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Bovinos de Corte

Arroba do boi sobe em julho com oferta restrita e frigoríficos enfrentando dificuldade para formar escalas

Mercado do boi gordo registra valorização no Brasil durante julho, impulsionado pela menor disponibilidade de animais terminados, enquanto exportações seguem em ritmo mais lento após redução dos embarques para a China.


Publicado em: 31/07/2026 às 14:30hs

Arroba do boi sobe em julho com oferta restrita e frigoríficos enfrentando dificuldade para formar escalas

O mercado brasileiro do boi gordo encerrou julho com preços mais firmes, sustentados principalmente pela oferta mais restrita de animais prontos para abate. A menor disponibilidade dificultou a formação das escalas pelos frigoríficos e pressionou positivamente as cotações da arroba em importantes regiões produtoras.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário de julho foi marcado por uma menor capacidade da indústria frigorífica em alongar as programações de abate, fator que contribuiu para a valorização do boi gordo no mercado físico.

Apesar do avanço dos preços internos, o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina apresentou desaceleração ao longo do mês. O movimento já era esperado pelo mercado e está relacionado ao esgotamento antecipado da cota brasileira destinada à China, principal comprador internacional da proteína bovina nacional.

Arroba do boi gordo registra alta nas principais praças pecuárias

No fechamento de julho, o boi gordo a prazo apresentou valorização em diversas regiões produtoras brasileiras.

Confira os preços registrados em 30 de julho:

  • São Paulo (Capital): R$ 350,00 por arroba, alta de 4,48% frente aos R$ 335,00 registrados no fim de junho;
  • Goiânia (GO): R$ 325,00 por arroba, avanço de 1,56% ante os R$ 320,00 do encerramento do mês anterior;
  • Uberaba (MG): R$ 325,00 por arroba, valorização de 3,17% em relação aos R$ 315,00 de junho;
  • Dourados (MS): R$ 335,00 por arroba, aumento de 4,69% frente aos R$ 320,00 praticados no fim do mês passado;
  • Cuiabá (MT): R$ 325,00 por arroba, queda de 1,52% diante dos R$ 330,00 registrados no final de junho;
  • Vilhena (RO): R$ 325,00 por arroba, alta de 1,56% sobre os R$ 320,00 anteriores.

O avanço mais expressivo ocorreu em São Paulo e Mato Grosso do Sul, mercados que apresentaram maior disputa por animais terminados entre os frigoríficos.

Oferta menor sustenta preços, mas confinamento pode trazer equilíbrio em agosto

Para agosto, a expectativa é de um mercado mais equilibrado, segundo a análise da Safras & Mercado.

A tendência é de aumento gradual da oferta de animais provenientes dos sistemas de confinamento, movimento que pode reduzir a pressão compradora das indústrias e limitar novas altas da arroba.

Mesmo assim, o comportamento do mercado seguirá condicionado ao ritmo dos abates, ao volume de animais disponíveis e ao desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

Mercado atacadista apresenta comportamento misto em julho

No atacado de carne bovina, os preços tiveram movimentos diferentes entre os principais cortes.

O quarto dianteiro do boi foi negociado a R$ 20,00 por quilo, retração de 4,76% em comparação ao final de junho.

Já o quarto traseiro apresentou valorização, chegando a R$ 26,50 por quilo, alta de 3,92% frente aos R$ 25,50 registrados no encerramento do mês anterior.

O comportamento desigual indica uma demanda mais seletiva no mercado interno, com maior sustentação para cortes de maior valor agregado.

Exportações de carne bovina mantêm faturamento elevado

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada seguem registrando desempenho positivo em receita, apesar da desaceleração no volume embarcado.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em julho, considerando 18 dias úteis, os embarques somaram:

  • US$ 1,243 bilhão em faturamento;
  • US$ 69,072 milhões de média diária;
  • 195,214 mil toneladas exportadas;
  • 10,845 mil toneladas de média diária;
  • US$ 6.368,90 de preço médio por tonelada.

Na comparação com julho de 2025, houve aumento de 3,4% no valor médio diário exportado, redução de 9,9% no volume médio diário embarcado e crescimento de 14,8% no preço médio da tonelada.

O resultado mostra que, mesmo com menor ritmo de embarques, a valorização internacional da carne bovina brasileira contribuiu para preservar a receita do setor.

Perspectivas para o mercado do boi gordo

O mercado pecuário brasileiro entra em agosto com atenção voltada para três fatores principais: a evolução da oferta de animais confinados, o comportamento da demanda doméstica e o ritmo das exportações.

Com a oferta ainda ajustada e frigoríficos buscando recompor escalas, a arroba do boi gordo permanece em patamar elevado. No entanto, a entrada gradual de animais confinados pode trazer maior equilíbrio às negociações ao longo das próximas semanas.

A combinação entre oferta interna, demanda internacional e cenário cambial continuará sendo determinante para definir os próximos movimentos dos preços da pecuária brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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