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Clima

Chuvas avançam no Brasil, mas irregularidade ameaça plantio da soja e trigo no Sul

Itaú BBA prevê melhora da umidade em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Norte, enquanto Matopiba enfrenta risco de atraso e excesso de chuva preocupa produtores sulistas


Publicado em: 16/09/2026 às 10:10hs

Chuvas avançam no Brasil, mas irregularidade ameaça plantio da soja e trigo no Sul

As chuvas devem avançar sobre áreas agrícolas do Brasil ao longo de setembro, criando condições mais favoráveis para o plantio da safra de verão 2026/27. A distribuição irregular das precipitações, entretanto, ainda exige cautela dos produtores, especialmente no Centro-Oeste, em Rondônia e no Matopiba.

No Sul, o problema é diferente. A maior frequência das chuvas eleva o risco de excesso de umidade, menor luminosidade e avanço de doenças nas culturas de inverno, principalmente nas lavouras de trigo.

O cenário faz parte do Agro Mensal de setembro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A análise mostra que as precipitações podem beneficiar soja, café e citros, mas ainda não asseguram o estabelecimento definitivo da estação chuvosa em importantes regiões produtoras.

Agosto seco favoreceu colheitas no Brasil Central

Agosto manteve o padrão característico do inverno no Brasil Central, com tempo seco, baixa umidade do ar e temperaturas elevadas.

As chuvas ficaram concentradas em episódios pontuais, sobretudo no oeste de Mato Grosso, sem provocar uma recuperação significativa da umidade do solo na maior parte do Centro-Oeste.

Por outro lado, o tempo firme favoreceu a conclusão da colheita do milho segunda safra, do algodão e do sorgo. As condições também permitiram o avanço do preparo das áreas destinadas à implantação da safra de verão.

Chuvas retornam de forma irregular em setembro

Na primeira semana de setembro, as precipitações avançaram sobre áreas de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e outras regiões do Centro-Oeste e Sudeste.

O retorno das chuvas trouxe uma melhora inicial das condições de umidade após o período seco de agosto. Os volumes, porém, ocorreram de maneira localizada e irregular.

Segundo o Itaú BBA, esse movimento ainda não caracteriza o estabelecimento definitivo da estação chuvosa no Brasil Central. Essa condição aumenta a necessidade de acompanhamento das previsões antes do início da semeadura em áreas que dependem de maior regularidade hídrica.

Plantio da soja exige cautela em Mato Grosso e Rondônia

A irregularidade das chuvas deverá tornar o plantio da soja mais cauteloso em Mato Grosso e Rondônia. O principal risco é realizar a semeadura com umidade insuficiente e enfrentar, posteriormente, a necessidade de replantio.

Diante desse cenário, a tendência é que os produtores avancem de maneira gradual, priorizando áreas onde o solo apresente condições adequadas para a germinação e o estabelecimento das plantas.

A regularização das precipitações será decisiva para acelerar os trabalhos e reduzir os riscos durante a fase inicial da safra 2026/27.

Atraso das chuvas pode afetar semeadura no Matopiba

No Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, uma eventual demora na consolidação da estação chuvosa poderá atrasar a implantação das primeiras lavouras.

Além de postergar o calendário agrícola, esse cenário pode aumentar a exposição das culturas a períodos de estiagem e temperaturas elevadas durante o verão.

A definição da janela de plantio exige atenção porque atrasos na soja também podem afetar o calendário das culturas cultivadas em sucessão, especialmente o milho segunda safra.

Chuva beneficia florada do café e pomares de citros

Embora a irregularidade ainda preocupe os produtores de grãos, as precipitações registradas no início de setembro são positivas para a cafeicultura e a citricultura.

Nas regiões produtoras de café, as chuvas contribuem para o desenvolvimento e a uniformidade das primeiras floradas da safra 2027/28. Também ajudam a recompor a umidade do solo depois do período seco.

Nos pomares de citros, a melhora hídrica reduz o estresse das plantas e favorece o desenvolvimento dos frutos. A continuidade das precipitações, desde que bem distribuídas, será importante para sustentar essa recuperação.

Excesso de umidade ameaça qualidade do trigo no Sul

No Sul do Brasil, a redução das chuvas no fim de agosto abriu uma janela importante para a realização dos trabalhos de campo.

O tempo mais firme permitiu a retomada do manejo das lavouras de trigo e canola, a preparação das áreas de arroz, o avanço da colheita do milho segunda safra no Paraná e o plantio do milho verão.

Apesar disso, a umidade acumulada nos meses anteriores manteve dificuldades pontuais de acesso às propriedades e favoreceu a ocorrência de doenças nas culturas de inverno, especialmente no trigo paranaense.

Para as próximas semanas, a previsão indica chuvas mais frequentes, sobretudo no Rio Grande do Sul. O excesso de umidade e a menor incidência de luz podem ampliar a pressão de doenças fúngicas.

Nas lavouras de trigo que se aproximam das etapas finais do ciclo e da colheita, esse cenário pode comprometer o rendimento e a qualidade dos grãos.

Frio e geadas também entram no radar dos produtores

Além das chuvas, uma massa de ar frio derrubou as temperaturas no Sul e provocou geadas pontuais em regiões mais elevadas no início de setembro.

O impacto sobre as lavouras depende da intensidade do frio e do estágio de desenvolvimento das culturas. Áreas em fases reprodutivas tendem a apresentar maior sensibilidade às baixas temperaturas.

Com o retorno das precipitações, os produtores passam a administrar simultaneamente os riscos de frio, excesso de umidade, restrições operacionais e maior incidência de doenças.

Clima será decisivo para a safra de verão 2026/27

O avanço das chuvas representa um sinal positivo para a implantação da safra de verão, mas a distribuição irregular impede uma avaliação uniforme das condições de plantio.

Enquanto áreas do Paraná podem avançar com maior segurança, produtores de Mato Grosso, Rondônia e Matopiba precisam acompanhar a umidade do solo e a regularidade das precipitações antes de intensificar a semeadura.

No Sul, a prioridade será reduzir os impactos da umidade sobre o trigo e outras culturas de inverno. Para café e citros, as chuvas oferecem alívio depois do período seco e podem favorecer etapas importantes do ciclo produtivo.

O quadro apresentado pelo Itaú BBA reforça que setembro será determinante para o calendário agrícola brasileiro. Mais do que o volume total de chuva, a frequência e a distribuição das precipitações definirão as condições para o plantio e o desenvolvimento inicial da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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