Soja sobe no Brasil e estoques globais menores mantêm mercado atento à safra 2026/27
Preço médio avançou 7,9% em Sorriso durante agosto, enquanto demanda firme, estoques ajustados e irregularidade das chuvas ampliam a atenção sobre o plantio brasileiro
Publicado em: 15/09/2026 às 18:40hs
O mercado da soja entrou na safra 2026/27 com uma combinação de demanda internacional firme, estoques globais mais apertados e incertezas climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil. A avaliação consta no Agro Mensal de setembro, relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Em agosto, a oleaginosa registrou valorização moderada na Bolsa de Chicago, impulsionada pela retomada das compras chinesas e pela piora das condições das lavouras nos Estados Unidos. No mercado brasileiro, a alta foi mais intensa, apoiada pelo câmbio, pelos prêmios de exportação e pela menor disponibilidade de lotes no período de entressafra.
Em Sorriso (MT), uma das principais referências nacionais, a soja apresentou preço médio de R$ 129 por saca em agosto, avanço de 7,9% em relação a julho. Nos portos brasileiros, os valores FOB alcançaram os maiores níveis dos últimos três anos.
Soja em Chicago avança com demanda chinesa e clima nos EUA
A média do primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago ficou em US$ 11,99 por bushel em agosto, aumento de 0,4% na comparação mensal.
As cotações começaram o período pressionadas pela perspectiva de uma safra recorde nos Estados Unidos. Na segunda metade do mês, porém, a deterioração das condições das lavouras devolveu parte do prêmio climático ao mercado.
Segundo os dados apresentados no relatório, 58% das lavouras norte-americanas estavam classificadas como boas ou excelentes no fim de agosto, abaixo dos 65% registrados no mesmo período de 2025. A redução ocorreu quando a cultura avançava pelas etapas finais de formação das vagens e enchimento dos grãos.
Ao mesmo tempo, a China intensificou as aquisições de soja norte-americana da safra 2026/27. O movimento ajudou a recuperar as vendas antecipadas dos Estados Unidos, que haviam apresentado desempenho mais fraco no ciclo anterior.
Preço da soja sobe 7,9% em Mato Grosso
No Brasil, a valorização foi mais expressiva do que em Chicago. Além da influência do mercado externo, a alta refletiu o câmbio, os prêmios firmes de exportação e a demanda ativa tanto nos portos quanto no mercado doméstico.
A comercialização mais avançada da safra 2025/26 também reduziu a presença de vendedores no mercado spot. Com menor disponibilidade durante a entressafra, parte dos produtores passou a exigir preços mais elevados para negociar novos lotes.
Esse conjunto de fatores levou a soja FOB nos portos nacionais aos maiores patamares em três anos e sustentou o avanço de 7,9% na média mensal em Sorriso.
Produção mundial de soja deve alcançar 442 milhões de toneladas
O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações para o balanço mundial da soja em 2026/27.
A produção global foi estimada em 442 milhões de toneladas, crescimento de 3% frente aos 429 milhões de toneladas projetados para 2025/26. O consumo também deve atingir 442 milhões de toneladas, absorvendo o aumento da oferta.
Com isso, os estoques finais mundiais foram projetados em 124 milhões de toneladas, recuo de 1% na comparação com os 125 milhões de toneladas do ciclo anterior. A relação entre estoque e consumo deverá cair de 29% para 28%.
Para o Itaú BBA, os números mostram que a expansão da produção será amplamente consumida pela demanda, mantendo o balanço global relativamente apertado.
Brasil pode colher 186 milhões de toneladas de soja
A produção brasileira de soja foi mantida em 186 milhões de toneladas para 2026/27, volume 3% superior aos 181 milhões de toneladas estimados para a temporada anterior.
Os Estados Unidos devem produzir 123,4 milhões de toneladas, alta de 6,4% sobre as 116 milhões de toneladas de 2025/26. Na Argentina, a colheita foi projetada em 50 milhões de toneladas, enquanto a China deve produzir 21 milhões de toneladas.
Mesmo com a melhora da safra norte-americana, a ampliação das exportações reduziu a estimativa de estoques finais dos Estados Unidos. O volume foi revisado de 8,7 milhões para 8,4 milhões de toneladas entre os relatórios de agosto e setembro.
A relação estoque-consumo norte-americana foi estimada em 6,8%, reforçando a percepção de oferta ajustada diante da demanda internacional.
Exportações dos Estados Unidos reduzem estoques finais
A produção dos Estados Unidos foi elevada de 123 milhões para 123,4 milhões de toneladas no relatório de setembro. A revisão refletiu pequenos aumentos na área colhida e na produtividade.
A projeção de exportação também avançou, passando de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas. Com maior saída do grão, os estoques finais foram reduzidos em 3,2% na comparação com a estimativa de agosto.
Na China, maior importadora mundial de soja, as projeções de importação e esmagamento foram mantidas. Essa estabilidade reforça a expectativa de continuidade da demanda pelo grão ao longo da temporada.
Chuva define ritmo do plantio da soja no Brasil
No campo, o principal fator de atenção é a distribuição das chuvas. As previsões indicam condições diferentes entre as regiões produtoras brasileiras durante setembro.
O Paraná deverá receber precipitações mais volumosas e regulares, favorecendo a reposição da umidade do solo e o avanço da semeadura. A expectativa é de ritmo mais acelerado no Oeste do Estado, onde as condições devem ser mais favoráveis ao estabelecimento inicial das lavouras.
Em Mato Grosso e Rondônia, as chuvas ainda aparecem de maneira irregular e desigual. Nesse cenário, os produtores tendem a manter cautela e escalonar o plantio, reduzindo o risco de semear com pouca umidade e posteriormente precisar replantar.
No Matopiba, uma eventual demora na regularização das precipitações pode atrasar as primeiras áreas e elevar a exposição das lavouras a períodos secos e temperaturas altas durante o verão.
Mercado da soja terá clima e demanda no centro das decisões
A combinação entre consumo mundial elevado, redução dos estoques e forte presença chinesa mantém o mercado sensível a mudanças nas perspectivas de oferta.
Nos Estados Unidos, a evolução final da colheita e das exportações continuará influenciando Chicago. No Brasil, a distribuição das chuvas será decisiva para o ritmo do plantio e para o desenvolvimento inicial da safra 2026/27.
O cenário traçado pelo Itaú BBA indica que, mesmo com uma produção mundial maior, o crescimento da demanda limita a recuperação dos estoques. Esse equilíbrio apertado tende a ampliar a reação das cotações a eventuais problemas climáticos nas lavouras brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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