Soja fecha semana com USDA e Conab sem grandes surpresas, enquanto China e clima dos EUA seguem no radar
Relatórios mantiveram produção brasileira acima de 180 milhões de toneladas e elevaram a estimativa dos EUA, enquanto demanda chinesa e condições climáticas norte-americanas devem continuar influenciando o mercado
Publicado em: 14/08/2026 às 18:40hs
O mercado da soja encerrou a semana com poucas mudanças estruturais nas projeções de oferta, após a divulgação dos novos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da atualização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira.
No Brasil, a combinação de prêmios firmes, valorização do dólar e repiques das cotações em Chicago favoreceu a recuperação dos preços e estimulou alguns negócios. No exterior, entretanto, os agentes continuam atentos à demanda da China pela soja norte-americana e à evolução do clima nas lavouras dos Estados Unidos.
Para a próxima semana, o destaque fica por conta do Crop Tour da Pro Farmer, tradicional levantamento de campo que percorre importantes estados produtores norte-americanos para avaliar o potencial produtivo da safra 2026/27.
USDA eleva projeção para safra de soja dos EUA
O relatório de agosto do USDA projetou a produção de soja dos Estados Unidos em 4,519 bilhões de bushels na safra 2026/27, equivalente a aproximadamente 123 milhões de toneladas.
Apesar do aumento da produção estimada, o órgão reduziu a produtividade projetada de 53 para 52,7 bushels por acre.
Em julho, a previsão de produção era de 4,475 bilhões de bushels, ou 121,8 milhões de toneladas. O mercado esperava uma estimativa menor, de aproximadamente 4,469 bilhões de bushels, equivalentes a 121,6 milhões de toneladas.
A nova projeção, portanto, veio acima das expectativas dos participantes do mercado.
Estoques norte-americanos também aumentam
O USDA estimou os estoques finais de soja dos Estados Unidos em 320 milhões de bushels, equivalentes a cerca de 8,71 milhões de toneladas.
No relatório anterior, a expectativa era de 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. O mercado projetava estoques finais de aproximadamente 302 milhões de bushels, equivalentes a 8,22 milhões de toneladas.
O aumento dos estoques sinaliza uma oferta norte-americana um pouco mais confortável, embora o comportamento da demanda externa possa alterar essa equação ao longo da temporada.
Para o esmagamento, o USDA elevou a estimativa para 2,78 bilhões de bushels, ante 2,75 bilhões no relatório de julho.
As exportações foram mantidas em 1,66 bilhão de bushels.
Para a temporada 2025/26, os estoques de passagem foram estimados em 325 milhões de bushels, praticamente em linha com a expectativa de 324 milhões de bushels do mercado.
Produção mundial de soja sobe levemente
No cenário global, o USDA projetou a produção mundial de soja em 442,25 milhões de toneladas para 2026/27, acima dos 441,7 milhões estimados em julho.
Os estoques finais globais foram estimados em 124,21 milhões de toneladas, abaixo da expectativa de mercado, que apontava para 124,4 milhões de toneladas.
Para 2025/26, os estoques finais mundiais foram estimados em 125,12 milhões de toneladas, também abaixo dos 125,6 milhões projetados pelo mercado.
Os números mostram um balanço global ainda confortável em termos de oferta, mas com diferenças importantes entre regiões produtoras e consumidoras.
Brasil segue com produção recorde no radar
Para o Brasil, o USDA manteve a perspectiva de uma safra robusta.
A produção brasileira de soja em 2025/26 foi estimada em 180,5 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 180 milhões projetados no relatório anterior.
Para 2026/27, o USDA trabalha com uma produção de 186 milhões de toneladas, mantendo o Brasil como um dos principais vetores de expansão da oferta mundial.
A Argentina, por sua vez, teve a estimativa para 2025/26 reduzida de 50 milhões para 49,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a projeção está em 50 milhões de toneladas.
Conab confirma produção brasileira acima de 180 milhões de toneladas
No mercado doméstico, a Conab também manteve a produção brasileira em patamar elevado.
De acordo com o 11º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, a produção de soja na temporada 2025/26 deverá alcançar 180,464 milhões de toneladas.
O volume representa crescimento de 5,2% em relação às 171,48 milhões de toneladas colhidas em 2024/25.
Na estimativa anterior da Conab, a produção estava projetada em 180,57 milhões de toneladas. A pequena revisão confirma, portanto, um cenário de produção acima da marca de 180 milhões de toneladas.
Área plantada e produtividade aumentam
A Conab estima uma área cultivada com soja de 48,61 milhões de hectares na temporada 2025/26.
O número representa crescimento de 2,7% em relação aos 47,35 milhões de hectares registrados na safra anterior.
A produtividade média está projetada em 3.712 quilos por hectare, contra 3.622 quilos por hectare em 2024/25.
O rendimento apresenta, assim, avanço de aproximadamente 2,5%, contribuindo para o aumento da produção brasileira.
O crescimento simultâneo da área e da produtividade explica a expansão significativa da oferta nacional nesta temporada.
China continua como principal fator de demanda
Apesar da oferta global elevada, o comportamento da China continua sendo decisivo para a formação dos preços internacionais da soja.
O USDA manteve a projeção de importações chinesas em 115 milhões de toneladas para 2026/27.
Para 2025/26, a estimativa também permaneceu em 113 milhões de toneladas.
A atenção do mercado está concentrada principalmente no ritmo de compras chinesas da soja dos Estados Unidos. Uma aceleração das aquisições pode oferecer sustentação às cotações em Chicago, enquanto uma demanda mais contida tende a limitar o potencial de alta.
Clima nos Estados Unidos permanece no radar
O clima também continuará entre os principais direcionadores do mercado.
Mesmo com a produção norte-americana projetada em nível superior ao esperado anteriormente, a redução da produtividade estimada demonstra que as condições das lavouras continuam sendo monitoradas pelos participantes.
A próxima semana terá um importante indicador de campo: o Crop Tour da Pro Farmer, que percorre as principais regiões produtoras dos Estados Unidos para avaliar o potencial de produtividade da safra.
Os resultados do levantamento poderão influenciar as expectativas do mercado antes das próximas revisões oficiais de oferta e produtividade.
Dólar e prêmios sustentam preços no Brasil
No mercado brasileiro, o comportamento dos preços contou com suporte de três fatores principais: dólar mais valorizado, prêmios firmes nos portos e recuperação das cotações em Chicago.
Essa combinação melhorou as referências internas e abriu espaço para novos negócios durante a semana.
O desempenho do câmbio é especialmente importante para o produtor brasileiro, já que a soja é uma commodity negociada internacionalmente e os preços domésticos incorporam tanto a cotação em Chicago quanto os prêmios de exportação e a conversão cambial.
Petróleo e conflito no Mar Negro também entram no radar
Além da China e do clima norte-americano, o mercado acompanha o comportamento do petróleo, que influencia a formação de preços de commodities e a rentabilidade relacionada aos biocombustíveis.
Os desdobramentos do conflito no Mar Negro também permanecem relevantes. Alterações na oferta e no fluxo comercial de trigo e milho provenientes da região podem provocar efeitos indiretos sobre outras commodities agrícolas, incluindo a soja.
A movimentação dos mercados de grãos, energia e câmbio continuará sendo acompanhada pelos investidores e agentes da cadeia.
Perspectivas para a soja
O mercado entra na próxima semana sem uma mudança significativa no quadro de oferta, mas com vários fatores capazes de aumentar a volatilidade.
De um lado, Brasil e Estados Unidos apresentam perspectivas de grandes safras, mantendo a oferta mundial em níveis elevados. De outro, a demanda chinesa, o clima nos Estados Unidos, os prêmios de exportação, o dólar e o cenário geopolítico podem alterar rapidamente as referências de preços.
Para o produtor brasileiro, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas Chicago, mas também o câmbio e os prêmios nos portos antes de definir novas vendas.
A próxima rodada de informações de campo nos Estados Unidos, especialmente com o Crop Tour da Pro Farmer, poderá trazer novos elementos para a avaliação do potencial produtivo da safra norte-americana.
Por enquanto, o mercado trabalha com oferta abundante, demanda chinesa como principal variável e clima como fator de risco, enquanto os preços domésticos encontram sustentação na combinação entre câmbio e prêmios.
Fonte: Portal do Agronegócio
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