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Milho e Sorgo

Milho sobe em Chicago com alerta para safra dos EUA, mas mercado brasileiro mantém negócios pontuais

Pro Farmer identifica redução no potencial produtivo em Indiana e Nebraska; no Brasil, cautela dos compradores, avanço da colheita e diferença entre ofertas limitam a liquidez


Publicado em: 19/08/2026 às 11:20hs

Milho sobe em Chicago com alerta para safra dos EUA, mas mercado brasileiro mantém negócios pontuais

O mercado do milho iniciou a quarta-feira (19) com sinais distintos no Brasil e no exterior. Enquanto os contratos futuros avançaram na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionados por preocupações com a safra norte-americana, as cotações domésticas mantiveram comportamento cauteloso, com negócios pontuais no mercado físico e leves quedas na B3.

Segundo a TF Agroeconômica, compradores brasileiros continuam priorizando aquisições para reposição imediata, enquanto produtores aguardam preços mais atrativos para ampliar as vendas. Colheita, plantio, exportações e demanda das indústrias de bioenergia estão entre os principais fatores que influenciam as negociações.

Milho avança em Chicago após avaliação de lavouras nos EUA

Os contratos futuros do milho operavam em alta na manhã desta quarta-feira na Bolsa de Chicago. Por volta das 9h44, no horário de Brasília, os principais vencimentos registravam ganhos entre 2,25 e 2,50 pontos.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,65 por bushel, enquanto dezembro de 2026 alcançava US$ 4,90. Março de 2027 era cotado a US$ 5,06 e maio de 2027, a US$ 5,14 por bushel.

A valorização ocorreu após relatos da Pro Farmer Crop Tour apontarem preocupações com o potencial produtivo das lavouras em Indiana e Nebraska. As avaliações indicaram menor rendimento e redução na quantidade de espigas em comparação com o levantamento do ano anterior.

Em Indiana, a estimativa de produtividade ficou em 183,5 bushels por acre, abaixo dos 193,8 bushels por acre registrados no ano passado. A contagem de espigas apresentou recuo de 1,5%.

No Nebraska, a projeção alcançou 163,6 bushels por acre, ante 179,5 bushels por acre no ciclo anterior. A quantidade de espigas diminuiu 5,2%, segundo os dados coletados durante a expedição.

Excesso de chuva aumenta preocupação com lavouras norte-americanas

As condições climáticas também passaram a receber maior atenção dos operadores. O excesso de chuva elevou a umidade nas lavouras de Indiana, enquanto alertas para possíveis enchentes foram emitidos em áreas de Indiana e Illinois.

O cenário pode comprometer o desenvolvimento das plantas e ampliar as incertezas sobre produtividade e qualidade. Por isso, os agentes acompanham as próximas avaliações de campo e as previsões meteorológicas para o cinturão produtor dos Estados Unidos.

Contratos futuros do milho recuam levemente na B3

Na Bolsa Brasileira, os futuros do milho começaram o pregão com pequenas desvalorizações. Por volta das 10h07, as principais referências oscilavam entre R$ 71,35 e R$ 79,90 por saca.

O contrato setembro de 2026 era negociado a R$ 71,35, com queda de 0,21%. Janeiro de 2027 recuava 0,11%, para R$ 78,76, enquanto março de 2027 apresentava baixa de 0,29%, cotado a R$ 79,90. Maio de 2027 registrava desvalorização de 0,34%, a R$ 78,56 por saca.

O comportamento da B3 refletia a liquidez reduzida no mercado físico, o avanço da colheita da segunda safra e a postura cautelosa das indústrias.

Preço do milho varia de R$ 58 a R$ 63 no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações para o milho variavam entre R$ 58 e R$ 63 por saca. A média estadual recuou 0,44% na semana, chegando a aproximadamente R$ 59.

As indústrias concentram as compras na reposição dos estoques, enquanto os produtores permanecem seletivos e aguardam melhores oportunidades de comercialização. Esse descompasso mantém o volume de negócios limitado.

As exportações brasileiras ganharam ritmo no início de agosto, embora ainda permaneçam abaixo do desempenho observado no mesmo período de 2025.

O plantio do milho verão da safra 2026/27 também começou no país. No Centro-Sul, 0,3% da área estimada havia sido semeada, conforme levantamento da AgRural. No Rio Grande do Sul, entretanto, as chuvas dificultam o avanço das máquinas.

Diferença entre compradores e vendedores trava negócios em Santa Catarina

Em Santa Catarina, as referências de venda estavam próximas de R$ 60 por saca, enquanto os compradores apresentavam indicações ao redor de R$ 55.

A distância entre as ofertas restringe a comercialização. Parte dos consumidores utiliza estoques já contratados, ao mesmo tempo que os produtores evitam disponibilizar novos volumes nos preços indicados pela demanda.

Colheita atrasada sustenta atenção no Paraná

No Paraná, as ofertas também se aproximavam de R$ 60 por saca, diante de indicações de compra ao redor de R$ 55 por saca, na modalidade CIF.

A colheita do milho segunda safra alcançou 60% da área cultivada, segundo a Conab. O percentual está abaixo dos 80% registrados no mesmo período de 2025 e da média histórica de 68,6%.

A elevada umidade continua dificultando a retirada do cereal das lavouras. Em algumas regiões, o atraso já provoca perdas de produtividade e de qualidade dos grãos, fator que pode influenciar os preços e a disponibilidade de lotes com melhor padrão.

Bioenergia ajuda a absorver oferta em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, as cotações variavam entre R$ 48 e R$ 50 por saca. A indústria de bioenergia segue absorvendo parte relevante da produção, contribuindo para reduzir a pressão de oferta sobre os preços.

A colheita alcançou 64% da área, avanço expressivo diante dos 47% registrados na semana anterior. Apesar da evolução, as chuvas ainda provocam limitações operacionais em algumas localidades.

Mercado do milho acompanha clima, exportações e avanço da colheita

No curto prazo, o mercado internacional deve permanecer sensível às informações sobre o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos. Novas perdas nas lavouras norte-americanas podem ampliar a sustentação das cotações em Chicago.

No Brasil, a tendência é de continuidade dos negócios pontuais. A evolução da colheita da segunda safra, o ritmo das exportações, a demanda das indústrias de etanol de milho e o início do plantio da safra 2026/27 serão determinantes para a formação dos preços.

Enquanto compradores evitam elevar as ofertas, produtores mantêm postura seletiva. Esse impasse reduz a liquidez e mantém diferenças significativas entre os valores pedidos e as indicações de compra nas principais regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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