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Arroz

Preço do arroz Tipo 1 varia 143% na mesma gôndola e diferença chega a R$ 20

Pacotes de cinco quilos foram encontrados entre R$ 13,99 e R$ 33,99; seleção dos grãos, marca, embalagem, logística e estratégia do varejo ajudam a explicar a variação


Publicado em: 15/09/2026 às 18:20hs

Preço do arroz Tipo 1 varia 143% na mesma gôndola e diferença chega a R$ 20

O consumidor pode pagar até R$ 20 a mais pelo mesmo tipo comercial de arroz dentro de um único estabelecimento. Pacotes de cinco quilos classificados como arroz Tipo 1 foram encontrados por valores entre R$ 13,99 e R$ 33,99, diferença de aproximadamente 143%.

O levantamento foi apresentado por Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, e chama atenção para a formação dos preços entre a produção da matéria-prima, o beneficiamento industrial e a venda no varejo.

Embora todos os produtos sejam classificados como Tipo 1, essa denominação não significa que os pacotes tenham características idênticas. Qualidade dos grãos, rendimento no preparo, marca, embalagem, logística e posicionamento comercial estão entre os elementos que podem influenciar o valor final.

A amplitude dos preços, entretanto, reforça o debate sobre a distribuição de valor ao longo da cadeia e sobre quanto cada etapa representa no preço pago pelo consumidor.

Arroz mais caro custa R$ 20 a mais

O pacote mais barato foi encontrado por R$ 13,99, enquanto a opção de maior valor custava R$ 33,99. A diferença absoluta chegou a R$ 20 para a mesma quantidade de produto.

Em termos percentuais, o arroz mais caro estava aproximadamente 143% acima do mais barato.

A comparação mostra que a classificação comercial, isoladamente, não é suficiente para explicar o preço. Mesmo dentro da categoria Tipo 1, podem existir diferenças na seleção, na uniformidade e no percentual de grãos inteiros.

A qualidade de cocção, a apresentação da embalagem, o reconhecimento da marca e os serviços associados à distribuição também podem ser incorporados ao valor cobrado.

Classificação Tipo 1 não torna produtos idênticos

A denominação Tipo 1 está relacionada ao enquadramento comercial do arroz, mas permite que diferentes marcas adotem estratégias próprias de qualidade e posicionamento.

Alguns produtos podem passar por processos mais rigorosos de seleção, apresentar maior uniformidade visual ou utilizar embalagens com características específicas. Outros são comercializados com foco em preço e volume.

Essas diferenças ajudam a explicar parte da variação, mas não permitem determinar, sem uma análise detalhada dos custos, quanto dos R$ 20 está relacionado à qualidade, à indústria, à logística ou à margem do varejo.

Todos os produtos, contudo, têm como origem básica o arroz em casca produzido nas lavouras.

Arroz em casca estava cotado a R$ 79,78 por saca

Cardoso destaca que o Indicador do Arroz em Casca Cepea/Irga-RS apontava preço médio de R$ 79,78 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul.

O valor da matéria-prima não pode ser comparado diretamente com o preço do pacote porque o arroz passa por secagem, armazenamento, beneficiamento, seleção, embalagem, transporte e comercialização antes de chegar ao consumidor.

O processamento também envolve perdas e a separação de casca, farelo, grãos quebrados e outros componentes. Ainda assim, a comparação ajuda a mostrar como o preço se transforma ao longo da cadeia.

Entre o arroz em casca recebido pelo produtor e o produto embalado disponível na gôndola existem diferentes etapas de agregação de valor e custos operacionais.

Indústria e logística influenciam o preço final

O beneficiamento é uma das principais etapas na formação do preço do arroz. A indústria precisa receber, armazenar, secar, limpar, descascar, polir, selecionar e embalar o produto.

A eficiência industrial, o rendimento dos lotes, o custo da energia, a mão de obra e o padrão de qualidade definido por cada marca podem gerar diferenças entre os produtos.

Depois do processamento, entram na conta os custos de transporte, distribuição e armazenamento. A distância entre a indústria e o ponto de venda também pode afetar o preço.

Marcas com operações nacionais ou estruturas comerciais mais amplas podem incorporar despesas adicionais relacionadas à publicidade, distribuição e posicionamento no mercado.

Promoções podem ampliar diferença na mesma prateleira

As estratégias adotadas pelos supermercados representam outro componente relevante. Determinadas marcas podem ser vendidas com margens menores ou em promoção para atrair consumidores ao estabelecimento.

Nesse caso, o arroz funciona como produto de entrada, estimulando o cliente a realizar outras compras. A redução promocional pode ampliar temporariamente a distância em relação às marcas posicionadas em faixas superiores.

Também pode haver diferenças relacionadas aos contratos de fornecimento, ao volume adquirido pelo varejista e ao período em que os estoques foram comprados.

Por isso, valores encontrados na mesma gôndola nem sempre refletem apenas o custo atual da matéria-prima.

Variação expõe distribuição de valor na cadeia do arroz

A diferença de 143% coloca em evidência a forma como o valor é agregado e capturado entre produtores, indústrias, distribuidores e varejistas.

Para o consumidor, o cenário reforça a importância de comparar preços, características do produto e rendimento no preparo antes da compra.

Para a cadeia produtiva, a variação mostra que o comportamento do arroz na lavoura não explica sozinho os valores encontrados nos supermercados.

A matéria-prima é apenas um dos componentes do preço final. Beneficiamento, qualidade, logística, marca, margens comerciais e promoções ajudam a formar uma diferença que, no caso analisado, chegou a R$ 20 entre pacotes de cinco quilos classificados como arroz Tipo 1.

Fonte: Portal do Agronegócio

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