Projeto de R$ 22 bilhões prevê etanolduto de 2,1 mil quilômetros entre Mato Grosso e São Paulo
Estrutura planejada pela Inpasa ligará Sinop a Paulínia, poderá retirar 225 mil viagens de caminhão das rodovias por ano e acompanhará a expansão do etanol de milho no Centro-Oeste
Publicado em: 15/09/2026 às 17:30hs
Um projeto de infraestrutura estimado em R$ 22 bilhões pretende criar uma nova rota para o transporte de etanol entre o Centro-Oeste e o Sudeste. Denominado Projeto Pascal, o empreendimento prevê a construção de dois dutos paralelos, com aproximadamente 2,1 mil quilômetros de extensão, ligando Sinop, em Mato Grosso, a Paulínia, em São Paulo.
Estruturada pela Inpasa, a iniciativa busca atender ao crescimento da produção regional de biocombustíveis e reduzir a dependência do transporte rodoviário. As informações foram publicadas pelo Grupo Idea.
Um dos dutos terá capacidade para transportar até 13,3 milhões de metros cúbicos de etanol por ano do Centro-Oeste até Paulínia. A partir do município paulista, o combustível poderá seguir posteriormente em direção ao Porto de Santos.
A segunda estrutura será destinada ao fluxo contrário, com capacidade para levar 6,6 milhões de metros cúbicos de derivados de petróleo a Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Projeto acompanha expansão do etanol de milho
A proposta surge em um período de rápido crescimento do etanol de milho no Brasil. De acordo com os dados apresentados, 15 usinas foram construídas na região nos últimos cinco anos.
Nesse intervalo, a produção regional aumentou de 11,3 milhões para 16,2 milhões de metros cúbicos. O volume já corresponde a quase metade da produção nacional de etanol.
A expansão das usinas no Centro-Oeste elevou a necessidade de alternativas para escoar o biocombustível até os principais centros consumidores e estruturas de exportação. Atualmente, parcela significativa dessa movimentação depende de caminhões, aumentando a pressão sobre rodovias e custos logísticos.
A implantação de um sistema dutoviário poderá ampliar a capacidade de transporte e proporcionar maior previsibilidade ao escoamento. O projeto ainda precisa avançar pelas etapas de licenciamento antes do início das obras.
Etanolduto seguirá corredor da BR-163
O traçado planejado deverá acompanhar principalmente a BR-163 no trecho entre Sinop e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. De Campo Grande até Paulínia, a proposta prevê utilizar, em grande parte, a faixa de servidão do Gasoduto Bolívia-Brasil.
A estratégia busca aproveitar corredores de infraestrutura já existentes, mas o percurso envolve áreas que exigirão estudos específicos durante o licenciamento ambiental.
O Projeto Pascal foi apresentado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar o processo de licenciamento ambiental federal.
Na análise preliminar, o órgão identificou pontos de maior sensibilidade ambiental e social ao longo do traçado, incluindo áreas urbanizadas, zonas úmidas, cursos d’água e trechos com vegetação nativa.
Dutos podem substituir 225 mil viagens de caminhão por ano
Segundo as estimativas da Inpasa, a operação do sistema poderá retirar das rodovias aproximadamente 225 mil viagens de caminhão por ano.
Na capacidade nominal, o empreendimento também poderá evitar a emissão de cerca de 500 mil toneladas de carbono anualmente. A projeção está relacionada à substituição de parte do transporte rodoviário de combustíveis pela movimentação por dutos.
A redução do número de caminhões pode diminuir o consumo de diesel, aliviar o tráfego nas rotas utilizadas pelo agronegócio e reduzir riscos relacionados ao transporte de grandes volumes de combustíveis.
Construção pode gerar até oito mil empregos
O prazo estimado para a construção é de cinco anos. Durante esse período, a expectativa é gerar, em média, quatro mil empregos, com pico de até oito mil trabalhadores nas fases de maior mobilização.
O cronograma efetivo dependerá do andamento do licenciamento ambiental e das demais autorizações necessárias para a implantação.
Se aprovado e executado, o Projeto Pascal poderá transformar a logística de combustíveis entre o Centro-Oeste e o Sudeste, criando uma rota de grande capacidade para o etanol de milho e ampliando o abastecimento de derivados de petróleo no sentido contrário.
Fonte: Portal do Agronegócio
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