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Bovinos de Corte

Boi gordo sobe no Brasil com oferta restrita, mas exportações de carne bovina perdem ritmo

Escassez de animais prontos para abate pressiona frigoríficos e eleva preços da arroba, enquanto demanda internacional mais fraca limita novas altas


Publicado em: 24/07/2026 às 14:30hs

Boi gordo sobe no Brasil com oferta restrita, mas exportações de carne bovina perdem ritmo
Foto: Diego Vargas

O mercado físico do boi gordo no Brasil ganhou força ao longo da semana, com novas altas nos preços da arroba impulsionadas pela restrição na oferta de animais para abate. A menor disponibilidade levou frigoríficos a aumentarem os valores pagos aos pecuaristas para garantir escalas de produção.

Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário de oferta mais ajustada tem sido o principal fator de sustentação das cotações. Ao mesmo tempo, a demanda permanece como ponto de atenção, especialmente no mercado externo, diante da desaceleração no ritmo das exportações de carne bovina.

“O cenário de oferta mais restrita no momento levou as indústrias a desembolsarem valores maiores pela arroba do boi”, avalia o analista Fernando Iglesias.

Frigoríficos elevam preços para alongar escalas de abate

A disputa por animais terminados aumentou durante a semana, com frigoríficos buscando ampliar suas programações de abate em um ambiente de menor disponibilidade de gado.

Apesar da valorização da arroba, as indústrias enfrentam pressão devido ao comportamento mais fraco da demanda no mercado interno e externo. A estratégia de compra mais agressiva ocorre em meio à necessidade de reduzir ociosidade nas plantas frigoríficas.

De acordo com Iglesias, algumas empresas chegaram a anunciar férias coletivas como forma de ajustar a produção ao atual cenário de mercado.

Exportações de carne bovina desaceleram com menor ritmo de embarques

Apesar dos preços internacionais favoráveis, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina apresenta sinais de desaceleração.

“O ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana, com o esgotamento precoce da cota chinesa”, destaca o analista.

A China continua como principal destino da carne bovina brasileira, mas a redução do ritmo dos embarques influencia as estratégias dos frigoríficos e limita uma valorização ainda maior dos preços.

Preços do boi gordo avançam nas principais praças pecuárias

Os preços do boi gordo, na modalidade a prazo, registrados em 23 de julho, apresentaram altas em importantes regiões produtoras:

  • São Paulo (Capital): R$ 345,00 por arroba — alta de 4,55% frente aos R$ 330,00 da semana anterior.
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 320,00 por arroba — avanço de 3,23% sobre os R$ 310,00 anteriores.
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335,00 por arroba — aumento de 3,08% em relação aos R$ 325,00 registrados anteriormente.
  • Rondônia (Vilhena): R$ 320,00 por arroba — crescimento de 3,23% frente aos R$ 310,00 da semana passada.
  • Goiás (Goiânia): R$ 320,00 por arroba — estabilidade.
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320,00 por arroba — sem alteração na comparação semanal.
Mercado atacadista enfrenta consumo mais fraco

No atacado, o mercado de carne bovina apresentou estabilidade e algumas quedas durante a semana, refletindo o menor ritmo de negócios típico da segunda metade do mês.

A carne bovina continua menos competitiva diante de outras proteínas, principalmente a carne de frango, que mantém vantagem de preço para o consumidor.

Segundo a Safras & Mercado:

  • O quarto dianteiro bovino foi negociado a R$ 19,00 por quilo, mantendo estabilidade semanal.
  • O quarto traseiro bovino ficou em R$ 25,50 por quilo, queda de 1,92% ante os R$ 26,00 registrados anteriormente.
Exportação de carne bovina movimenta US$ 896 milhões em julho

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 896,768 milhões em julho, considerando 13 dias úteis.

A média diária exportada alcançou:

  • US$ 68,982 milhões em receita;
  • 10,799 mil toneladas por dia em volume;
  • US$ 6.387,70 por tonelada no preço médio.
  • Na comparação com julho de 2025, houve:
  • aumento de 3,3% na receita média diária exportada;
  • queda de 10,3% no volume médio diário embarcado;
  • valorização de 15,1% no preço médio por tonelada.
Oferta limitada mantém suporte aos preços da arroba

O mercado do boi gordo segue equilibrando dois movimentos distintos: de um lado, a menor oferta de animais terminados sustenta os preços da arroba; de outro, a demanda mais fraca no mercado interno e a desaceleração das exportações limitam uma recuperação mais intensa.

Para as próximas semanas, o comportamento das escalas dos frigoríficos, o consumo doméstico e o ritmo dos embarques internacionais devem continuar sendo os principais fatores de definição das cotações da pecuária brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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