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Bovinos de Corte

Boi gordo sobe 7% com oferta restrita, mas queda das exportações para a China limita mercado

Menor disponibilidade de animais sustenta a arroba, enquanto embarques de carne bovina recuam 19% em julho; Itaú BBA projeta cenário mais favorável no quarto trimestre


Publicado em: 19/08/2026 às 10:50hs

Boi gordo sobe 7% com oferta restrita, mas queda das exportações para a China limita mercado

A redução da oferta de animais terminados impulsionou os preços do boi gordo na segunda metade de julho e no início de agosto. O movimento trouxe maior firmeza ao mercado físico, mas a desaceleração das exportações para a China ainda limita altas mais expressivas da arroba.

A avaliação consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. De acordo com a análise, agosto e setembro devem continuar marcados por baixa liquidez e menor suporte das vendas externas. Para o último trimestre de 2026, entretanto, as perspectivas são mais favoráveis.

Preço do boi gordo avança 7% em São Paulo

O preço do boi gordo em São Paulo acumulou valorização de 7% nos 30 dias encerrados em 13 de agosto. A alta ganhou força diante da menor disponibilidade de gado pronto para o abate, levando frigoríficos mais dependentes do mercado doméstico a aumentar as ofertas para recompor as escalas.

A carcaça casada também registrou avanço no período, mas em intensidade menor. A valorização foi de 2%, comprimindo parte da margem das indústrias que atendem ao mercado interno.

Apesar dessa redução, o spread dos frigoríficos permanece em nível considerado historicamente sustentável pelo Itaú BBA.

Exportações de carne bovina caem 19% em julho

Enquanto o mercado físico ganhou sustentação, os embarques brasileiros de carne bovina in natura perderam força. As exportações somaram 228 mil toneladas em julho, queda de 19% diante das 280 mil toneladas registradas em junho.

Na comparação anual, a retração foi de 18%. Em julho de 2025, o Brasil havia exportado 277 mil toneladas do produto.

O resultado refletiu principalmente a redução das compras chinesas. Os embarques destinados à China recuaram 48%, movimento relacionado, segundo o relatório, à proximidade do encerramento da cota de exportação ao país asiático.

Estados Unidos e Chile ampliam compras de carne brasileira

A retração chinesa foi parcialmente compensada pela expansão das vendas para outros destinos. As exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos cresceram 106% em relação a julho de 2025.

O Chile também aumentou significativamente suas aquisições, com avanço anual de 88%. A diversificação dos compradores, porém, não foi suficiente para impedir a queda do volume total exportado.

A menor participação da China ainda afetou o valor médio da carne embarcada, que recuou 2,8% em relação a junho.

Margem das exportações permanece próxima de 11%

Mesmo com a queda do preço médio da carne bovina exportada, o custo do boi gordo convertido em dólares diminuiu 3,7% no período.

Com isso, o spread das exportações permaneceu próximo de 11%, percentual alinhado à média dos últimos cinco anos. O indicador mostra que, apesar da redução dos embarques, as operações externas ainda mantiveram margens relativamente equilibradas.

Relação de troca com o bezerro é a pior em cinco anos

No mercado de reposição, o cenário continua desafiador para pecuaristas que atuam nas etapas de recria e engorda. Embora o preço do bezerro em Mato Grosso do Sul tenha subido menos que a arroba do boi gordo nos 30 dias analisados, a relação de troca permanece desfavorável.

Em julho, o indicador atingiu seu pior nível dos últimos cinco anos, aumentando a pressão sobre as margens dos produtores responsáveis pela compra de animais para reposição.

O encarecimento do bezerro acumulado nos últimos meses exige atenção ao planejamento financeiro, à eficiência produtiva e à definição do momento de entrada dos animais.

Menor oferta do confinamento sustenta mercado

A oferta de boi gordo deverá permanecer ajustada nos próximos meses. Entre os fatores apontados pelo Itaú BBA estão o menor volume de animais procedentes do confinamento e a perda de atratividade do primeiro giro em relação ao segundo.

O perfil da curva futura também contribuiu para essa diferença. Os vencimentos mais próximos apresentaram condições menos favoráveis, reduzindo o estímulo econômico para parte das operações de confinamento antecipadas.

Essa menor disponibilidade tende a dar sustentação aos preços. Por outro lado, o enfraquecimento das exportações para a China deverá funcionar como fator de contenção, dificultando valorizações mais intensas no curto prazo.

Contrato futuro chegou a R$ 370 por arroba

A valorização do mercado físico na segunda quinzena de julho provocou uma reação nos contratos futuros negociados na B3.

O vencimento de novembro chegou a ser negociado a R$ 370 por arroba em 21 de julho, com prêmio de R$ 26 sobre a referência do mercado físico. Posteriormente, a curva perdeu força e, em meados de agosto, o prêmio desse contrato havia recuado para aproximadamente R$ 10 por arroba.

A curva apurada em 13 de agosto indicava referências próximas de R$ 348 por arroba para agosto, R$ 350 para setembro, R$ 358 para outubro e R$ 360 para novembro. Os contratos mais longos apontavam R$ 364 para dezembro, R$ 371 para janeiro de 2027, R$ 369 para fevereiro e R$ 370 para março.

Quarto trimestre pode trazer recuperação do boi gordo

O Itaú BBA projeta um mercado ainda cauteloso durante agosto e setembro, período em que a redução das compras chinesas deverá prejudicar a liquidez e limitar o potencial de alta.

A perspectiva melhora para o quarto trimestre, quando a originação de animais destinados à China tende a se normalizar para o atendimento da cota de exportação de 2027.

Esse movimento poderá reforçar a demanda dos frigoríficos exportadores justamente em um momento de oferta mais ajustada, criando condições para preços mais firmes no encerramento do ano.

Gestão de risco ganha importância na pecuária

Embora o Itaú BBA considere construtivas as perspectivas para o boi gordo no último trimestre, o relatório reforça a importância da gestão de risco.

Diferenças expressivas entre os contratos futuros e o mercado físico podem abrir oportunidades para a proteção dos preços do gado. Para o pecuarista, acompanhar a curva da B3, os embarques de carne bovina, o comportamento das compras chinesas e as escalas dos frigoríficos será fundamental para definir estratégias de comercialização.

No curto prazo, o mercado deverá permanecer dividido entre duas forças: a oferta restrita, que sustenta a arroba, e a menor demanda externa, que impede movimentos mais fortes de valorização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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