Frango vivo sobe em várias regiões e carne mantém competitividade frente à bovina
Atacado paulista registra preços estáveis, enquanto pagamento de salários pode estimular o consumo; setor acompanha possíveis efeitos de Newcastle sobre as exportações
Publicado em: 06/11/2026 às 15:30hs
O preço do frango vivo avançou em praças do Sul e do Nordeste durante a semana, enquanto os cortes comercializados no atacado de São Paulo mantiveram as cotações. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a carne de frango continua competitiva em relação à bovina, condição que favorece sua presença no consumo das famílias.
A expectativa para o curto prazo é de melhora na demanda com a entrada dos salários na economia. Esse movimento pode estimular as compras no varejo e a reposição de estoques ao longo da cadeia.
No mercado externo, porém, o setor permanece atento às restrições sanitárias relacionadas à doença de Newcastle em Santa Catarina e aos possíveis reflexos sobre os embarques brasileiros.
Frango vivo registra valorização no Sul e no Ceará
O levantamento semanal de Safras & Mercado apontou reajustes nas três principais referências de integração do Sul.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço passou de R$ 4,75 para R$ 4,95 por quilo vivo. No oeste do Paraná, a cotação avançou de R$ 4,65 para R$ 5,00 por quilo.
No Ceará, o frango vivo subiu de R$ 5,50 para R$ 6,00 por quilo. Pernambuco manteve a referência de R$ 6,00, enquanto no Pará o valor permaneceu em R$ 6,50.
Nas demais praças acompanhadas, predominou a estabilidade. São Paulo seguiu em R$ 5,80 por quilo vivo. Mato Grosso do Sul e Goiás mantiveram R$ 5,45, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal permaneceram em R$ 5,50.
Cortes congelados e resfriados mantêm preços em São Paulo
Apesar dos reajustes do animal vivo em parte do país, os cortes de frango não apresentaram alterações semanais no mercado paulista.
No atacado, o peito congelado permaneceu em R$ 9,95 por quilo, a coxa em R$ 7,80 e a asa em R$ 13,00. Na distribuição, os valores seguiram em R$ 10,05 para o peito, R$ 8,00 para a coxa e R$ 13,50 para a asa.
Entre os cortes resfriados, o atacado manteve o peito em R$ 10,05 por quilo, a coxa em R$ 7,90 e a asa em R$ 13,10. Na distribuição, as referências ficaram em R$ 10,15, R$ 8,10 e R$ 13,60 por quilo, respectivamente.
A estabilidade dos cortes ocorre em um cenário no qual, segundo Iglesias, a proteína avícola preserva sua competitividade diante da carne bovina.
Pagamento de salários pode favorecer reposição no varejo
A entrada de renda no início do mês é um dos fatores que sustentam a avaliação positiva para o consumo no curto prazo.
De acordo com Iglesias, o pagamento dos salários tende a favorecer tanto as compras das famílias quanto as negociações entre atacado e varejo. A intensidade dessa reposição será importante para o comportamento dos preços ao longo das próximas semanas.
Newcastle mantém atenção sobre embarques e oferta interna
Na avaliação apresentada por Safras & Mercado, os três focos de Newcastle citados em Santa Catarina mantêm o alerta para possíveis impactos nas exportações.
Iglesias considera positiva a regionalização adotada pelo México, por limitar a abrangência das restrições sanitárias e preservar o acesso de outras regiões ao mercado mexicano.
Ainda assim, eventuais dificuldades nos embarques podem levar ao redirecionamento de produtos para o mercado doméstico, ampliando a disponibilidade interna e pressionando as cotações.
Nesse contexto, o analista destaca a importância de manter os alojamentos de aves ajustados à demanda, de forma a preservar o equilíbrio entre produção, comercialização e margens.
Exportações têm avanço nas médias diárias de receita e volume
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior referentes a 16 dias úteis de outubro mostram receita de US$ 761,442 milhões com exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas.
O volume embarcado no período alcançou 395,678 mil toneladas, com média diária de 24,729 mil toneladas. A receita média por dia útil ficou em US$ 47,590 milhões, e o preço médio foi de US$ 1.924,40 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2025, a receita média diária cresceu 31,9%, enquanto a quantidade média embarcada por dia avançou 14,8%. O preço médio da tonelada aumentou 14,9%.
Os resultados mostram contribuição tanto do volume quanto do valor obtido por tonelada para o desempenho externo no período informado. A continuidade desse movimento dependerá, entre outros fatores, das condições de acesso aos mercados compradores e da evolução das restrições sanitárias.
Fonte: Portal do Agronegócio
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