Confinamento bovino deve crescer até 8% no Brasil e amplia demanda por nutrição, tecnologia e gestão
Expansão da pecuária intensiva leva De Heus a reforçar estrutura técnica e buscar maior participação no mercado até 2027, em cenário que exige controle de custos, eficiência operacional e decisões mais precisas
Publicado em: 19/08/2026 às 09:30hs
A expansão dos confinamentos bovinos no Brasil está acelerando a demanda por nutrição de precisão, tecnologia, gestão profissional e assistência técnica especializada. Depois de registrar crescimento médio próximo de 10% ao ano, o segmento deve avançar entre 6% e 8% em 2026 e 2027, mesmo diante da menor disponibilidade de animais.
O movimento reflete a intensificação da pecuária de corte brasileira e a busca dos produtores por maior produtividade, previsibilidade e rentabilidade. Atenta a esse cenário, a De Heus está ampliando sua atuação no mercado de confinamento e reforçando as equipes responsáveis pelo atendimento aos pecuaristas.
Entre as iniciativas anunciadas está a contratação do zootecnista Luciano Morgan como Consultor Nacional de Confinamento. O profissional atuará no desenvolvimento de soluções nutricionais, na capacitação das equipes e no acompanhamento técnico das operações.
Confinamento ganha espaço na pecuária brasileira
O confinamento tornou-se uma ferramenta estratégica para reduzir o ciclo produtivo, elevar o ganho de peso dos animais, liberar áreas de pastagem e programar a oferta de bovinos terminados ao longo do ano.
Por se tratar de um sistema intensivo, entretanto, a atividade exige controle rigoroso sobre alimentação, sanidade, desempenho animal, compra de insumos e comercialização. Pequenos desvios operacionais podem elevar o custo da arroba produzida e comprometer as margens.
Mesmo com a previsão de um crescimento mais moderado em 2026 e 2027, a expectativa é de que projetos maduros, tecnificados e bem administrados consigam avançar acima da média nacional.
O mercado brasileiro ainda apresenta espaço para expansão, diferentemente dos Estados Unidos, onde o volume de animais confinados permaneceu relativamente estável ao longo da última década. O Brasil também pode aproveitar novas oportunidades geradas pela abertura e ampliação de mercados para a carne bovina.
De Heus reforça estrutura para confinamentos
Com o objetivo de ampliar sua participação no segmento até 2027, a De Heus está reforçando as áreas técnica, comercial e de pesquisa dedicadas à pecuária de corte.
Luciano Morgan será responsável por aproximar o conhecimento científico das necessidades dos confinadores, conectando as equipes de pesquisa, desenvolvimento, assistência técnica e comercial da companhia.
O trabalho incluirá visitas às propriedades, treinamentos, avaliação de resultados e acompanhamento das operações. A proposta é desenvolver estratégias adaptadas às condições de cada confinamento, considerando estrutura, disponibilidade de ingredientes, objetivos produtivos e mercado de destino dos animais.
Morgan possui experiência nacional e internacional em bovinos de corte, com atuação nas áreas técnica, comercial, estratégica e de gestão de confinamentos.
Segundo o consultor, a entrada na empresa cria uma oportunidade de integrar sua experiência no segmento ao objetivo da De Heus de ampliar a presença no mercado brasileiro e em outros países.
Nutrição de precisão torna-se decisiva
A alimentação representa uma das parcelas mais relevantes dos custos de um confinamento. Por isso, a formulação das dietas precisa considerar não apenas o desempenho esperado, mas também o preço dos ingredientes, a conversão alimentar e as exigências do mercado comprador.
Dietas mal ajustadas podem aumentar desperdícios, prejudicar o ganho de peso e elevar o custo da arroba. Em contrapartida, programas nutricionais baseados em dados ajudam a melhorar a eficiência alimentar e a previsibilidade dos resultados.
A De Heus também destaca em seu portfólio o RumenPlus, apresentado pela companhia como um melhorador natural de desempenho voltado ao atendimento das exigências de mercados internacionais importadores de carne.
Para Juliano Sabella, Head de Ruminantes da empresa, o crescimento nos segmentos de corte e leite torna necessário ampliar as equipes especializadas e acelerar o desenvolvimento de soluções para sistemas intensivos.
Gestão ainda limita resultados dos confinamentos
Apesar da evolução tecnológica da pecuária brasileira, existe uma grande diferença entre os indicadores zootécnicos e econômicos registrados nas operações de confinamento.
Enquanto algumas unidades trabalham com gestão empresarial, softwares, coleta automatizada de informações e equipes qualificadas, outras ainda apresentam falhas na definição de metas, no registro de dados e no acompanhamento dos custos.
Essa disparidade pode gerar despesas superiores às necessárias e aumentar a exposição financeira do produtor. Entre os indicadores fundamentais estão ganho médio diário, consumo de matéria seca, conversão alimentar, custo da diária, mortalidade, custo da arroba produzida e retorno sobre o capital investido.
A gestão também precisa integrar as decisões de compra dos animais, aquisição dos insumos, formulação das dietas e comercialização do boi terminado.
Juros elevados aumentam necessidade de planejamento
O custo do capital é outro desafio para a expansão dos confinamentos. Com a taxa Selic em patamar elevado, o financiamento da compra de animais e insumos exige planejamento mais rigoroso.
Como o sistema demanda grande volume de recursos em um período relativamente curto, erros na aquisição dos animais, na formação dos estoques ou na estratégia de venda podem comprometer a rentabilidade.
Nesse cenário, previsibilidade de custos, proteção de preços e organização do fluxo de caixa ganham relevância. O produtor também precisa avaliar o momento de entrada dos animais, o período de permanência no cocho e as condições futuras do mercado pecuário.
Automação e dados podem reduzir desperdícios
Entre as principais oportunidades de ganho estão a automação dos processos, a capacitação da mão de obra e o uso estratégico das informações geradas dentro da propriedade.
Sistemas automatizados podem melhorar o controle da alimentação, reduzir perdas, padronizar atividades e facilitar o monitoramento do desempenho dos lotes. Entretanto, os benefícios dependem da qualidade dos dados e da capacidade das equipes de transformar informações em decisões.
A profissionalização do confinamento passa pela integração de quatro áreas: nutrição, gestão, tecnologia e análise de dados. A nutrição sustenta o desempenho dos animais; a gestão organiza os processos; a tecnologia melhora a execução; e os dados orientam os ajustes necessários.
Pecuária intensiva avança com foco em rentabilidade
A perspectiva de crescimento dos confinamentos em 2026 e 2027 mostra que a pecuária brasileira continuará avançando em direção a sistemas mais intensivos e profissionais.
O aumento da escala, porém, não garante rentabilidade por si só. O desempenho econômico dependerá da eficiência alimentar, do controle dos custos, da qualificação das equipes e da capacidade de tomar decisões com base em indicadores.
Para empresas de nutrição animal e assistência técnica, o cenário abre espaço para ampliar o atendimento e desenvolver soluções personalizadas. Para os pecuaristas, reforça a necessidade de integrar tecnologia e gestão para produzir mais arrobas com segurança financeira e maior previsibilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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