Canola dobra área no Rio Grande do Sul e Plano Safra impulsiona cultivo de inverno
Projeção indica crescimento de 102,64% na área cultivada em 2026; rotação de culturas, valorização do grão e acesso ao crédito ampliam o interesse dos produtores
Publicado em: 19/08/2026 às 08:00hs
A canola está ganhando espaço como alternativa de renda e diversificação para os produtores rurais do Rio Grande do Sul. Cultivada no outono e no inverno, a oleaginosa permite ampliar o aproveitamento das áreas agrícolas, integrar sistemas de rotação e reduzir a dependência de culturas tradicionais, como o trigo.
A expansão pode ser observada em Crissiumal, no Noroeste gaúcho, onde o produtor Janiel Frasson Helfenstein e sua esposa, Luana Unser Prediger, destinam aproximadamente 30 hectares à canola na safra de 2026.
O cultivo começou na propriedade em 2025 e passou a ocupar uma área anteriormente utilizada para o trigo. A decisão considerou a adaptação da cultura às condições regionais, a possibilidade de diversificação e a expectativa de melhor retorno financeiro diante da valorização do grão.
Para viabilizar os investimentos necessários ao ciclo produtivo, os agricultores recorreram a uma linha de custeio do Plano Safra contratada por meio da Cresol.
Área de canola cresce 102,64% no Rio Grande do Sul
A experiência dos produtores de Crissiumal acompanha um movimento de forte expansão da canola no Rio Grande do Sul.
De acordo com projeção da Emater/RS-Ascar, o estado deverá cultivar 353.397 hectares em 2026. A estimativa representa crescimento de 102,64% em relação à área plantada no ano anterior, mais que dobrando a presença da oleaginosa nas lavouras gaúchas.
O avanço coloca a canola entre as principais alternativas para a produção de inverno no estado. O interesse é sustentado pela busca por novas fontes de receita, pelo desenvolvimento do mercado de óleos vegetais e pela necessidade de diversificar os sistemas produtivos.
No Noroeste do Rio Grande do Sul, estudos e experiências de campo indicam que a cultura pode ser integrada às propriedades que tradicionalmente trabalham com soja, milho e trigo.
Canola amplia opções de renda no inverno
A canola é uma oleaginosa utilizada principalmente na produção de óleo para alimentação humana. Seus derivados também podem abastecer outras cadeias industriais, incluindo a fabricação de biocombustíveis.
Para o produtor, a cultura oferece uma oportunidade de gerar receita durante o inverno e manter a área agrícola em atividade. A oleaginosa pode ocupar espaços que ficariam em pousio ou substituir parcialmente outros cultivos de inverno, dependendo das condições agronômicas e comerciais de cada propriedade.
Na área conduzida por Janiel e Luana, a expectativa para esta safra é colher entre 25 e 30 sacas por hectare. O resultado dependerá do clima, do estabelecimento das plantas e da eficiência do manejo ao longo do ciclo.
Segundo Janiel, a escolha também levou em consideração o comportamento da cultura diante das condições de chuva e frio registradas na região. A expectativa de valorização comercial contribuiu para a substituição de parte da área anteriormente destinada ao trigo.
Rotação de culturas beneficia o sistema produtivo
A participação da canola na rotação pode produzir benefícios que vão além da comercialização do grão.
A alternância entre espécies com características diferentes ajuda a interromper ciclos de determinadas doenças e pragas, melhora o aproveitamento dos nutrientes e favorece a organização do calendário agrícola.
Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam o potencial da canola para diversificar os sistemas produtivos do Noroeste gaúcho.
Quando inserida de forma planejada, a oleaginosa também pode beneficiar as culturas implantadas posteriormente. Entretanto, os resultados dependem da escolha correta da área, da cultivar e da sequência utilizada na rotação.
Manejo exige planejamento desde a semeadura
Apesar das oportunidades, a canola demanda acompanhamento técnico em todas as etapas. O planejamento começa com a escolha da cultivar e da época de semeadura mais adequada para cada região.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- qualidade e fertilidade do solo;
- escolha da cultivar;
- definição da janela de semeadura;
- regulagem das máquinas;
- profundidade e uniformidade do plantio;
- adubação conforme análise do solo;
- controle de plantas daninhas, pragas e doenças;
- acompanhamento das condições meteorológicas;
- planejamento do momento e do sistema de colheita.
Como as sementes são pequenas, a implantação uniforme da lavoura exige atenção especial. Falhas no estabelecimento podem comprometer a população de plantas e limitar o potencial produtivo.
A colheita também representa uma etapa estratégica, uma vez que diferenças na maturação e abertura das síliquas podem provocar perdas caso a operação não seja realizada no momento adequado.
Plano Safra financia despesas da lavoura
O acesso ao crédito rural foi utilizado pelos produtores de Crissiumal para financiar as despesas necessárias à implantação e à condução dos 30 hectares de canola.
Por meio de uma linha de custeio do Plano Safra, os cooperados obtiveram recursos para organizar os investimentos ao longo do ciclo produtivo. Segundo Janiel, a agilidade na liberação e a proximidade no atendimento contribuíram para a contratação.
O crédito de custeio pode ser destinado a diferentes despesas da produção, como aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos, operações mecanizadas e serviços utilizados na lavoura, observadas as condições do programa contratado.
Para culturas que ainda estão ampliando sua presença regional, o financiamento permite distribuir melhor os gastos e reduzir a pressão financeira durante a implantação.
Crédito deve estar associado ao planejamento comercial
Embora o acesso aos recursos seja importante, a decisão de cultivar canola precisa considerar fatores técnicos, econômicos e comerciais.
Antes do plantio, o produtor deve avaliar a disponibilidade de compradores, as condições de entrega, os custos logísticos e as referências de formação de preços. A proximidade de unidades recebedoras também pode influenciar a viabilidade da produção.
O planejamento financeiro deve incluir estimativas de produtividade, custo por hectare, preço de equilíbrio e capacidade de pagamento do financiamento. Esses cálculos ajudam a avaliar o risco e a comparar a canola com outras alternativas de inverno.
Diversificação ganha importância nas propriedades
Para Christian Renz, gerente da agência da Cresol em Crissiumal, o apoio ao cultivo de canola está relacionado à busca por novas oportunidades econômicas nas propriedades rurais.
Segundo ele, a análise deve respeitar a realidade, a estrutura e os objetivos de cada produtor. A disponibilidade de crédito e o acompanhamento próximo podem facilitar a implantação de atividades que diversifiquem as receitas no campo.
No caso de Janiel e Luana, a intenção é continuar investindo na canola nos próximos ciclos, de acordo com os resultados produtivos e comerciais obtidos nesta safra.
Com o crescimento projetado da área gaúcha, a oleaginosa tende a assumir uma posição mais estratégica entre os cultivos de inverno. A consolidação dependerá da produtividade, da estrutura de comercialização, da assistência técnica e do acesso dos agricultores ao crédito rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
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