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Geadas colocam trigo do Rio Grande do Sul em alerta durante floração e enchimento dos grãos

Com 72% das lavouras em fases reprodutivas, técnicos avaliam possíveis danos provocados pelo frio; potencial produtivo da safra ainda é considerado satisfatório


Publicado em: 15/09/2026 às 19:40hs

Geadas colocam trigo do Rio Grande do Sul em alerta durante floração e enchimento dos grãos

As geadas registradas no Rio Grande do Sul aumentaram a preocupação com as lavouras de trigo que atravessam as fases de floração e enchimento dos grãos. Esses estágios concentram 72% da área cultivada no Estado e estão entre os mais sensíveis às baixas temperaturas.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (10), eventuais prejuízos provocados pelo frio ainda serão avaliados. Até o momento, o potencial produtivo da safra gaúcha permanece satisfatório.

O levantamento mostra que 39% das lavouras estão em floração e 33% em enchimento de grãos. Outros 26% dos cultivos permanecem em desenvolvimento vegetativo, enquanto apenas 2% alcançaram a maturação.

Geada pode afetar lavouras em fase reprodutiva

A maior preocupação está concentrada nas áreas em floração e formação dos grãos. A ocorrência de geadas durante essas etapas pode interferir no desenvolvimento das espigas e comprometer componentes da produtividade.

A dimensão dos possíveis danos dependerá da intensidade e da duração do frio, além do estágio de desenvolvimento e da localização de cada lavoura.

A Emater/RS-Ascar informou que as áreas atingidas precisarão ser acompanhadas nos próximos dias para verificar se houve alteração no potencial produtivo projetado para a temporada.

Nas lavouras que ainda estão em desenvolvimento vegetativo, não há perspectiva de prejuízos relacionados às geadas. Essa condição é observada, por exemplo, nos Campos de Cima da Serra, onde o trigo se encontra em fases menos avançadas.

Clima favorece adubação e tratamentos fitossanitários

Antes da queda mais acentuada das temperaturas, a combinação entre radiação solar e clima ameno favoreceu as atividades nas propriedades.

Os produtores avançaram na aplicação de adubação nitrogenada e na realização dos tratamentos fitossanitários. O manejo busca fornecer nutrientes durante as fases de maior demanda da cultura e preservar a sanidade das plantas.

O controle de doenças fúngicas permanece entre as principais prioridades. A atenção aumenta à medida que as lavouras avançam para a floração e o enchimento dos grãos, períodos decisivos para a formação da produtividade e da qualidade do trigo.

Sanidade das lavouras exige monitoramento

Mesmo com condições favoráveis para as aplicações, os triticultores precisam manter o acompanhamento das áreas. A presença de umidade e as variações de temperatura podem favorecer doenças capazes de reduzir a área foliar e prejudicar o desenvolvimento das espigas.

A eficiência dos tratamentos depende do monitoramento, da identificação correta dos sintomas e da realização das aplicações no momento indicado.

A manutenção das folhas sadias é especialmente importante durante o enchimento dos grãos, quando a planta direciona energia para completar a formação e o peso do produto.

Safra de trigo deve ocupar 814 mil hectares no Estado

Para a safra de 2026, a Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 814.220 hectares de trigo no Rio Grande do Sul.

A produtividade média está projetada em 2.701 quilos por hectare. A confirmação desse rendimento, contudo, dependerá do comportamento do clima até a conclusão do ciclo e dos impactos efetivos das geadas sobre as áreas mais adiantadas.

Com base na área e na produtividade estimadas, o potencial da produção gaúcha é de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de trigo.

Avaliação dos danos será decisiva para a safra

O predomínio das fases reprodutivas torna o momento determinante para o resultado da triticultura no Rio Grande do Sul.

Embora o frio tenha aumentado a apreensão, ainda não há confirmação de perdas generalizadas. A condição das lavouras continua satisfatória, segundo a assistência técnica estadual.

Nos próximos dias, produtores e técnicos deverão observar espigas, folhas e grãos em formação para identificar possíveis sintomas relacionados à geada.

A avaliação será fundamental para confirmar se o episódio de frio alterou as estimativas de produtividade ou se os efeitos ficaram restritos a áreas pontuais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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