Publicado em: 30/06/2026 às 12:00hs
O mercado físico do boi gordo encerra junho sob pressão, com novas quedas nas cotações em importantes praças pecuárias do país. A combinação entre consumo doméstico enfraquecido, escalas de abate confortáveis e menor intensidade nas compras por parte dos frigoríficos continua limitando a recuperação dos preços da arroba.
No mercado paulista, os frigoríficos seguem adquirindo apenas o volume necessário para manter a programação de abates, refletindo o baixo ritmo das vendas de carne bovina no atacado. O cenário também afeta os animais destinados à exportação, especialmente o chamado "boi China", que perdeu valor diante da desaceleração das compras pelas indústrias habilitadas ao mercado chinês.
As empresas exportadoras acompanham o avanço do preenchimento da cota de exportação para a China, que já supera 65%, o que tem reduzido o apetite por novas aquisições antes da entrada em vigor das novas tarifas sobre parte das operações comerciais.
Na abertura da semana, as referências em São Paulo registraram recuo de R$ 2,00 por arroba para o boi gordo, o boi China e a novilha. A vaca gorda apresentou queda ainda maior, de R$ 3,00 por arroba, passando a ser negociada em R$ 315,00/@.
No Oeste do Maranhão, apenas a novilha registrou desvalorização, enquanto as demais categorias permaneceram com preços estáveis.
Os indicadores mais recentes do mercado mostram que a pressão continua predominando. O Indicador Cepea/Esalq fechou a segunda-feira (29) em R$ 338,65 por arroba à vista, enquanto a média paulista a prazo ficou em R$ 342,58 por arroba. Na B3, os contratos futuros seguem próximos desses níveis, refletindo expectativa de estabilidade a ligeiramente baixista para o curto prazo.
A desaceleração típica do consumo no fim do mês também impactou o mercado atacadista da carne bovina.
Com menor reposição por parte do varejo e aumento da oferta disponível, os estoques nas câmaras frigoríficas cresceram, pressionando os preços das carcaças.
Entre os principais cortes, a carcaça casada do boi capão recuou 1,5%, equivalente a R$ 0,35 por quilo. A do boi inteiro caiu 1,8%, com redução de R$ 0,40 por quilo. Já a carcaça da vaca apresentou retração de 1,6%, enquanto a da novilha recuou 1,1%.
O enfraquecimento do consumo não atingiu apenas a carne bovina.
As proteínas concorrentes também apresentaram queda de preços. O frango médio registrou desvalorização de 2,7%, enquanto o suíno especial caiu 4,4%, refletindo o menor volume de compras do varejo e a desaceleração da demanda no encerramento do mês.
Analistas avaliam que o mercado permanece em um momento de equilíbrio favorável às indústrias frigoríficas. As escalas de abate continuam relativamente confortáveis e a oferta de animais terminados segue suficiente para atender à demanda atual.
Por outro lado, as exportações de carne bovina continuam sendo um importante fator de sustentação para os preços. Caso os embarques mantenham bom desempenho no início de julho e o consumo interno apresente recuperação após o encerramento do mês, a pressão sobre a arroba poderá diminuir.
Até lá, a expectativa é de um mercado negociando de forma cautelosa, com compradores seletivos e produtores acompanhando atentamente o comportamento das exportações, da demanda doméstica e das escalas de abate.
Fonte: Portal do Agronegócio
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