Clima favorável e primeiras floradas elevam expectativa para safra de café 2027/28
RaboResearch aponta bom pegamento do conilon e condições positivas para o arábica, enquanto exportações brasileiras acumulam queda de 6,4% e preços futuros corrigem parte das altas
Publicado em: 15/09/2026 às 20:00hs
A aproximação do fim da colheita brasileira de café da safra 2026/27 abre espaço para as primeiras avaliações sobre o próximo ciclo. Com floradas já observadas em algumas regiões produtoras e condições climáticas favoráveis até o momento, as expectativas iniciais para a safra 2027/28 são positivas, segundo a atualização mensal de agosto do RaboResearch Food & Agribusiness.
Nas lavouras de café arábica, as primeiras floradas começaram a aparecer em determinadas localidades. Já no conilon, a floração avançou e apresentou pegamento considerado satisfatório em grande parte das áreas acompanhadas.
O cenário climático também contribuiu para a formação dos frutos e o desenvolvimento inicial da próxima produção. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, importantes regiões cafeeiras receberam volumes de chuva superiores aos registrados na temporada anterior.
Apesar das sinalizações favoráveis no campo, o mercado segue atento ao comportamento das exportações e à volatilidade das bolsas internacionais. Os preços do arábica e do robusta passaram por uma correção na reta final de agosto, após alcançarem máximas expressivas ao longo do mês.
Colheita do café entra na reta final no Brasil
A colheita da safra 2026/27 está próxima da conclusão na maior parte das regiões produtoras. Em áreas mais elevadas e montanhosas, no entanto, os trabalhos continuam.
As temperaturas mais baixas nessas localidades retardaram o amadurecimento dos frutos, prolongando a retirada do café das plantas. Os produtores também avançam no recolhimento dos grãos que caíram no solo, etapa conhecida como colheita de varrição.
Com o encerramento gradual dos trabalhos, as atenções passam a se concentrar nas floradas e no desenvolvimento inicial da safra 2027/28.
Segundo o RaboResearch, as condições observadas até agosto sustentam uma avaliação inicial positiva, com boa formação de frutos no conilon e primeiros sinais de floração no arábica. A evolução do clima nos próximos meses, entretanto, será determinante para confirmar esse potencial.
Chuvas favorecem lavouras de café e umidade do solo
As condições climáticas durante a safra 2026/27 foram amplamente favoráveis ao desenvolvimento das lavouras brasileiras. Na maior parte das regiões analisadas, o acumulado de chuva superou o registrado no ciclo anterior.
Em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, o volume de precipitações aumentou 39,6% em relação à temporada passada. Manhuaçu, nas Matas de Minas, apresentou crescimento de 24,4%.
Em Brejetuba, região produtora de arábica no Espírito Santo, o avanço foi de 23,2%. Já Linhares, importante polo de café conilon no norte capixaba, registrou alta de 19% no acumulado das chuvas.
Além da comparação anual, diversas localidades receberam precipitações superiores à média climática dos últimos 15 anos. Esse comportamento ajudou a recompor a umidade do solo, reduzir o estresse hídrico e sustentar o desenvolvimento vegetativo dos cafeeiros.
Algumas regiões registraram chuva abaixo da média
Embora o cenário predominante tenha sido favorável, o comportamento das precipitações não foi uniforme em todas as áreas produtoras.
Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, Franca, na Alta Mogiana paulista, e Alta Floresta D’Oeste, região produtora de conilon em Rondônia, registraram volumes inferiores à média histórica.
Essa diferença regional reforça a necessidade de acompanhar a distribuição das chuvas, e não apenas o volume acumulado. A regularidade das precipitações terá influência direta sobre a abertura e a fixação das floradas, o pegamento dos frutos e o desenvolvimento da safra 2027/28.
De forma geral, porém, o RaboResearch avalia que o clima contribuiu tanto para o potencial produtivo do ciclo atual quanto para a formação dos ramos que sustentarão a próxima colheita.
Exportações brasileiras de café crescem em julho
O Brasil exportou 3,03 milhões de sacas de café em julho de 2026. O volume ficou praticamente estável em relação a junho, mas superou em 10% o resultado registrado em julho de 2025.
Apesar do crescimento anual no mês, o desempenho acumulado ainda permanece abaixo do observado no ano passado. Entre janeiro e julho, os embarques brasileiros alcançaram 20,7 milhões de sacas, retração de 6,4% na comparação com igual período de 2025.
Parte dessa redução está relacionada à postura mais cautelosa dos cafeicultores. Diante do comportamento dos preços e da baixa liquidez no mercado físico, produtores mantiveram estoques retidos e limitaram a disponibilidade de café para negociação.
O ritmo das vendas nos próximos meses dependerá da relação entre as cotações internacionais, o câmbio e as necessidades financeiras dos produtores após a conclusão da colheita.
Café arábica recua 8,8% após atingir máxima mensal
Agosto foi marcado por correções nos mercados futuros de café. Em Nova York, o arábica chegou a ser negociado próximo de 342 centavos de dólar por libra-peso, mas perdeu força na parte final do mês.
O contrato encerrou agosto cotado a 311,50 centavos de dólar por libra-peso, recuo de aproximadamente 8,8% em relação à máxima mensal.
O movimento indicou realização de lucros por participantes do mercado e redução dos prêmios de risco associados à oferta. Mesmo após a correção, as cotações permaneceram em patamares historicamente elevados.
Robusta sofre correção de 9,1% em Londres
No mercado de robusta, a pressão baixista foi ainda mais intensa. Os contratos negociados em Londres recuaram de máximas próximas de US$ 3.884 para US$ 3.529 por tonelada no encerramento de agosto.
A diferença representa queda de aproximadamente 9,1% em relação ao maior valor registrado durante o mês.
A correção mais acentuada no robusta contribuiu para alterar a relação de preços entre os cafés negociados em Londres e Nova York. O mercado passou a reduzir parte dos prêmios de risco formados anteriormente pelas preocupações com a disponibilidade global do produto.
Safra 2027/28 dependerá da continuidade das chuvas
Os primeiros sinais do próximo ciclo são favoráveis, mas ainda não permitem uma definição sobre o tamanho da safra brasileira de café 2027/28.
O bom pegamento observado nas lavouras de conilon e o início das floradas do arábica indicam uma base promissora. Entretanto, a consolidação da produção dependerá da regularidade das chuvas, das temperaturas e das condições enfrentadas pelas plantas durante as etapas seguintes.
Para o mercado, a combinação entre clima, ritmo das exportações, retenção de estoques e comportamento dos contratos futuros continuará direcionando os preços do café no Brasil e no exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
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