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Avicultura

Frango recebe hormônio? Ciência explica crescimento rápido das aves e derruba mito

Uso de hormônios para acelerar o desenvolvimento de frangos é proibido no Brasil; genética, nutrição, sanidade e manejo explicam os avanços da produção avícola


Publicado em: 17/09/2026 às 15:30hs

Frango recebe hormônio? Ciência explica crescimento rápido das aves e derruba mito
Foto: Kemin

A afirmação de que frangos recebem hormônios para crescer mais rapidamente é um dos mitos mais difundidos sobre a produção animal. A prática é proibida no Brasil e não apresenta viabilidade técnica ou econômica para uma cadeia que trabalha com milhões de aves.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a legislação brasileira não permite o uso de hormônios com a finalidade de estimular o crescimento de aves destinadas à produção de carne. O setor também está submetido à fiscalização dos órgãos oficiais responsáveis pela inspeção e pela segurança dos alimentos.

O desenvolvimento mais rápido dos frangos modernos é resultado de décadas de pesquisa e evolução tecnológica. Melhoramento genético, alimentação balanceada, controle sanitário, ambiência e bem-estar animal estão entre os fatores que permitiram elevar a eficiência da avicultura.

Genética e nutrição explicam evolução dos frangos

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que o melhoramento genético das linhagens comerciais proporcionou avanços expressivos no desempenho das aves ao longo das últimas décadas.

O processo não significa alteração artificial por hormônios. A seleção genética prioriza animais que apresentam características desejáveis, como eficiência alimentar, desenvolvimento adequado, resistência e capacidade de adaptação aos sistemas produtivos.

Paralelamente, a evolução dos programas de nutrição tornou possível formular rações específicas para cada etapa da criação. Com a oferta equilibrada de proteínas, energia, vitaminas, minerais e outros nutrientes, as aves conseguem expressar melhor seu potencial genético.

“Quando falamos sobre o crescimento das aves, estamos falando de um conjunto de fatores construídos pela ciência ao longo de muitos anos. Nutrição balanceada, genética, ambiente adequado e saúde intestinal são alguns dos pilares que explicam esse avanço produtivo”, afirma Gisele Neri, gerente de negócios da Kemin, empresa especializada em ingredientes para saúde e nutrição animal.

Aplicação de hormônios seria tecnicamente inviável

Além da proibição legal, o uso de hormônios em frangos enfrentaria uma barreira operacional. Conforme informações da Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) e de entidades internacionais do setor avícola, hormônios proteicos precisariam ser administrados individualmente por meio de injeções frequentes.

Em sistemas comerciais que alojam milhares ou milhões de aves, a aplicação diária e individual seria impraticável. Os custos de produto, mão de obra e manejo tornariam o procedimento economicamente inviável, além de aumentar o estresse dos animais.

A hipótese também não se ajusta à dinâmica da produção avícola moderna, estruturada para trabalhar com alimentação coletiva, controle ambiental, biosseguridade e acompanhamento permanente dos lotes.

Eficiência alimentar vai além do crescimento rápido

O objetivo da avicultura não se limita a acelerar o ganho de peso. A produção moderna busca equilibrar desempenho, eficiência alimentar, saúde, bem-estar animal e qualidade da carne entregue ao consumidor.

Nesse contexto, a saúde intestinal ocupa posição estratégica. Um sistema digestivo equilibrado favorece o aproveitamento da dieta e ajuda a manter o desempenho produtivo dos lotes.

“Hoje conseguimos formular dietas extremamente precisas, fornecendo exatamente os nutrientes que os animais necessitam em cada fase da vida. Isso contribui para o desempenho produtivo, mas também para a saúde intestinal, para o bem-estar animal e para a qualidade do alimento que chega ao consumidor”, explica Gisele Neri.

Além da alimentação, fatores como temperatura, ventilação, qualidade da água, densidade de alojamento, prevenção de doenças e manejo adequado influenciam diretamente o desenvolvimento dos frangos.

Produção brasileira segue controles sanitários

O Brasil ocupa posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne de frango. Para comercializar o produto em mercados internacionais, a cadeia produtiva precisa cumprir protocolos sanitários e requisitos de segurança dos alimentos estabelecidos pelo país e pelos destinos compradores.

Frigoríficos, granjas e demais etapas da produção passam por inspeções, auditorias e monitoramentos. Esses controles buscam assegurar o cumprimento da legislação e a qualidade sanitária dos alimentos comercializados dentro e fora do país.

Portanto, o crescimento mais eficiente dos frangos não está relacionado à aplicação de hormônios. Ele resulta da combinação entre ciência, melhoramento genético, nutrição de precisão, manejo, sanidade, ambiência e bem-estar animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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