Açúcar cai 1,2% em Nova York com dólar forte e liquidação de posições por fundos
Cotações também recuaram em Londres e no mercado brasileiro, mas o açúcar cristal ainda acumula alta de 3,87% em setembro; déficit global e clima seguem no radar
Publicado em: 16/09/2026 às 11:13hs
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (15) em queda nas bolsas internacionais, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos últimos pregões. O movimento foi influenciado pelo fortalecimento do dólar e pela liquidação de posições compradas mantidas por fundos de investimento.
A correção também alcançou o mercado brasileiro. O açúcar cristal branco recuou 1,06% em São Paulo, enquanto o etanol hidratado apresentou leve baixa em Paulínia. Apesar das perdas diárias, os dois produtos ainda registram valorização expressiva em setembro.
Açúcar bruto recua 1,2% na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures US, o contrato do açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 encerrou o pregão cotado a 17,94 centavos de dólar por libra-peso. A queda foi de 0,22 centavo, equivalente a 1,2% na comparação com o fechamento anterior.
O vencimento março de 2027 perdeu 0,19 centavo, ou 0,99%, para 18,87 centavos de dólar por libra-peso. Maio de 2027 caiu 0,18 centavo, a 18,27 centavos, enquanto julho de 2027 recuou 0,15 centavo, para 17,98 centavos por libra-peso.
A valorização da moeda norte-americana diante de outras divisas reduziu a atratividade das commodities negociadas em dólar e estimulou a realização de lucros após a sequência recente de altas.
Fundos ampliam posições compradas e elevam risco de correções
O elevado volume de posições compradas por fundos de commodities aumentou a vulnerabilidade do mercado a movimentos de liquidação.
O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos elevaram em 28.055 contratos sua posição líquida comprada em açúcar na semana encerrada em 8 de setembro. Com isso, o saldo alcançou 160.551 contratos, o maior patamar em quase três anos.
Esse posicionamento pode ampliar a volatilidade. Quando os preços perdem força, a saída simultânea de investidores tende a intensificar as quedas nos contratos futuros.
A correção ocorreu após o açúcar negociado em Nova York atingir, na última quinta-feira, o maior nível em 17 meses, impulsionado pelas expectativas de aperto na oferta mundial.
Açúcar branco também fecha em baixa em Londres
Na ICE Futures Europe, todos os contratos apresentados terminaram a sessão no campo negativo.
O açúcar branco com vencimento em outubro de 2026 caiu US$ 2,50, para US$ 522,30 por tonelada. Dezembro de 2026 recuou US$ 3,20, encerrando a US$ 526,30, enquanto março de 2027 perdeu US$ 2,60, cotado a US$ 531,10 por tonelada.
Açúcar cristal cai no Brasil, mas mantém alta no mês
No mercado físico brasileiro, o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, acompanhou a correção internacional.
A saca de 50 quilos fechou a terça-feira cotada a R$ 118,15, com desvalorização diária de 1,06%. Em moeda norte-americana, o produto foi negociado pelo equivalente a US$ 22,92 por saca.
Mesmo com a queda, o indicador acumula valorização de 3,87% em setembro, sinalizando que o recuo diário ainda não anulou a recuperação observada nas primeiras semanas do mês.
Etanol hidratado recua em Paulínia
O etanol hidratado também apresentou ajuste negativo no mercado paulista. O Indicador Diário de Paulínia encerrou a sessão a R$ 2.733,50 por metro cúbico, baixa de 0,15%.
No acumulado de setembro, entretanto, o biocombustível registra avanço de 10,65%. A forte valorização mantém a relação entre açúcar e etanol no centro das decisões das usinas sobre a destinação da cana-de-açúcar.
Déficit global sustenta atenção sobre a oferta
Apesar da realização de lucros, as perspectivas para o balanço mundial continuam oferecendo suporte ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas no ciclo 2025/26.
Os agentes também monitoram a oferta brasileira, as estimativas divergentes para a produção da safra 2026/27 e os possíveis efeitos do El Niño sobre as lavouras.
Nesse cenário, a combinação entre disponibilidade global, clima, câmbio e competitividade do etanol deverá continuar orientando os preços do açúcar nas bolsas internacionais e no mercado físico brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias