Calor extremo ameaça produtividade e rentabilidade da avicultura com avanço do El Niño
Temperaturas elevadas aumentam o estresse térmico das aves, reduzem o consumo de ração e exigem melhorias no manejo, na ventilação e nas instalações avícolas
Publicado em: 16/09/2026 às 15:00hs
A possibilidade de temperaturas acima da média em diferentes regiões do Brasil amplia o alerta para os impactos do estresse térmico na avicultura. Com a perspectiva de influência do El Niño entre 2026 e o início de 2027, produtores precisam reforçar o planejamento das instalações e adotar medidas preventivas para proteger o bem-estar, a produtividade e o desempenho reprodutivo das aves.
Projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam a possibilidade de permanência do fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Seus efeitos podem alterar o regime de chuvas e favorecer temperaturas mais elevadas em determinadas áreas do país.
Para a produção animal, o cenário exige atenção porque as condições ambientais interferem diretamente no comportamento, no metabolismo e no desempenho dos plantéis.
“Essas condições exigem atenção dos produtores rurais, já que o ambiente interfere diretamente no desempenho dos animais e nos resultados da produção”, afirma Bruno Nolasco, gerente de Negócios Agro da Belgo Arames.
Estresse térmico reduz consumo de ração e desempenho das aves
A avicultura está entre as atividades mais sensíveis ao aumento das temperaturas. Quando permanecem expostas ao calor excessivo, as aves apresentam dificuldade para eliminar o calor corporal e precisam acionar mecanismos fisiológicos para manter a temperatura interna em níveis adequados.
Uma das principais respostas é o aumento da frequência respiratória. As aves também tendem a reduzir o consumo de ração e a destinar parte da energia, que seria utilizada no crescimento, na postura ou na reprodução, para a regulação térmica do organismo.
“As aves possuem capacidade limitada de dissipar o calor corporal. Em situações de calor excessivo, ativam mecanismos fisiológicos para reduzir a temperatura interna”, explica Nolasco.
Segundo o especialista, essas mudanças podem comprometer os índices produtivos e reprodutivos, além de elevar os riscos para a saúde dos animais. Na prática, o estresse térmico pode reduzir o ganho de peso dos frangos, prejudicar a produção de ovos e afetar a eficiência geral do sistema.
Ventilação e água fresca ganham importância nos aviários
A prevenção começa pelo planejamento das instalações. Ventilação, circulação de ar, densidade de alojamento e abastecimento de água estão entre os fatores que precisam ser avaliados antes dos períodos mais quentes.
Em sistemas de criação em gaiolas, a movimentação adequada do ar auxilia na retirada do calor acumulado e melhora o conforto térmico. O fornecimento contínuo de água limpa e fresca também se torna indispensável, pois o consumo pode aumentar significativamente durante episódios de calor intenso.
“É fundamental que o produtor esteja preparado para minimizar esses impactos e oferecer um ambiente mais adequado aos animais. O planejamento das instalações desempenha papel essencial nesse processo”, destaca o gerente.
Equipamentos de ventilação e climatização precisam passar por manutenção preventiva. Também é necessário verificar vazamentos, obstruções nas linhas de água e eventuais falhas no fornecimento de energia, especialmente em sistemas que dependem de ventilação mecânica.
Instalações avícolas precisam resistir à umidade e à corrosão
Além do controle da temperatura, a qualidade dos materiais utilizados nos aviários influencia a segurança e a vida útil das estruturas. A exposição contínua à umidade, à matéria orgânica e aos processos frequentes de limpeza e desinfecção favorece a corrosão de gaiolas, telas e outros componentes metálicos.
Esse desgaste pode elevar as despesas com manutenção, reduzir a durabilidade das instalações e exigir substituições antecipadas. Por isso, a resistência à corrosão deve integrar o planejamento estrutural das granjas.
Entre as soluções disponíveis estão arames com revestimentos formados por zinco e alumínio. Segundo a Belgo Arames, essa combinação é utilizada na tecnologia Bezinal, aplicada ao arame Belgo Ave Bezinal, desenvolvido para ambientes avícolas sujeitos a condições severas de operação.
A empresa também oferece o Belgo Ave Galvanizado, produzido com camada pesada de zinco e destinado, entre outras aplicações, à fabricação de gaiolas criadeiras. Os arames podem ainda compor telas de cercamento em galpões convencionais, auxiliando na proteção contra predadores e outros animais.
“Na avicultura, a escolha dos materiais deve considerar as condições às quais a estrutura ficará exposta ao longo do tempo. Soluções com maior resistência à corrosão contribuem para instalações mais duráveis e ajudam a reduzir a necessidade de manutenções e intervenções futuras”, afirma Nolasco.
Planejamento reduz riscos produtivos e financeiros
A preparação para períodos de calor deve reunir manejo ambiental, manutenção de equipamentos, fornecimento adequado de água e avaliação das estruturas. A adoção dessas medidas antes da ocorrência de temperaturas extremas permite reduzir riscos operacionais e evitar respostas emergenciais mais caras.
Em um cenário de maior instabilidade climática, a capacidade de controlar o ambiente dentro dos aviários tende a ganhar peso sobre os resultados econômicos da atividade. Instalações bem planejadas e práticas de manejo ajustadas às condições de calor ajudam a preservar o desempenho das aves, a durabilidade das estruturas e a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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