Paulo, o algodão colocado na indústria foi cotado a R$ 4,29 por libra-peso, equivalente a R$ 141,87 por arroba.

O valor representa queda semanal de 1,61%. Na quinta-feira anterior, dia 10, a pluma era negociada a R$ 4,36 por libra-peso, ou R$ 144,18 por arroba.

A retração reflete a menor disposição dos compradores em elevar as ofertas. Com a demanda indefinida, as indústrias concentram as aquisições em necessidades imediatas, reduzindo o volume de negócios.

Preço da pluma recua em Rondonópolis

Em Rondonópolis, importante referência do mercado de Mato Grosso, a pluma encerrou a semana cotada a R$ 138,04 por arroba, equivalente a R$ 4,17 por libra-peso.

Na semana anterior, o algodão era negociado a R$ 138,84 por arroba, ou R$ 4,20 por libra-peso. A desvalorização foi de R$ 0,80 por arroba.

Mesmo diante dos preços mais baixos, produtores e vendedores não demonstraram maior interesse em disponibilizar novos lotes. A postura limita a oferta no mercado físico, mas não é suficiente para impulsionar as cotações diante da demanda enfraquecida.

Safra brasileira de algodão chega a 4,143 milhões de toneladas

A produção brasileira de algodão em pluma está estimada em 4,143 milhões de toneladas na temporada 2025/26, segundo o 12º levantamento da Conab.

O volume supera as 4,081 milhões de toneladas produzidas na safra 2024/25. O crescimento ocorre mesmo com a redução da área destinada à cultura.

A área plantada foi estimada em 2,018 milhões de hectares, recuo de 3,2% em relação aos 2,085 milhões de hectares cultivados no ciclo anterior.

Produtividade compensa redução da área cultivada

O aumento da produtividade deverá compensar a menor área plantada. A Conab projeta rendimento médio de 2.053 quilos de pluma por hectare, acima dos 1.957 quilos registrados na safra passada.

O avanço representa uma recuperação da eficiência produtiva e permite ao país ampliar ligeiramente a oferta total de algodão.

O volume elevado, entretanto, aumenta a importância das exportações e da demanda industrial para o equilíbrio do mercado. Sem maior participação dos compradores, a disponibilidade de pluma pode continuar pressionando os preços internos.

Mato Grosso deve colher 2,8 milhões de toneladas

Mato Grosso continuará como o maior produtor brasileiro de algodão. A produção estadual está projetada em 2,8026 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26.

O resultado representa queda de 1,7% frente às 2,8521 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

Apesar da retração, o estado permanece responsável pela maior parte da produção nacional. Por isso, o comportamento da comercialização mato-grossense tem influência direta sobre a oferta, as exportações e os preços da pluma no país.

Produção da Bahia cresce 10,2%

A Bahia, segunda maior produtora nacional, deverá colher 931,5 mil toneladas de algodão em pluma.

A estimativa representa crescimento de 10,2% em relação às 845 mil toneladas registradas na temporada 2024/25. O avanço baiano ajuda a compensar a redução prevista em Mato Grosso e contribui para o aumento da produção brasileira.

Em Goiás, a safra está projetada em 59,9 mil toneladas, alta de 10,9% sobre as 54 mil toneladas produzidas no ciclo passado.

Demanda e câmbio seguem determinantes para os preços

O mercado brasileiro de algodão deverá continuar acompanhando o comportamento da demanda industrial, das exportações, do dólar e das cotações internacionais.

A produção superior a 4,1 milhões de toneladas amplia a disponibilidade de pluma, mas o baixo interesse dos compradores mantém as negociações restritas. Nesse ambiente, vendedores evitam pressionar a oferta, enquanto as indústrias aguardam oportunidades para adquirir novos lotes em condições mais favoráveis.

Sem uma recuperação mais consistente da demanda, o mercado tende a permanecer cauteloso e sujeito a ajustes pontuais nos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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