Milho recua em Chicago e na B3; saca chega a R$ 70 no RS com negócios lentos
Oferta elevada limita reação dos preços, enquanto plantio de verão avança no Brasil; mercado acompanha demanda por etanol nos EUA e próximas estimativas do USDA
Publicado em: 06/11/2026 às 11:40hs
O mercado do milho apresenta preços distintos entre as regiões brasileiras, com negociações lentas e compradores cautelosos diante da oferta nacional superior à demanda. No Rio Grande do Sul, a saca chega a R$ 70 em algumas praças, enquanto os contratos futuros recuaram em Chicago e na B3 na quinta-feira (5).
Na manhã desta sexta-feira (6), Chicago operava próxima da estabilidade, com o vencimento dezembro abaixo de US$ 4,40 por bushel. Os agentes acompanhavam os indicadores de exportação e produção de etanol dos Estados Unidos, além das expectativas para o próximo relatório do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
No campo, a semeadura do milho de verão avança, mas as condições climáticas provocam diferenças no desenvolvimento das lavouras, especialmente no Sul.
Chicago opera perto da estabilidade após queda na quinta-feira
Por volta das 9h18 desta sexta-feira, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,3950 por bushel, com baixa de 0,50 centavo de dólar.
O março/27 recuava também 0,50 centavo, para US$ 4,5400 por bushel. Maio/27 estava em US$ 4,6275, enquanto julho/27 era cotado a US$ 4,7025, ambos com perdas de 0,50 centavo.
O movimento sucedia uma sessão de queda nos principais vencimentos. Na quinta-feira, dezembro/26 encerrou a US$ 4,4000 por bushel; março/27, a US$ 4,5450; maio/27, a US$ 4,6325; e julho/27, a US$ 4,7075.
Exportações e etanol oferecem suporte à demanda americana
Os indicadores de consumo ajudam a contrabalançar as expectativas de oferta elevada nos Estados Unidos.
Segundo o USDA, as vendas líquidas semanais para exportação da temporada 2026/27 somaram aproximadamente 1,295 milhão de toneladas, dentro das expectativas do mercado.
O volume se soma a negócios privados anunciados no início da semana, incluindo operações com México e Coreia do Sul. Ainda assim, as contratações não sustentaram uma recuperação consistente das cotações.
Na indústria de etanol, os dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostram produção média de 1,143 milhão de barris por dia na semana encerrada em 30 de outubro, aumento de 25 mil barris diários sobre o levantamento anterior.
Projeção de safra elevada mantém atenção sobre o USDA
Pelo lado da oferta, a StoneX elevou sua estimativa de produtividade do milho norte-americano para 183,1 bushels por acre, com produção projetada em 16,203 bilhões de bushels em 2026/27.
As estimativas ampliam a atenção às possíveis revisões no relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 10 de novembro.
A colheita dos Estados Unidos alcançou 74% da área até 1º de novembro, abaixo da média histórica de 77%, conforme o levantamento de progresso das lavouras.
Milho na B3 fecha em baixa nos principais contratos
No mercado brasileiro de futuros, os vencimentos acompanhados também encerraram a quinta-feira em queda.
O contrato novembro/26 fechou a R$ 67,11 por saca de 60 quilos, com recuo de 0,31%. Janeiro/27 perdeu 0,73%, para R$ 71,20, enquanto março/27 caiu 1,17%, encerrando a R$ 75,30.
No mercado físico, os movimentos permaneceram regionais, sem uma direção uniforme para as cotações.
Rio Grande do Sul registra alta na média e preços de até R$ 70
Segundo a TF Agroeconômica, a média semanal apurada pela Emater no Rio Grande do Sul avançou 0,53%, de R$ 62,50 para R$ 62,83 por saca. As referências no estado variaram entre R$ 60 e R$ 70, em um ambiente de poucos negócios.
A média de R$ 62,83 também foi destacada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), que apontou relativa estabilidade no mercado brasileiro durante a semana.
Em levantamento com abrangência distinta, a CEEMA registrou preços entre R$ 45 e R$ 63 por saca nas demais regiões acompanhadas.
Diferença entre ofertas e pedidos restringe negócios em Santa Catarina
Em Santa Catarina, vendedores pedem cerca de R$ 60 por saca, enquanto compradores indicam R$ 55. A distância entre as posições dificulta o fechamento de operações.
Segundo o Cepea, a oferta nacional acima da demanda continua pressionando os preços. Embora a procura europeia abra oportunidades para o produto brasileiro, as exportações permanecem abaixo do ritmo de 2025.
No Paraná, as referências também mostraram comportamentos diferentes. O preço ao produtor caiu 0,53% no Oeste, para R$ 50,58 por saca, e aumentou 1,40% no Norte Central, atingindo R$ 65,83.
Em Mato Grosso do Sul, as cotações variaram de R$ 50 a R$ 52 por saca, com o maior recuo em Dourados. A indústria de bioenergia manteve as compras, enquanto outros consumidores priorizaram reposições de estoques. Do lado vendedor, produtores restringiram a oferta de novos lotes.
Plantio do milho de verão chega a 44,2% no Brasil
De acordo com a Conab, a semeadura da primeira safra 2026/27 alcançou 44,2% da área prevista no país até 30 de outubro, acima da média de 42,5% considerada no levantamento.
No Centro-Sul, a AgRural apontou 63% da área plantada, ante 59% no mesmo período da temporada anterior. Os percentuais refletem recortes geográficos e levantamentos diferentes.
No Rio Grande do Sul, o plantio chegou a 82%, avanço de dois pontos percentuais sobre a avaliação anterior. As temperaturas mais altas e a maior luminosidade favoreceram o crescimento das plantas.
Segundo a Emater, 90% das lavouras estavam em desenvolvimento vegetativo e 10% na fase reprodutiva, etapa em que a regularidade das chuvas será importante para preservar o potencial produtivo.
A semeadura foi concluída em Frederico Westphalen e atingiu 95% em Ijuí e Passo Fundo. A cigarrinha-do-milho segue monitorada, com redução das capturas em algumas regiões.
Excesso de umidade limita desenvolvimento no Paraná
No Paraná, o Deral informou que o plantio do milho de primeira safra atingiu 97% da área prevista.
Apesar do avanço, a elevada umidade e a baixa luminosidade limitam o crescimento das plantas, com registros de amarelecimento em algumas lavouras.
Além da safra de verão, o mercado acompanha as perspectivas para o milho safrinha. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avaliou que o calendário mais adiantado da soja pode favorecer a janela da segunda safra no Centro-Oeste.
Caso o clima permita, esse cenário abre possibilidade de entrada de milho novo no mercado já em maio de 2027. Até lá, câmbio, exportações, consumo industrial e condições das lavouras continuarão influenciando as negociações brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias