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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo cai 1,5% em Chicago, mas falta de qualidade dificulta abastecimento dos moinhos no Brasil

Chuvas interrompem colheita no Rio Grande do Sul e restringem oferta para panificação; preços internacionais e concorrência das importações limitam reação das cotações brasileiras


Publicado em: 06/11/2026 às 11:30hs

Trigo cai 1,5% em Chicago, mas falta de qualidade dificulta abastecimento dos moinhos no Brasil
Foto: CNA

O mercado do trigo enfrenta movimentos distintos no Brasil e no exterior. Enquanto os contratos futuros recuavam cerca de 1,5% em Chicago na manhã desta sexta-feira (6), a indústria brasileira de moagem seguia com dificuldades para encontrar cereal de qualidade. As perdas provocadas pelas chuvas restringem a oferta adequada à panificação, mas a competitividade do produto importado limita a valorização nacional.

No Rio Grande do Sul, os moinhos indicam entre R$ 1.400 e R$ 1.450 por tonelada para lotes com determinados parâmetros industriais, segundo a TF Agroeconômica. No Paraná, a diferença entre produção e necessidade de abastecimento já leva empresas a buscar referências de importação.

Trigo dezembro recua para US$ 5,90 por bushel em Chicago

Por volta das 9h23, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 5,9025 por bushel, queda de 9 cents, equivalente a 1,50%.

Os demais vencimentos também apresentavam perdas. O março/27 recuava 8,75 cents, para US$ 6,0100 por bushel; o maio/27 caía 8,50 cents, a US$ 6,0600; e o julho/27 perdia 8 cents, cotado a US$ 6,1200.

O movimento sucedia um fechamento praticamente estável na quinta-feira (5), quando o dezembro/26 encerrou a US$ 5,9925 por bushel, com alta de 0,13%.

A pressão internacional está associada à demanda mais fraca, às perspectivas favoráveis para a produção argentina e à expectativa de melhora dos fluxos de exportação pelo Mar Negro.

Demanda internacional mais fraca pressiona preços

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços internacionais do trigo caíram em outubro após quatro meses consecutivos de valorização.

O índice de preços dos cereais da entidade ficou em 116,8 pontos, redução mensal de 4,5% e queda de 12,6% na comparação com outubro de 2025. O indicador reúne diferentes cereais e não corresponde exclusivamente ao trigo.

A melhora das perspectivas produtivas na Argentina contribuiu para o recuo das referências internacionais. As expectativas de menores restrições às exportações pelo Mar Negro também exerceram pressão, embora dificuldades operacionais ainda presentes tenham limitado esse efeito.

Nos Estados Unidos, as vendas semanais de trigo para exportação somaram aproximadamente 538 mil toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. Conforme levantamento da U.S. Wheat Associates, baseado em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), houve redução de cerca de 36,7% frente às 849,8 mil toneladas da semana anterior.

Chuvas paralisam colheita e comprometem trigo gaúcho

No Rio Grande do Sul, a colheita havia alcançado 60% da área prevista antes de uma nova interrupção pelas chuvas. A TF Agroeconômica informa que temporais deixaram mais de 100 milímetros em diferentes regiões do estado.

A consultoria estima aproximadamente 1,07 milhão de toneladas colhidas, das quais cerca de 120 mil toneladas, ou 11%, atenderiam ao padrão de moagem considerado no levantamento.

Na classificação por peso hectolítrico (PH), 16% do volume foi enquadrado como tipo 1, 66% como tipo 2 e 18% como tipo 3 ou fora de tipo. Entretanto, essa classificação não garante, isoladamente, o atendimento às exigências industriais.

A avaliação para moagem também considera número de queda, conhecido pela sigla FN, e teor de desoxinivalenol (DON). Na estimativa apresentada, o padrão reúne FN superior a 250 e DON de até 2.000.

Outras 220 mil toneladas apresentam qualidade intermediária, com possibilidade de aproveitamento de parte dos lotes pelos moinhos. Já aproximadamente 730 mil toneladas registram FN abaixo de 220 e DON acima de 3.500.

Qualidade define preços e destinos do cereal

Os moinhos do interior gaúcho indicam R$ 1.400 a R$ 1.450 por tonelada para trigo com FN a partir de 230 e DON de até 2.500, conforme a TF Agroeconômica.

Para exportação destinada à alimentação animal, a referência em Rio Grande ficou em R$ 1.220 por tonelada, sobre rodas, com pagamento em 28 de dezembro.

Em Passo Fundo, as ofertas para produção de glúten vital ou etanol variam de R$ 1.203 a R$ 1.400 por tonelada entregue, dependendo do PH. No balcão de Panambi, o preço recuou para R$ 71 por saca.

Em outro levantamento, a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA) aponta trigo tipo 1 próximo de R$ 72 por saca no Rio Grande do Sul e de R$ 80 no Paraná. As referências refletem condições distintas de qualidade, localização e comercialização.

Segundo o Cepea, lotes fora de tipo têm sido direcionados à alimentação animal, tanto no mercado doméstico quanto para exportação.

Paraná busca importações e Santa Catarina tem oferta restrita

No Paraná, a TF Agroeconômica estima uma produção de 2,2 milhões de toneladas, diante de uma necessidade de 3,85 milhões. A diferença de 1,65 milhão de toneladas reforça a procura dos moinhos por cotações de trigo importado.

A consultoria avalia que esse desequilíbrio tende a manter os preços ligados ao custo de importação, especialmente do cereal argentino.

Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo panificável também é limitada. O último negócio citado pela TF ocorreu em Campos Novos, a R$ 1.600 por tonelada de trigo tipo 1. Nas praças acompanhadas, as referências de balcão variaram de R$ 72 a R$ 80 por saca.

Perdas em São Paulo ampliam dificuldade de abastecimento

A quebra de produção e a deterioração da qualidade também atingem São Paulo. Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo, as chuvas de setembro prejudicaram significativamente o cereal.

A entidade estima que apenas 10% a 15% do trigo colhido no estado possa ser classificado como tipo 1. A produção deverá ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas inicialmente previstas.

Diante das dificuldades, parte dos moinhos continua negociando estoques de safras anteriores. A qualidade superior desses lotes sustenta valores mais elevados pedidos pelos vendedores.

Câmbio e oferta argentina limitam reação no Brasil

Apesar da redução da oferta nacional, os preços brasileiros não avançaram na intensidade esperada, conforme a CEEMA. A formação das cotações combina escassez de qualidade, disponibilidade externa e condições cambiais.

A queda em Chicago favorece a competitividade das importações, enquanto a valorização do dólar encarece a aquisição de matéria-prima estrangeira. Para o trigo brasileiro destinado à exportação, o real mais fraco melhora as condições comerciais.

Os próximos movimentos dependerão da qualidade efetivamente disponível, dos custos de trazer cereal de outros países e da evolução da demanda dos moinhos. No exterior, o mercado também acompanha os embarques pelo Mar Negro e o relatório de oferta e demanda do USDA previsto para terça-feira (10).

Fonte: Portal do Agronegócio

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