Soja cai 3,8% em Chicago e freia comercialização no Brasil, apesar do câmbio favorável
Avanço da colheita americana e expectativa de aumento da safra dos EUA pressionam os contratos; preços brasileiros apresentam movimentos distintos entre as praças
Publicado em: 06/11/2026 às 15:00hs
A queda da soja na Bolsa de Chicago reduziu o ritmo da comercialização no Brasil ao longo da semana, mesmo com o câmbio favorável às exportações. Diante da pressão sobre os preços, produtores diminuíram a participação nas negociações e concentraram esforços no plantio, que registrou mais uma semana de bom avanço.
Na manhã desta sexta-feira (6), o contrato para janeiro, o mais negociado na bolsa americana, era cotado a US$ 11,87 por bushel, acumulando desvalorização semanal de 3,8%. O valor representava o menor patamar em mais de dois meses.
O avanço da colheita nos Estados Unidos e a possibilidade de ampliação das estimativas de produção do país prevaleceram sobre os sinais de demanda chinesa, mantendo as cotações internacionais pressionadas.
Preço da soja varia entre as regiões brasileiras
No mercado físico brasileiro, o comportamento dos preços foi desigual. A sustentação oferecida pelo dólar não foi suficiente para provocar uma valorização generalizada da oleaginosa.
Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a saca de 60 quilos passou de R$ 152,00 para R$ 152,50 durante a semana. Em Cascavel, no Paraná, a referência permaneceu em R$ 148,00.
Já em Rondonópolis, em Mato Grosso, o preço recuou de R$ 141,00 para R$ 140,00 por saca. No Porto de Paranaguá, no Paraná, a cotação ficou estável em R$ 159,00.
A combinação entre recuo externo e preços sem direção uniforme no mercado doméstico contribuiu para uma postura mais cautelosa dos vendedores.
Colheita americana mantém pressão sobre Chicago
Os produtores dos Estados Unidos se aproximam da conclusão da colheita de uma safra apontada como a maior do país. A entrada da produção amplia a disponibilidade de soja e mantém o mercado atento ao tamanho da oferta americana.
Outro fator de pressão é a expectativa de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aumente sua projeção de produção no relatório de novembro, previsto para o dia 10.
Embora os sinais de compras chinesas ofereçam suporte à demanda, eles não foram suficientes para compensar o peso das perspectivas de oferta sobre os contratos futuros durante a semana.
Mercado espera safra e estoques maiores nos Estados Unidos
Analistas consultados por agências internacionais projetam que a produção americana de soja em 2026/27 seja estimada em 4,601 bilhões de bushels no próximo relatório. Em outubro, o USDA indicava 4,562 bilhões de bushels.
Para os estoques finais dos Estados Unidos, a expectativa é de 336 milhões de bushels, acima dos 315 milhões de bushels previstos no levantamento anterior.
Esses números representam estimativas do mercado antes da divulgação oficial. Caso se confirmem, indicarão maior disponibilidade de soja ao encerramento da temporada americana.
Estoques mundiais também podem ser revisados para cima
No balanço global, os analistas esperam estoques finais de 125,3 milhões de toneladas para 2026/27, frente aos 124,3 milhões de toneladas apresentados pelo USDA em outubro.
Para a temporada 2025/26, a projeção do mercado é de um ajuste menor, de 124,9 milhões para 125 milhões de toneladas.
A perspectiva de estoques mais elevados reforça a atenção à capacidade da demanda de absorver a oferta disponível, especialmente diante da importância das compras chinesas para o comércio internacional da oleaginosa.
Produtor brasileiro acompanha plantio e relatório do USDA
No Brasil, o avanço da semeadura divide as atenções com as oportunidades de venda. A retração dos produtores nas negociações ocorre em um momento em que a queda de Chicago limita o efeito positivo do câmbio sobre os preços internos.
A divulgação do relatório do USDA será o próximo ponto de atenção para o mercado. Até lá, as expectativas sobre a safra americana, o comportamento da demanda chinesa e as oscilações do dólar devem continuar influenciando a formação dos preços e as decisões de comercialização da soja brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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