Café dispara em Nova York com estoques baixos, enquanto atraso da colheita limita oferta brasileira
Exportações de café começam a safra 2026/27 acima do ritmo do ciclo anterior, mas chuvas em Minas Gerais e São Paulo atrasam colheita, secagem e beneficiamento; oferta restrita impulsiona contratos do arábica na Bolsa de Nova York
Publicado em: 19/08/2026 às 11:50hs
O mercado internacional de café iniciou a safra 2026/27 sob forte atenção à disponibilidade global do produto. Enquanto os embarques brasileiros avançam em relação ao começo da temporada anterior, o atraso na colheita do café arábica limita a oferta de grãos beneficiados e prontos para exportação. Esse cenário, somado aos baixos estoques físicos, levou as cotações a registrarem forte valorização na Bolsa de Nova York.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as exportações brasileiras começaram o novo ciclo em ritmo firme. O desempenho, no entanto, poderia ser ainda mais expressivo sem as chuvas registradas em junho e julho nas principais regiões produtoras de arábica de Minas Gerais e São Paulo.
Chuvas atrasam colheita e secagem do café arábica
As precipitações dificultaram os trabalhos nas lavouras e prolongaram o processo de secagem dos grãos nos terreiros. Com isso, houve redução no volume de café beneficiado disponível para negociação e embarque imediato.
Além do atraso operacional, as condições climáticas também aumentaram a preocupação com a qualidade do produto, especialmente em relação ao padrão da bebida. A exposição dos frutos e grãos à umidade pode comprometer características importantes exigidas pelo mercado comprador.
Pesquisadores do Cepea avaliam que esses problemas podem restringir a disponibilização de café brasileiro ao longo da temporada, principalmente nos lotes destinados aos mercados que exigem padrões mais elevados de qualidade.
Exportações brasileiras começam safra 2026/27 em ritmo firme
Apesar das dificuldades na colheita, os embarques nacionais superaram o ritmo observado no início da safra passada. O resultado reforça a importância do Brasil no abastecimento mundial, mas também evidencia a necessidade de avanço do beneficiamento para que o país consiga ampliar a presença no mercado externo.
A evolução das exportações brasileiras e vietnamitas em 2026 ainda não foi suficiente para recompor os estoques físicos nos principais centros consumidores. Essa percepção elevou a preocupação dos agentes com uma possível escassez de café no curto prazo.
Estoques baixos impulsionam café na Bolsa de Nova York
Os contratos futuros do café arábica encerraram a terça-feira com ganhos acentuados na ICE Futures US, em Nova York. As cotações alcançaram os maiores níveis em aproximadamente um mês, considerando o contrato com vencimento em dezembro de 2026, uma das principais referências internacionais.
Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o movimento refletiu principalmente a preocupação com os reduzidos estoques físicos. A disponibilidade limitada é observada tanto nos armazéns certificados da bolsa quanto em importantes países consumidores.
Os estoques certificados estão nos menores patamares em mais de dois anos e meio. Na Europa, informações do mercado também apontam para volumes físicos reduzidos, ampliando a sensibilidade das cotações a qualquer risco relacionado ao abastecimento.
Logística internacional aumenta preocupação com a oferta
Além dos estoques baixos, problemas logísticos internacionais contribuíram para sustentar a valorização. A possibilidade de greve nos portos da Alemanha adicionou incerteza ao fluxo de mercadorias no continente europeu.
Na Colômbia, os impactos de um terremoto ainda provocam dificuldades logísticas, embora a situação apresente melhora gradual. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio também mantém os agentes atentos aos possíveis efeitos sobre transporte, custos e comércio internacional.
Fundos aceleram movimento de alta do café
A valorização ganhou força com a atuação de fundos e especuladores. Conforme os contratos ultrapassaram níveis técnicos importantes, novas ordens de compra foram acionadas, intensificando o movimento positivo ao longo do pregão.
O contrato do café arábica para setembro de 2026 encerrou cotado a 363,40 centavos de dólar por libra-peso, com avanço de 18,30 centavos, equivalente a 5,3%.
Já o vencimento dezembro de 2026 fechou a 332,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 14,55 centavos, ou 4,6%.
Mercado de café monitora avanço da colheita brasileira
Nas próximas semanas, o comportamento das cotações deverá continuar condicionado ao avanço da colheita e do beneficiamento no Brasil, à qualidade dos grãos e à capacidade das exportações de recompor os estoques nos países consumidores.
Caso a disponibilização do café arábica permaneça lenta e os estoques certificados continuem em níveis reduzidos, o mercado poderá sustentar um cenário de volatilidade e preços firmes. Por outro lado, uma aceleração da colheita, da secagem e dos embarques brasileiros poderá aliviar parcialmente a preocupação com a oferta global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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