Frango tem maior preço real desde dezembro de 2025; ovos recuperam poder de compra frente ao milho
Demanda doméstica e exportações sustentaram a carne de frango em outubro; na postura, queda do milho aliviou relação de troca, mas alta do farelo de soja manteve pressão
Publicado em: 06/11/2026 às 11:25hs
A avicultura brasileira encerrou outubro com valorização da carne de frango e movimentos distintos nos custos de alimentação das aves. Segundo o Cepea, os frangos inteiros congelados e resfriados atingiram as maiores médias reais desde dezembro de 2025, sustentados pelo consumo doméstico e pelo ritmo das exportações.
Na avicultura de postura, a queda do milho melhorou o poder de compra dos produtores paulistas de ovos frente ao cereal, interrompendo três meses de retração. Em contrapartida, a valorização do farelo de soja reduziu a capacidade de aquisição desse insumo pelo quarto mês consecutivo.
Demanda firme impulsiona preços da carne de frango
As compras mais intensas das famílias e o desempenho das exportações sustentaram a procura por carne de frango ao longo de outubro, conforme pesquisadores do Cepea.
Esse movimento favoreceu as cotações dos produtos congelados e resfriados, que alcançaram os maiores níveis médios em termos reais — descontada a inflação — desde dezembro do ano passado.
A demanda também repercutiu nos demais elos da cadeia. Com maior necessidade de abastecimento, as indústrias ampliaram a procura por frango vivo, impulsionando os preços pagos pelo animal em São Paulo.
No estado, a cotação do frango vivo atingiu, em outubro, o maior patamar em um ano.
Newcastle não alterou ritmo das negociações em outubro
Apesar da confirmação de três casos da doença de Newcastle em Santa Catarina durante outubro, o Cepea não identificou alteração no ritmo das negociações de carne de frango no período.
O resultado mostra que a demanda permaneceu firme naquele mês, mesmo diante das ocorrências sanitárias. A avaliação se refere ao comportamento comercial observado em outubro.
Milho mais barato melhora relação de troca dos produtores de ovos
Para os avicultores paulistas de postura, o recuo do milho trouxe melhora ao poder de compra. Embora os ovos também tenham apresentado queda de preços em outubro, a desvalorização do cereal foi mais intensa.
Com isso, a receita obtida com a comercialização dos ovos passou a permitir a aquisição de uma quantidade maior de milho, revertendo uma sequência de três meses de piora na relação de troca.
Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, a elevada disponibilidade do cereal pressionou as cotações. A queda dos preços internacionais e a desvalorização do dólar também contribuíram para o enfraquecimento do milho no mercado brasileiro no período analisado.
Farelo de soja mantém pressão sobre alimentação das aves
A melhora observada em relação ao milho não se repetiu no farelo de soja. A valorização do derivado reduziu o poder de compra dos produtores de ovos pelo quarto mês consecutivo, de acordo com o Cepea.
Os movimentos opostos dos dois insumos mostram que o alívio nos custos de alimentação foi parcial. Enquanto o milho ficou mais acessível em relação à receita com ovos, o farelo passou a exigir maior esforço de compra.
Assim, outubro reuniu condições diferentes dentro da avicultura: a demanda sustentou a valorização do frango, enquanto os produtores de ovos enfrentaram uma combinação de melhora na relação de troca com o milho e perda de poder de compra frente ao farelo de soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias