Boi gordo reage e contratos futuros chegam a R$ 385 por arroba, aponta Itaú BBA
Menor oferta de animais, queda dos abates e abertura de mercados sustentam perspectiva de valorização, apesar do recuo das exportações para a China
Publicado em: 16/09/2026 às 10:40hs
O mercado do boi gordo recuperou força em agosto e iniciou setembro com preços firmes, impulsionado pela redução da oferta de animais e pelo menor ritmo dos abates. Em São Paulo, a arroba alcançou média de R$ 345,90 em agosto, alta de 3,3% em relação a julho.
No mercado futuro, os contratos com vencimento entre novembro de 2026 e março de 2027 chegaram à faixa de R$ 384 a R$ 385 por arroba. Os dados fazem parte do Agro Mensal de setembro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
A recuperação ocorreu mesmo diante da forte queda das exportações para a China. Segundo a análise, a diversificação dos destinos da carne bovina brasileira, a perspectiva de retomada das vendas ao mercado chinês e a redução esperada da produção nacional sustentam um cenário mais favorável para os preços.
Menor oferta faz arroba do boi gordo subir em agosto
Depois da pressão registrada na primeira quinzena de julho, o mercado físico voltou a encontrar maior equilíbrio em agosto. A menor disponibilidade de animais prontos para abate permitiu a recuperação das cotações.
O Itaú BBA estima que os abates sob inspeção federal tenham recuado cerca de 20% em relação a julho. Essa retração ajudou a compensar o enfraquecimento da demanda externa e a sustentar os preços pagos ao pecuarista.
Em 9 de setembro, a arroba do boi gordo era negociada próxima de R$ 350 no mercado físico. A firmeza também alcançou a carne bovina no atacado, reforçando a reação dos contratos futuros.
Exportações de carne bovina caem 27%
As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 196 mil toneladas em agosto, queda de 27% em relação ao mesmo mês de 2025.
O desempenho foi afetado principalmente pela redução das compras chinesas. Os embarques para a China somaram apenas 16 mil toneladas, volume 90% inferior ao registrado em agosto do ano anterior.
O preço médio da carne exportada também recuou 2,9% na comparação com julho, acumulando a segunda queda mensal consecutiva. Apesar da redução, o valor permaneceu 10% acima do observado um ano antes.
Outros mercados reduzem impacto da China
A diversificação dos compradores ajudou a limitar os efeitos da retração chinesa sobre a cadeia pecuária. Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Arábia Saudita ganharam importância entre os destinos da carne brasileira.
Nos oito primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 241 mil toneladas para os Estados Unidos, aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025.
Para a Indonésia, os embarques alcançaram 23 mil toneladas, avanço de 51% na comparação anual. O país também ampliou de 52 para 73 o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar.
Embora os volumes destinados à Indonésia permaneçam inferiores aos enviados ao mercado norte-americano, a abertura de novas plantas amplia as possibilidades de comercialização da carne bovina brasileira.
Tarifa suspensa nos EUA melhora perspectiva para exportações
O Itaú BBA também avalia que a suspensão, por 90 dias, da tarifa extracota de 26,4% aplicada pelos Estados Unidos às importações originadas de países sem acordo comercial poderá favorecer os embarques brasileiros a partir de setembro.
A medida tende a ampliar a competitividade da carne nacional e pode ajudar a compensar parte da queda nas compras chinesas.
A evolução das vendas aos Estados Unidos será um dos fatores de atenção para os frigoríficos nos próximos meses, principalmente diante da necessidade de redirecionar volumes anteriormente destinados à China.
Mercado espera retomada das compras chinesas
A expectativa de retomada das negociações com a China entre outubro e novembro também contribuiu para a valorização dos contratos futuros do boi gordo.
Segundo o relatório, as operações deverão buscar o preenchimento da cota de 2026. A possibilidade de retorno do principal comprador da carne bovina brasileira ganhou peso em um cenário de oferta doméstica mais restrita.
Os contratos para novembro e dezembro atingiram aproximadamente R$ 385 por arroba em 9 de setembro, maior patamar do ano. O valor ficou quase R$ 30 acima das referências registradas um mês antes.
Para outubro, a cotação futura estava próxima de R$ 380 por arroba. Os vencimentos de janeiro e março de 2027 também alcançaram R$ 385, enquanto fevereiro ficou em torno de R$ 384.
Alta da arroba reduz margem dos frigoríficos
No mercado interno, o preço da carcaça casada subiu 1,7% em agosto. O avanço foi inferior à valorização de 3,3% do boi gordo, pressionando a margem das indústrias frigoríficas.
O spread da indústria no mercado interno recuou de 7,1% em julho para 5,5% em agosto, retornando a níveis próximos dos observados nos últimos dois anos.
Esse movimento mostra que a alta da matéria-prima não foi totalmente repassada ao preço da carne, reduzindo a diferença entre o valor obtido com a comercialização e o custo de aquisição do animal.
Bezerro custa R$ 3.380 por cabeça em Mato Grosso do Sul
O mercado de reposição apresentou estabilidade mensal. Em Mato Grosso do Sul, o bezerro foi negociado, em média, a R$ 3.380 por cabeça em agosto.
Na comparação com agosto de 2025, entretanto, a valorização chegou a 18,5%. No mesmo intervalo, a arroba do boi gordo em São Paulo acumulou alta de 12,7%.
A valorização mais intensa do bezerro aumenta o custo de reposição e exige atenção do pecuarista ao planejar novos ciclos de recria e engorda. A relação de troca entre animal de reposição e boi terminado será determinante para as margens futuras.
Produção brasileira de carne bovina pode cair em 2026 e 2027
O escritório do USDA no Brasil projeta redução da oferta nacional de carne bovina nos próximos dois anos.
Para 2026, a estimativa aponta queda de 3,2% na produção, para 12,2 milhões de toneladas. As exportações devem recuar 5,3%, totalizando 4,15 milhões de toneladas.
Em 2027, a produção poderá diminuir mais 1,6%, enquanto os embarques devem apresentar retração de 1,2%.
A perspectiva de menor oferta reflete uma mudança no ciclo pecuário e tende a contribuir para a sustentação dos preços, desde que a demanda doméstica e internacional permaneça firme.
Oferta restrita mantém cenário positivo para o boi gordo
A análise do Itaú BBA indica um ambiente mais construtivo para o boi gordo no encerramento de 2026 e no início de 2027.
A redução dos abates, os preços firmes no mercado físico e a perspectiva de menor produção favorecem a valorização. No comércio exterior, o desempenho dependerá da retomada das compras chinesas e do avanço das vendas para Estados Unidos, Indonésia e outros destinos.
Para o pecuarista, o cenário amplia as oportunidades de comercialização, mas exige atenção ao custo da reposição e à proteção do preço de venda. Para os frigoríficos, o desafio será administrar a elevação do custo do gado em um ambiente de margens internas mais estreitas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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