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Farelo e óleo de soja sobem no Brasil apesar da queda em Chicago; esmagamento amplia oferta global

Demanda por ração animal, avanço das exportações, dólar valorizado e consumo de biodiesel sustentam os derivados no mercado doméstico, segundo análise do Itaú BBA


Publicado em: 19/08/2026 às 12:00hs

Farelo e óleo de soja sobem no Brasil apesar da queda em Chicago; esmagamento amplia oferta global

Os preços do farelo e do óleo de soja mantiveram trajetória de valorização no Brasil durante a primeira metade de agosto, mesmo diante da correção observada na Bolsa de Chicago. A demanda doméstica, o crescimento das exportações e o fortalecimento do dólar frente ao real sustentaram as cotações nacionais.

A avaliação consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Para os próximos meses, o cenário deverá ser marcado pelo crescimento simultâneo da oferta e do consumo, especialmente nos segmentos de proteína animal e biocombustíveis.

Óleo e farelo de soja recuam na Bolsa de Chicago

No mercado internacional, o óleo de soja encerrou julho com preço médio de 71,35 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,1% em relação a junho.

Na parcial de agosto, a média recuou para 68,15 centavos de dólar por libra-peso, desvalorização adicional de 4,5% na comparação com julho.

A queda foi influenciada pela perspectiva de maior disponibilidade global de óleos vegetais e pela redução dos prêmios de risco. O mercado também acompanha as políticas norte-americanas voltadas aos biocombustíveis e a oferta de produtos concorrentes.

O farelo de soja apresentou movimento semelhante em agosto, após registrar valorização no mês anterior. Em julho, o primeiro vencimento na Bolsa de Chicago teve média de US$ 319 por tonelada, alta mensal de 4,3%.

Na parcial de agosto, o preço médio caiu para US$ 310 por tonelada, recuo de 2,8%. A melhora das condições das lavouras dos Estados Unidos e a expectativa de oferta global abundante reduziram as preocupações com o abastecimento.

Farelo de soja alcança R$ 1.810 por tonelada em Mato Grosso

No mercado brasileiro, os preços seguiram em direção oposta à observada em Chicago. O farelo de soja foi negociado em Mato Grosso, em média, a R$ 1.734 por tonelada em julho, valorização de 4,1% diante de junho.

Na primeira metade de agosto, a média avançou para R$ 1.810 por tonelada, alta adicional de 4,3%.

O movimento foi sustentado pela demanda da indústria de proteína animal, pela maior competitividade das exportações brasileiras e pela valorização do dólar. Esses fatores compensaram a pressão baixista provocada pela expectativa de maior oferta internacional.

Óleo de soja sobe com demanda do biodiesel

O óleo de soja também permaneceu firme no mercado brasileiro. Em julho, o preço médio em Mato Grosso chegou a R$ 5.884 por tonelada, leve avanço de 0,1% em relação ao mês anterior.

Na parcial de agosto, a cotação média subiu para R$ 5.967 por tonelada, crescimento de 1,4% sobre julho.

A demanda da indústria brasileira de biodiesel foi um dos principais fatores de sustentação. O câmbio mais favorável às commodities exportadas também contribuiu para limitar os efeitos da desvalorização internacional.

Exportações brasileiras de farelo crescem 9,5%

O avanço das vendas externas reforçou a sustentação do farelo de soja no mercado nacional. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 15,4 milhões de toneladas do produto.

O volume representa crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando os embarques somaram cerca de 14 milhões de toneladas.

A expansão das exportações reduz a disponibilidade doméstica e aumenta a disputa pelo produto, contribuindo para preços mais firmes nas principais regiões consumidoras.

Esmagamento de soja deve ampliar oferta de derivados

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as estimativas de processamento de soja nos Estados Unidos. O maior volume esmagado deverá aumentar a produção de farelo e óleo na temporada 2026/27.

A revisão reflete expectativas mais favoráveis para a demanda da indústria processadora norte-americana. Apesar da perspectiva de oferta maior, o Itaú BBA avalia que o consumo deverá absorver parte significativa desse crescimento.

No caso do farelo, o USDA elevou as projeções de consumo doméstico, exportações e importações dos Estados Unidos, indicando demanda firme tanto no mercado interno quanto no comércio internacional.

Produção mundial de farelo pode alcançar 302 milhões de toneladas

A produção global de farelo de soja está estimada em 302 milhões de toneladas na temporada 2026/27, crescimento de 3% em relação às 293 milhões de toneladas projetadas para 2025/26.

A produção brasileira poderá chegar a 50 milhões de toneladas, avanço de 5%. Nos Estados Unidos, o volume está estimado em 60 milhões de toneladas, alta de 4%.

A China deverá produzir 88 milhões de toneladas, crescimento de 2%, enquanto a Argentina poderá alcançar 33 milhões de toneladas, também com avanço de 2%.

O consumo mundial deverá aumentar 3%, passando de 289 milhões para 297 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 20 milhões de toneladas, com relação estoque-consumo mantida em 7%.

Oferta mundial de óleo de soja deve crescer 3%

Para o óleo de soja, o USDA projeta produção global de 75 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 3% sobre a temporada anterior.

Os Estados Unidos deverão produzir 15 milhões de toneladas, alta de 6%, enquanto o Brasil poderá atingir 13 milhões de toneladas, crescimento de 5%.

A China deverá ampliar sua produção para 22 milhões de toneladas. O consumo mundial está estimado em 73 milhões de toneladas, também com aumento de 3%.

Os estoques finais poderão alcançar 6,9 milhões de toneladas, crescimento de 8%, embora a relação estoque-consumo permaneça em 9%.

Biocombustíveis ganham peso na demanda por óleo

O consumo de óleo de soja destinado à fabricação de biocombustíveis nos Estados Unidos foi revisado para cima pelo USDA. O ajuste reforça a importância da indústria de combustíveis renováveis na formação das cotações internacionais.

O órgão também elevou as estimativas norte-americanas de importação e consumo doméstico, ao mesmo tempo que reduziu a previsão de exportações.

No Brasil, as negociações do próximo ciclo de biodiesel estão no radar. Esse período costuma concentrar maior consumo e preços mais elevados, podendo ampliar a procura por óleo de soja pelas distribuidoras.

A expectativa de prêmios de negociação superiores aos observados no bimestre anterior poderá oferecer sustentação adicional aos preços domésticos durante o restante de 2026.

Demanda pode absorver expansão da oferta

O cenário para os derivados da soja combina maior esmagamento, crescimento da produção e demanda ainda aquecida. Para o farelo, o principal suporte vem dos setores de avicultura, suinocultura e pecuária, além do avanço das exportações brasileiras.

No óleo, a indústria de biodiesel deverá continuar exercendo influência decisiva. Embora a maior disponibilidade global possa limitar movimentos intensos de valorização, o crescimento do consumo tende a absorver parte relevante da oferta adicional.

O comportamento do dólar, as políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos e no Brasil, a evolução da produção de soja e a demanda chinesa serão determinantes para os preços do farelo e do óleo nos próximos meses

Fonte: Portal do Agronegócio

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