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Milho e Sorgo

Milho sobe 12% em Mato Grosso e estoques globais menores sustentam mercado

Relatório do Itaú BBA aponta valorização no Brasil e em Chicago, queda das exportações nacionais e atenção crescente ao clima na safra 2026/27


Publicado em: 15/09/2026 às 19:20hs

Milho sobe 12% em Mato Grosso e estoques globais menores sustentam mercado
Foto: Goranh

O mercado do milho ganhou sustentação em agosto diante da redução projetada dos estoques globais, da piora das lavouras nos Estados Unidos e da oferta mais restrita no Brasil. A análise consta no Agro Mensal de setembro, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Em Sorriso (MT), a cotação média do cereal atingiu R$ 47 por saca, alta de 12% em relação a julho. Na Bolsa de Chicago, a média do primeiro vencimento ficou em US$ 4,68 por bushel, avanço mensal de 5,7%.

O cenário combina menor disponibilidade norte-americana, demanda mundial resiliente e expectativa de expansão da área cultivada na América do Sul. Apesar do potencial de aumento da oferta brasileira e argentina, o desempenho da safra 2026/27 dependerá das condições climáticas.

Menor oferta nos Estados Unidos impulsiona preços do milho

A valorização do milho em Chicago ganhou força depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas estimativas para a produção e os estoques norte-americanos.

Mesmo com a previsão de uma colheita volumosa, o aumento das exportações e o crescimento da demanda devem absorver uma parcela relevante da produção. Esse quadro reduziu a pressão de baixa que predominava sobre as cotações.

As condições das lavouras também aumentaram a preocupação dos agentes. No final de agosto, 57% do milho dos Estados Unidos estava classificado como bom ou excelente, diante de 69% no mesmo período de 2025.

A deterioração refletiu os efeitos do calor e da baixa umidade em áreas das Planícies e do oeste do cinturão agrícola norte-americano.

Riscos no Mar Negro adicionam prêmio às cotações

Além das condições produtivas nos Estados Unidos, os ataques à infraestrutura portuária russa elevaram os riscos logísticos no Mar Negro.

A região ocupa uma posição estratégica no comércio mundial de cereais. Por isso, possíveis dificuldades de transporte ou restrições aos embarques tendem a ampliar a volatilidade e acrescentar prêmio de risco aos preços internacionais.

A combinação entre estoques mais ajustados, clima adverso e tensões logísticas ajudou o milho a encerrar agosto com valorização de 5,7% na Bolsa de Chicago.

Retenção dos produtores eleva preço do milho no Brasil

No mercado brasileiro, a alta foi mais intensa, apesar do avanço da colheita da segunda safra e da confirmação de uma produção elevada.

Parte dos produtores reduziu a oferta no mercado spot diante da expectativa de novas valorizações. Ao mesmo tempo, consumidores domésticos realizaram compras pontuais para recompor estoques.

O câmbio e a recuperação das cotações internacionais também favoreceram os preços internos. Em Sorriso, a média mensal chegou a R$ 47 por saca, aumento de 12% sobre julho.

A demanda industrial aparece como outro fator de sustentação. O USDA elevou a projeção de consumo de milho no Brasil, especialmente diante do avanço do processamento doméstico.

Exportações brasileiras de milho caem 32% em agosto

Embora os preços tenham subido, a menor competitividade do milho brasileiro limitou os embarques. O País exportou 4,7 milhões de toneladas em agosto, volume 32% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

A retração está relacionada principalmente à concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no mercado internacional.

Entre fevereiro e agosto de 2026, os embarques brasileiros somaram 10,3 milhões de toneladas. O volume ficou 15,5% abaixo das 12,2 milhões de toneladas exportadas no mesmo intervalo de 2025.

Para o ano, o relatório apresenta uma projeção de 40 milhões de toneladas, diante de 41,6 milhões de toneladas em 2025 e 38,5 milhões em 2024.

Estoques mundiais de milho podem cair 10%

O balanço global do USDA aponta produção de 1,291 bilhão de toneladas de milho na safra 2026/27, recuo de 3% diante dos 1,331 bilhão de toneladas estimados para 2025/26.

O consumo mundial, por outro lado, deve crescer 1%, passando de 1,303 bilhão para 1,313 bilhão de toneladas. Com a demanda acima da produção, os estoques finais podem cair de 301 milhões para 272 milhões de toneladas, retração de 10%.

A relação entre estoques e consumo deverá recuar de 23% para 21%, indicando um balanço mais apertado para o cereal.

Nos Estados Unidos, a produção foi projetada em 401 milhões de toneladas, 7% abaixo do ciclo anterior. A menor disponibilidade norte-americana amplia a importância da safra sul-americana para o equilíbrio do mercado mundial.

Área de milho deve crescer no Brasil em 2026/27

As primeiras projeções indicam que a área brasileira destinada ao milho poderá alcançar 23,3 milhões de hectares na safra 2026/27, acima dos 22,7 milhões estimados para a temporada anterior.

A segunda safra deverá responder por 18,8 milhões de hectares, enquanto o milho verão poderá ocupar aproximadamente 4,4 milhões de hectares.

No Rio Grande do Sul, a Emater projeta crescimento de 7,4% na área da primeira safra, passando de 834 mil para 896 mil hectares. O avanço está associado às perspectivas climáticas mais favoráveis e à busca por diversificação depois de temporadas afetadas pela estiagem.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) estima expansão de 2%, de 365,7 mil para 373 mil hectares. A demanda da cadeia de proteínas animais aparece como um dos principais estímulos ao plantio.

Argentina pode colher até 70,5 milhões de toneladas

A Bolsa de Comércio de Rosário elevou de 10,4 milhões para 10,6 milhões de hectares a estimativa de área de milho na Argentina.

A revisão indica uma redução menor do que a inicialmente esperada em relação à safra anterior. Entre os fatores que melhoraram as perspectivas estão a menor preocupação com a cigarrinha-do-milho e os incentivos comerciais oferecidos pelas empresas de sementes.

A produção argentina poderá alcançar 67,5 milhões de toneladas. Caso as condições climáticas associadas ao El Niño sejam favoráveis, o potencial sobe para aproximadamente 70,5 milhões de toneladas.

Clima na América do Sul será decisivo para o milho

O cenário traçado pelo Itaú BBA indica que a safra sul-americana será determinante para a evolução dos preços do milho nos próximos meses.

A redução da oferta e dos estoques dos Estados Unidos aumenta a dependência do mercado em relação ao desempenho das lavouras brasileiras e argentinas. Embora a expansão de área possa elevar a disponibilidade do cereal, esse potencial somente será confirmado com condições adequadas de chuva e temperatura.

No Brasil, a demanda doméstica, a postura dos vendedores e o câmbio continuarão influenciando as cotações. No mercado externo, o ritmo das exportações norte-americanas, os riscos no Mar Negro e a evolução climática na América do Sul permanecem entre os principais fatores de atenção para a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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