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Café reage após três quedas em Nova York; dólar e exportações limitam recuperação

Arábica sobe a 278,35 cents por libra-peso nesta sexta-feira, após perder 5,12% em três pregões; robusta avança em Londres com redução da safra estimada da Índia


Publicado em: 06/11/2026 às 11:20hs

Café reage após três quedas em Nova York; dólar e exportações limitam recuperação

Os preços futuros do café operavam em alta na manhã desta sexta-feira (6), com o arábica tentando interromper três sessões consecutivas de perdas em Nova York e o robusta ampliando a recuperação em Londres. A reação, porém, ainda era moderada diante da pressão exercida pelo ritmo das exportações brasileiras e pela possibilidade de recomposição dos estoques certificados.

A valorização do dólar frente ao real tem aumentado a atratividade das vendas brasileiras, mesmo com preços internacionais menores. Ao mesmo tempo, os estoques reduzidos de arábica e a revisão para baixo da produção indiana oferecem sustentação às cotações.

Arábica tenta recuperar parte da queda de 5,12%

Por volta das 9h29, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 278,35 cents por libra-peso na ICE Futures US, alta de 1,20 cent, equivalente a 0,43%.

Março/27 avançava 0,95 cent, para 270,20 cents por libra-peso. Maio/27 ganhava 0,60 cent, cotado a 266,25 cents, enquanto julho/27 subia 0,40 cent, para 263,55 cents.

A recuperação ocorria após dezembro/26 acumular desvalorização de 5,12% em três pregões. Na quinta-feira (5), o contrato encerrou a 277,15 cents por libra-peso, queda de 2,60 cents, ou aproximadamente 0,9%. Março/27 fechou a 269,25 cents, recuo de 1,65 cent, equivalente a cerca de 0,6%.

Com as perdas, o arábica atingiu as menores referências em aproximadamente um mês e meio. Nesta sexta-feira, dezembro/26 oscilou entre 276,00 e 279,00 cents nas primeiras negociações, mostrando que a tentativa de recuperação ainda enfrenta volatilidade.

Dólar favorece vendas brasileiras e pressiona preços externos

A alta da moeda norte-americana foi um dos fatores de pressão sobre o café na quinta-feira. O movimento melhora a remuneração das exportações em reais e pode estimular a disponibilização de novos lotes brasileiros ao mercado internacional.

Segundo Gil Barabach, analista de Safras & Mercado, os números disponíveis indicam que os embarques brasileiros de outubro podem superar 5 milhões de sacas de 60 quilos. O desempenho das exportações vietnamitas também reforça a percepção de maior fluxo de oferta.

Em relatório divulgado nesta semana, a Hedgepoint Global Markets destacou que a desvalorização recente do real aumentou a atratividade das vendas em moeda nacional, apesar do recuo das referências internacionais.

Robusta sobe com revisão da produção da Índia

Na ICE Futures Europe, em Londres, o robusta buscava completar a terceira sessão consecutiva de valorização.

Por volta das 9h30, janeiro/27 era negociado a US$ 3.256 por tonelada, avanço de US$ 15, ou 0,46%. Março/27 subia US$ 16, para US$ 3.235; maio/27 ganhava US$ 10, a US$ 3.219; e julho/27 avançava US$ 9, para US$ 3.203 por tonelada.

Entre os fatores de apoio estava a redução da estimativa de produção da Índia. Segundo informações divulgadas pelo Barchart, o Conselho do Café indiano revisou a projeção da safra 2026/27 de 400 mil para 380 mil toneladas, queda de 5%.

A revisão foi atribuída a chuvas de monções abaixo do normal. Em contrapartida, o avanço da colheita no Vietnã, principal produtor mundial de robusta, mantém no radar a perspectiva de entrada de novos volumes no mercado.

Café brasileiro aguarda classificação nos armazéns da ICE

Os operadores também acompanham a possibilidade de recomposição dos estoques certificados de arábica em Nova York.

De acordo com o Barchart, 55.396 sacas de café brasileiro aguardavam classificação na terça-feira (3), o maior volume em aproximadamente sete semanas. A chegada aos armazéns credenciados, entretanto, não significa incorporação automática aos estoques: os lotes precisam ser aprovados.

Na mesma data, os estoques certificados somavam 220.379 sacas, próximos da mínima de 27 anos registrada em setembro.

Essa combinação mantém forças opostas sobre os preços. A disponibilidade imediata permanece restrita, mas a eventual aprovação de novos lotes pode ampliar o volume disponível para entrega nos contratos futuros.

Exportações mundiais crescem 1% na temporada 2025/26

Os dados da Organização Internacional do Café (OIC) mostram que as exportações globais alcançaram 142,39 milhões de sacas de 60 quilos na temporada 2025/26, entre outubro e setembro. O resultado representa alta de 1% sobre as 141,02 milhões de sacas do ciclo anterior.

O desempenho foi desigual entre as variedades:

  • Arábica: embarques de 81,35 milhões de sacas, queda de 4,8%;
  • Robusta: exportações de 61,05 milhões de sacas, crescimento de 9,8%.

Em setembro, último mês da temporada, os embarques mundiais totalizaram 11,55 milhões de sacas, recuo de 0,7% em relação às 11,63 milhões registradas um ano antes.

Clima brasileiro e El Niño seguem no radar

Segundo a Hedgepoint, chuvas acima da média e temperaturas amenas em setembro e outubro favoreceram o desenvolvimento da safra brasileira 2027/28.

A consultoria avalia que a expansão da área nos últimos três anos poderá ajudar a manter a produção elevada, caso o clima continue favorável. A perspectiva considera redução do arábica em razão da bienalidade, com possibilidade de crescimento do conilon.

O desenvolvimento do El Niño, porém, permanece como risco para as próximas safras, especialmente no primeiro trimestre de 2027.

Para os cafeicultores brasileiros, a alta desta sexta-feira melhora as referências externas, mas ainda não confirma uma reversão da pressão recente. Câmbio, certificação de estoques, exportações e evolução das lavouras continuam determinantes para as condições de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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