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Milho e Sorgo

Sorgo pode dobrar área no Brasil até 2035 com demanda por etanol e exportações à China

Novos compradores, preços competitivos e avanços em sementes e manejo ampliam as oportunidades para o cereal na segunda safra, segundo analista da Céleres e do GETAP


Publicado em: 06/11/2026 às 14:00hs

Sorgo pode dobrar área no Brasil até 2035 com demanda por etanol e exportações à China
Foto: Deep Malik/Pexels

O cultivo de sorgo no Brasil pode dobrar de área até 2035, impulsionado pela demanda das usinas de etanol, pelas oportunidades de exportação para a China e pela evolução das tecnologias de produção. Tradicionalmente direcionado à alimentação animal, o cereal passa a contar com novos canais de comercialização, ampliando seu espaço no planejamento agrícola.

A projeção é de Enilson Nogueira, consultor e analista de mercado agrícola vinculado à Céleres e ao Grupo Tático de Aumento de Produtividade (GETAP). Segundo ele, a expansão sobre uma área atualmente estimada em cerca de 2,2 milhões de hectares dependerá da continuidade do crescimento da demanda e dos investimentos em tecnologia.

Usinas de etanol ampliam mercado para o sorgo

A utilização de diferentes matérias-primas pela indústria de etanol abre uma frente de consumo para o cereal. Em regiões como o Vale do Araguaia, em Mato Grosso, e em áreas de Goiás, Maranhão e Bahia, o sorgo aparece como alternativa para complementar o abastecimento de milho das usinas.

O interesse combina fatores agronômicos e econômicos. Mais adaptada a condições de menor disponibilidade de água, a cultura pode oferecer maior estabilidade produtiva em determinadas situações de segunda safra.

No mercado, o desconto em relação ao milho também favorece sua utilização industrial. De acordo com Nogueira, o sorgo tem sido negociado por valores entre 10% e 15% inferiores aos do milho.

Para ilustrar o potencial de consumo, o analista considera uma demanda industrial de 30 milhões de toneladas de grãos. Nesse cenário, substituir apenas 5% do volume por sorgo criaria um mercado de 1,5 milhão de toneladas, equivalente a quase 30% da produção brasileira da cultura, conforme a referência apresentada pelo especialista.

China acrescenta nova alternativa de comercialização

A habilitação de exportadores e armazéns brasileiros para vender sorgo à China ampliou as perspectivas de acesso ao mercado asiático.

O país utiliza o cereal tanto na alimentação animal quanto na fabricação de bebidas tradicionais, como o baijiu. Essa diversidade de aplicações representa uma oportunidade adicional para os fornecedores brasileiros.

Na avaliação de Nogueira, as exportações também podem fortalecer a formação de preços no mercado doméstico. Quando as cotações externas do sorgo se aproximam das referências do milho, o cereal ganha atratividade comercial e passa a contar com mais uma opção de venda.

Para o produtor, a presença de exportadores se soma às compras de usinas e indústrias de ração. Essa diversificação amplia as possibilidades de negociação e reduz a concentração das vendas em um único segmento.

Exportações brasileiras podem chegar a 2 milhões de toneladas

As estimativas apresentadas pelo analista indicam que as exportações brasileiras de sorgo podem alcançar cerca de 2 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, frente a aproximadamente 100 mil toneladas no período anterior.

Se confirmado, o avanço representará uma mudança expressiva na dimensão do comércio exterior do cereal e poderá estimular investimentos na cadeia produtiva.

Segundo a avaliação, o atendimento desse volume corresponderia à produção de quase 400 mil hectares, dependendo da produtividade obtida. A demanda chinesa, associada às compras de outros destinos e ao consumo industrial brasileiro, sustenta a perspectiva de crescimento.

Avanços em sementes e manejo elevam potencial produtivo

A expansão comercial ocorre paralelamente à evolução das tecnologias disponíveis para o agricultor.

Nogueira afirma que, nos últimos cinco anos, as expectativas de aumento da demanda estimularam investimentos em materiais genéticos e soluções específicas de manejo. Anteriormente, a oferta mais restrita dessas ferramentas dificultava o desenvolvimento da cultura.

Segundo o especialista, algumas lavouras de segunda safra já alcançam produtividades de 130 a 140 sacas por hectare, aproximando-se dos resultados do milho em determinadas condições de cultivo. Esses desempenhos são exemplos de potencial produtivo e não representam uma média nacional.

A combinação entre produtividade, custos e adaptação à menor disponibilidade hídrica reforça o interesse pelo sorgo, especialmente em regiões onde o milho de segunda safra enfrenta maior risco climático.

Decisão de plantio depende das oportunidades regionais

Apesar das perspectivas de expansão, a escolha da cultura deve considerar as condições de produção e os compradores disponíveis em cada região.

Na análise de Nogueira, o agricultor passa a avaliar o sorgo tanto pelas características agronômicas quanto pelas possibilidades de negociação com usinas, exportadores e fabricantes de ração.

O desenvolvimento da cadeia também será tema de uma iniciativa do GETAP. O grupo prevê anunciar, no fim de novembro, em evento em Indaiatuba (SP), os primeiros vencedores de sua premiação dedicada ao sorgo, voltada ao reconhecimento de resultados obtidos pelos produtores no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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