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Milho e Sorgo

Milho sobe no Brasil com cautela dos produtores e alta em Chicago após relatório do USDA

Preço médio da saca avançou 1,46% na semana, para R$ 63,09, enquanto revisão da safra dos Estados Unidos melhora a paridade de exportação e reduz a disposição dos vendedores brasileiros.


Publicado em: 14/08/2026 às 19:00hs

Milho sobe no Brasil com cautela dos produtores e alta em Chicago após relatório do USDA
Foto: Tony Oliveira
Mercado de milho ganha sustentação com menor oferta na ponta vendedora

O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com preços mais firmes, sustentado principalmente pela maior cautela dos produtores em realizar novas vendas. A combinação entre a valorização do cereal na Bolsa de Chicago e uma melhora na paridade de exportação reduziu a disposição da ponta vendedora e deixou as negociações mais travadas.

Segundo a consultoria Safras & Mercado, o movimento ganhou força após a divulgação, na quarta-feira (12), do relatório de oferta e demanda de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O documento trouxe uma perspectiva mais altista para o milho, com redução da produtividade projetada para a safra norte-americana e cortes nos estoques finais dos Estados Unidos e do mercado global.

USDA impulsiona preços internacionais do milho

A revisão das estimativas do USDA provocou forte valorização dos preços do milho no mercado internacional.

Com o avanço das cotações externas, a paridade de exportação do milho brasileiro também melhorou. Esse cenário levou produtores a reduzir as fixações de venda, especialmente em um momento de maior expectativa em relação às oportunidades de exportação.

Embora exista um volume significativo de milho disponível no mercado brasileiro, os consumidores permanecem mais cautelosos nas compras.

Parte dos compradores aposta em uma eventual queda das cotações domésticas antes de avançar com novas aquisições, o que contribui para deixar o mercado físico menos líquido.

Chicago acompanha cenário dos Estados Unidos e tensão no Mar Negro

Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho registraram valorização expressiva ao longo da semana.

Além dos números do USDA, os agentes acompanharam o agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia na região do Mar Negro.

A possibilidade de impactos sobre a logística e o escoamento de grãos dos dois países adiciona um componente de risco ao mercado internacional e pode favorecer os preços dos cereais.

Para o Brasil, eventuais dificuldades logísticas na região do Mar Negro podem aumentar a competitividade do milho nacional em determinados destinos, especialmente caso compradores internacionais busquem alternativas de fornecimento.

Exportações brasileiras de milho ganham ritmo em agosto

As exportações brasileiras de milho também passaram a apresentar um desempenho mais firme.

A expectativa da Safras & Mercado é de que o Brasil possa embarcar pelo menos 5,2 milhões de toneladas de milho em agosto.

Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Paulo Molinari, os embarques brasileiros podem avançar ainda mais nos próximos meses, dependendo principalmente da evolução do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Um ritmo mais forte das exportações tende a reduzir a disponibilidade interna do cereal e pode contribuir para dar sustentação às cotações no mercado brasileiro.

Preço médio do milho chega a R$ 63,09

O preço médio da saca de milho no Brasil alcançou R$ 63,09 em 13 de agosto, alta de 1,46% em relação aos R$ 62,19 registrados no encerramento da semana anterior.

Entre as principais praças acompanhadas, os movimentos foram distintos:

  • Cascavel (PR): R$ 61,00 por saca, estável na comparação semanal;
  • Campinas/CIF (SP): R$ 68,50, alta de 1,48%;
  • Mogiana (SP): R$ 63,00, avanço de 1,61%;
  • Rondonópolis (MT): R$ 60,00, alta expressiva de 7,14%;
  • Erechim (RS): R$ 70,00, sem alteração;
  • Uberlândia (MG): R$ 61,00, alta de 1,67%;
  • Rio Verde (GO): R$ 58,00, estável.

A diferença entre as praças demonstra que o comportamento regional do mercado continua sendo influenciado pela disponibilidade de milho, demanda local, logística e alternativas de comercialização.

Exportações de milho movimentam US$ 286,6 milhões em agosto

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 1,183 milhão de toneladas de milho nos primeiros cinco dias úteis de agosto.

O volume gerou receita de US$ 286,594 milhões, com média diária de US$ 57,318 milhões.

O preço médio de exportação ficou em US$ 242,10 por tonelada.

Na comparação com agosto de 2025, considerando a média diária, o desempenho apresenta queda de 11,2% na receita e recuo de 27,4% no volume exportado. Em contrapartida, o preço médio da tonelada avançou 22,3%.

Os números mostram um cenário em que o Brasil está exportando menos milho em ritmo diário, mas obtendo valores médios maiores por tonelada.

Oferta interna e exportações serão determinantes para o milho

O mercado brasileiro de milho entra nas próximas semanas sob influência de dois movimentos principais: a disponibilidade interna elevada e a maior competitividade do cereal brasileiro no mercado externo.

De um lado, consumidores continuam cautelosos e evitam acelerar as compras diante da possibilidade de novas quedas nos preços. De outro, produtores encontram melhores condições de exportação e, por isso, demonstram menor disposição para reduzir os preços.

Esse equilíbrio entre oferta, demanda doméstica e exportações deve continuar determinando o comportamento das cotações.

Mercado de milho acompanha próximos passos do USDA e de Chicago

A valorização observada nesta semana reforça a importância do cenário internacional para a formação dos preços do milho no Brasil.

O relatório do USDA, o desempenho dos contratos em Chicago, o ritmo das exportações brasileiras e os riscos logísticos associados ao conflito entre Rússia e Ucrânia estarão entre os principais fatores de atenção para produtores, compradores e tradings.

No curto prazo, a cautela dos produtores em vender, a melhora da paridade de exportação e a valorização internacional do milho dão sustentação às cotações brasileiras, enquanto a demanda doméstica mais lenta limita um avanço ainda maior dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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