Exportações de café do Brasil crescem 9,9% em julho, impulsionadas pelo avanço do conilon
Embarques somaram 3,03 milhões de sacas no primeiro mês da safra 2026/27; conilon dispara 84,4%, enquanto atraso na colheita e gargalos logísticos limitam o desempenho
Publicado em: 14/08/2026 às 18:20hs
As exportações brasileiras de café começaram a temporada 2026/27 com crescimento no volume embarcado. Em julho, primeiro mês do novo ciclo comercial, o Brasil exportou 3,030 milhões de sacas de 60 quilos, considerando café verde e industrializado. O resultado representa alta de 9,9% em relação a julho de 2025, segundo dados do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apesar do avanço no volume, a receita cambial recuou. Os embarques renderam US$ 903,9 milhões, queda de 13,2% na comparação com os US$ 1,042 bilhão registrados em julho do ano passado.
O desempenho evidencia um mercado externo aquecido em volume, mas com menor faturamento no comparativo anual.
Exportações de café acumulam queda no ano
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 20,897 milhões de sacas de café, com receita de US$ 7,449 bilhões.
Na comparação com os primeiros sete meses de 2025, houve redução de 5,9% no volume embarcado e de 13,1% na receita cambial.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, avalia que o resultado de julho poderia ter sido ainda mais expressivo não fossem os efeitos do atraso na colheita e os problemas logísticos enfrentados nos principais corredores de exportação.
A combinação entre menor disponibilidade imediata de café e gargalos nos portos brasileiros e em seus acessos continua afetando o fluxo de embarques.
Conilon ganha espaço nas exportações brasileiras
O principal destaque das exportações em julho foi o café conilon, que apresentou forte expansão no mercado internacional.
Os embarques da variedade alcançaram 851.235 sacas de 60 quilos em julho, crescimento de 84,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras de conilon chegaram a 3,387 milhões de sacas, avanço de expressivos 73,5% sobre o mesmo período do ano passado.
O desempenho reforça o ganho de participação do conilon na pauta exportadora brasileira e ajuda a compensar parcialmente a retração observada nos embarques de café arábica.
Arábica ainda lidera as exportações de café
Mesmo diante da queda no volume, o café arábica permanece como o principal tipo exportado pelo Brasil.
Entre janeiro e julho, os embarques da variedade alcançaram 14,987 milhões de sacas, equivalentes a 71,7% de todo o café exportado pelo país no período.
O resultado, porém, representa uma queda de 16,6% em relação ao volume registrado nos primeiros sete meses de 2025.
A redução ocorre em um momento de transição entre safras e de avanço mais lento da colheita brasileira, fatores que influenciam diretamente a disponibilidade de café para exportação.
Colheita da safra 2026/27 chega a 90%
O ritmo da colheita também permanece no radar do mercado.
Levantamento da Safras & Mercado indica que 90% da safra brasileira de café 2026/27 havia sido colhida até 12 de agosto, avanço de seis pontos percentuais em apenas uma semana.
Apesar da evolução, o calendário segue atrasado em relação ao ano passado. No mesmo período de 2025, os trabalhos haviam alcançado 97% da produção, enquanto a média dos últimos cinco anos, entre 2021 e 2025, é de 94%.
A melhora das condições climáticas, com tempo mais seco, permitiu acelerar os trabalhos de campo nos últimos dias, principalmente nas áreas de café arábica.
Colheita do conilon está praticamente encerrada
No caso do café canéfora, que engloba conilon e robusta, a colheita brasileira chegou à fase final.
Restam apenas alguns repasses e a retirada dos últimos cafés das lavouras. Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, embora a produção tenha ficado abaixo da registrada no ano passado, a qualidade do café obtido nesta safra apresenta resultado positivo.
O encerramento da colheita do conilon ocorre justamente em um momento de forte crescimento das exportações da variedade, que registraram alta superior a 70% no acumulado do ano.
Colheita do arábica avança, mas segue atrasada
A colheita do café arábica apresentou evolução mais intensa na última semana.
Segundo a Safras & Mercado, os trabalhos avançaram 9 pontos percentuais, chegando a 86% da produção estimada até 12 de agosto.
Mesmo com a aceleração, o ritmo permanece inferior ao observado no ano passado e à média histórica recente.
Em igual período de 2025, a colheita do arábica estava em 95%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 90%.
A diferença de quatro pontos percentuais em relação à média e de nove pontos frente ao ano passado mostra que a reta final da colheita ainda exige atenção por parte dos produtores e do mercado.
Café brasileiro entra na reta final da safra com atenção às exportações
Os números de julho mostram um cenário de contrastes para o mercado de café brasileiro. As exportações cresceram em volume na abertura da safra 2026/27, mas a receita recuou na comparação anual.
Ao mesmo tempo, o conilon apresenta forte expansão nos embarques, enquanto o arábica registra retração.
Na produção, a colheita avança rapidamente com a melhora do clima, mas continua atrasada em relação aos padrões observados nos últimos anos.
Para o mercado, a evolução da colheita do arábica, a disponibilidade de café para exportação e a redução dos gargalos logísticos serão fatores importantes para determinar o ritmo dos embarques nos próximos meses.
Café brasileiro em números
- Exportações em julho: 3,030 milhões de sacas
- Alta anual: 9,9%
- Receita em julho: US$ 903,9 milhões
- Variação da receita: -13,2%
- Exportações de janeiro a julho: 20,897 milhões de sacas
- Receita acumulada: US$ 7,449 bilhões
- Conilon exportado em julho: 851.235 sacas
- Alta do conilon em julho: 84,4%
- Conilon exportado no ano: 3,387 milhões de sacas
- Alta do conilon no ano: 73,5%
- Arábica exportado no ano: 14,987 milhões de sacas
- Participação do arábica: 71,7%
- Colheita total da safra 2026/27: 90%
- Colheita do arábica: 86%
- Colheita do canéfora: praticamente encerrada
Fonte: Portal do Agronegócio
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