El Niño muito forte até 2027 estreita janelas no campo e aumenta demanda por máquinas agrícolas de precisão
Tecnologias aplicadas ao plantio, à pulverização e à colheita ajudam produtores a aproveitar períodos favoráveis, reduzir compactação do solo e controlar custos diante da maior instabilidade climática
Publicado em: 19/08/2026 às 07:30hs
O fortalecimento do El Niño deve aumentar os desafios operacionais do agronegócio brasileiro durante a safra 2026/27. Com possibilidade de chuvas excessivas no Sul, irregularidade das precipitações no Centro-Oeste e no Sudeste e maior risco de seca em áreas do Norte e do Nordeste, produtores precisarão executar as atividades agrícolas em janelas cada vez mais curtas.
O fenômeno já está configurado e deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os modelos indicam probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos trimestres. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) também aponta mais de 90% de possibilidade de o evento alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/27. Inmet e NOAA.
Embora a expressão “Super El Niño” seja utilizada de maneira informal para destacar a intensidade esperada, a classificação adotada pelos órgãos meteorológicos é “El Niño muito forte”.
Máquinas de alta capacidade tornam-se ferramentas de gestão de risco
Diante desse cenário, o desempenho do maquinário agrícola ganha importância estratégica. Equipamentos com maior capacidade operacional, automação, conectividade e agricultura de precisão permitem que o produtor plante, pulverize ou colha extensas áreas durante os períodos em que as condições meteorológicas são favoráveis.
Para Fabio Dotto, diretor de Marketing de Produto da Fendt, marca do Grupo AGCO, eventos climáticos extremos aumentam o impacto das ineficiências operacionais. Quando o produtor dispõe de poucos dias para executar uma atividade, velocidade, precisão e disponibilidade mecânica passam a interferir diretamente na redução dos riscos e na preservação da produtividade.
O maquinário não elimina os efeitos do clima, mas pode reduzir a exposição da lavoura a atrasos, perdas de qualidade e desperdícios de insumos.
Excesso de chuva desafia colheita e plantio no Sul
Na Região Sul, o El Niño costuma favorecer volumes de chuva acima da média. O cenário pode provocar encharcamento, erosão, compactação do solo, atraso na semeadura e dificuldades para a entrada das máquinas nas lavouras.
Para a colheita, equipamentos com sistemas de esteiras podem distribuir melhor o peso sobre o solo e reduzir a pressão exercida nas áreas úmidas. Segundo a Fendt, essa é uma das características das colheitadeiras da linha IDEAL.
A redução da compactação ajuda a preservar a estrutura física do solo e amplia as possibilidades de operação quando os rodados convencionais encontram dificuldades. A maior capacidade de colheita também permite retirar a produção antes da chegada de novas chuvas.
No plantio, máquinas com depósitos de maior capacidade e operação em velocidades elevadas ajudam a cobrir extensões maiores durante os poucos dias de tempo firme. A plantadeira Fendt Momentum está entre os equipamentos apontados pela empresa para esse tipo de estratégia.
Precisão no plantio ajuda a enfrentar umidade irregular
No Centro-Oeste e no Sudeste, a irregularidade das chuvas e a possibilidade de ondas de calor tornam mais complexa a definição do momento adequado para a semeadura.
Nessas condições, a uniformidade da profundidade e o contato entre a semente e o solo são determinantes para o estabelecimento das plantas. Variações de umidade, relevo e resistência do terreno podem comprometer a emergência e reduzir o potencial produtivo.
Tecnologias como SmartFrame e Weight Transfer, presentes na plantadeira Fendt Momentum, ajustam o equipamento ao relevo e distribuem a pressão entre as linhas. O sistema Delta Force controla automaticamente a carga aplicada em cada unidade de plantio conforme as condições encontradas no solo.
Em áreas mais úmidas, o ajuste reduz o risco de compactação excessiva e fechamento inadequado do sulco. Em pontos com maior resistência, o sistema busca manter a semente na profundidade programada.
O objetivo é obter uma emergência mais uniforme e uma população de plantas próxima daquela definida no planejamento agronômico.
Tratores de alto torque ajudam a aproveitar umidade disponível
A eficiência energética também ganha relevância em uma safra marcada por custos elevados e janelas operacionais restritas.
Os tratores das séries Fendt 900 Vario e 1000 Vario utilizam o conceito Fendt iD, que combina baixas rotações do motor com elevada disponibilidade de torque. A estratégia busca reduzir o consumo de combustível durante o trabalho com implementos pesados.
A maior capacidade de tração permite acelerar o preparo e a semeadura, aproveitando a umidade disponível no solo antes que temperaturas elevadas aumentem a evaporação.
Entretanto, o desempenho da operação continuará dependendo de fatores como dimensionamento correto da frota, manutenção preventiva, capacitação dos operadores e planejamento logístico para o abastecimento das máquinas.
Pulverização precisa ocorrer em períodos cada vez menores
As mudanças no regime de chuvas também afetam a aplicação de defensivos agrícolas. Ventos fortes, temperaturas elevadas, baixa umidade relativa e precipitações próximas ao horário da pulverização podem comprometer a eficiência dos tratamentos.
Pulverizadores de alta capacidade, como os modelos da linha Fendt Rogator, permitem cobrir grandes extensões em menos tempo. Barras com maior estabilidade ajudam a manter a regularidade da aplicação mesmo em velocidades operacionais elevadas.
Sistemas de controle de pulverização e gerenciamento automático da taxa aplicada reduzem sobreposições, falhas e desperdícios. Essas tecnologias ajudam o produtor a utilizar os insumos no momento agronomicamente mais adequado, respeitando as condições ambientais e as recomendações técnicas.
Tecnologia reduz desperdícios em áreas sob risco de seca
No Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o El Niño pode elevar o risco de estiagem e temperaturas acima da média.
Com menor disponibilidade de água, evitar desperdícios de sementes, fertilizantes e defensivos torna-se fundamental para preservar as margens da atividade.
Ferramentas de gestão digital de frotas, como o FarmENGAGE, da PTx, permitem acompanhar máquinas, operações e indicadores de desempenho em tempo real. Sistemas de piloto automático e corte de seções evitam que plantadeiras e pulverizadores trabalhem repetidamente sobre a mesma faixa.
A eliminação das sobreposições reduz o consumo de insumos e combustível, além de melhorar a uniformidade das operações. Na pulverização, o controle de gotas e da taxa aplicada contribui para que o produto alcance o alvo nas condições técnicas recomendadas.
Planejamento será decisivo na safra 2026/27
O avanço do El Niño reforça a necessidade de integrar previsão climática, manejo agronômico e planejamento operacional. Ter máquinas de alta performance pode ampliar a capacidade de reação, mas os resultados dependem da qualidade das decisões tomadas antes e durante a safra.
Monitoramento meteorológico, manutenção preventiva, disponibilidade de peças, capacitação das equipes, conservação do solo e dimensionamento adequado da frota devem ganhar espaço na gestão das propriedades.
Em uma temporada potencialmente marcada por excesso ou falta de chuva, a agricultura de precisão tende a assumir papel ainda mais relevante. O objetivo será aproveitar cada janela favorável, reduzir perdas operacionais e preservar a rentabilidade diante de condições climáticas mais extremas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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