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Internacional

Exigências da União Europeia pressionam produção animal por rastreabilidade e redução de antimicrobianos

Restrições comerciais reforçam necessidade de controles sanitários, manejo nutricional e alternativas naturais para preservar o acesso das proteínas brasileiras ao mercado europeu


Publicado em: 17/09/2026 às 08:30hs

Exigências da União Europeia pressionam produção animal por rastreabilidade e redução de antimicrobianos

As novas exigências da União Europeia para a compra de alimentos de origem animal ampliam a pressão sobre o Brasil para acelerar investimentos em rastreabilidade, sustentabilidade e redução do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.

Na avaliação de Paulo Ricardo Oliveira, diretor para a América Latina da Biochem, as restrições adotadas pelo bloco europeu representam um alerta para produtores, fornecedores de insumos e agroindústrias. Segundo ele, o setor precisa fortalecer seus controles e adequar os sistemas de produção às demandas dos mercados internacionais.

A partir de 3 de setembro, a União Europeia suspendeu a compra de determinados produtos brasileiros de origem animal, incluindo carnes bovina e suína, ovos e pescado. Os controles sanitários apresentados para carne de frango e mel foram aceitos pelo bloco, conforme as informações apresentadas pelo executivo.

Mercado europeu exige maior controle da produção animal

As exigências europeias envolvem critérios de segurança dos alimentos e controle do uso de substâncias na produção pecuária. Entre os pontos destacados estão a proibição de antimicrobianos utilizados como promotores de crescimento e a necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

Para Oliveira, o atendimento a essas regras é fundamental para preservar mercados importantes para as proteínas animais brasileiras. Apenas as exportações de carne bovina para a União Europeia representam, segundo o executivo, um mercado superior a US$ 1 bilhão por ano.

“A União Europeia quer ter segurança sobre nossos processos e proíbe antimicrobianos promotores de crescimento, além de destacar a redução do uso de antibióticos. Nosso papel como fornecedor de proteínas animais é atender às exigências dos clientes, como historicamente temos feito com sucesso”, afirma.

A adequação não depende apenas da substituição de produtos utilizados no manejo. O processo exige registros confiáveis, rastreamento das etapas produtivas, protocolos sanitários consistentes e capacidade de comprovar o cumprimento das normas exigidas pelos compradores.

Soluções naturais ganham espaço na nutrição animal

A busca por sistemas produtivos com menor dependência de antimicrobianos abre espaço para o uso de soluções nutricionais destinadas a favorecer a saúde, o desempenho e a eficiência dos animais.

Entre as alternativas disponíveis estão prebióticos, probióticos, minerais orgânicos e enzimas. Essas tecnologias podem integrar programas de nutrição e manejo, desde que sejam selecionadas conforme a espécie, a fase produtiva e as necessidades de cada sistema.

Segundo Oliveira, a adoção dessas ferramentas deve fazer parte de uma estratégia mais abrangente, que considere todo o ambiente de produção.

“O manejo nutricional tem de ser priorizado e, para isso, é preciso contar com um time de profissionais a campo capacitado, que efetivamente ajude os produtores a ajustar os seus modelos de negócios”, explica.

Treinamento e gestão são essenciais para atender às normas

A adaptação às exigências internacionais também passa pela qualificação das equipes envolvidas na produção animal. A utilização de novas tecnologias, isoladamente, não garante o cumprimento dos protocolos sanitários e de rastreabilidade.

Produtores e agroindústrias precisam avançar na padronização dos processos, na coleta de informações e no treinamento dos profissionais responsáveis pelo manejo. A qualidade dos registros é especialmente importante para demonstrar como os animais foram criados, alimentados e acompanhados ao longo do ciclo produtivo.

Na avaliação do diretor da Biochem, fornecedores de insumos devem ampliar a aproximação com produtores e agroindústrias, oferecendo suporte técnico para a implementação das mudanças.

“É preciso fortalecer ainda mais a relação de confiança. Eles precisam ter segurança de que nós vamos ajudá-los a atender à demanda dos clientes”, afirma.

Adequação será decisiva para competitividade das proteínas brasileiras

As restrições europeias reforçam que o acesso aos mercados internacionais depende cada vez mais da capacidade de comprovar segurança sanitária, rastreabilidade e conformidade com as regras dos países compradores.

Nesse cenário, investimentos em gestão, treinamento, nutrição, sustentabilidade e controle do uso de antimicrobianos tornam-se estratégicos para a competitividade das cadeias brasileiras de proteína animal.

Para o setor, o desafio será transformar as exigências regulatórias em mudanças efetivas dentro das propriedades e agroindústrias. A adoção de alternativas naturais pode contribuir nesse processo, mas precisa estar associada a protocolos técnicos, acompanhamento profissional e controles capazes de oferecer segurança aos produtores e aos mercados consumidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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