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Arroz

Produção de arroz longo nos EUA pode cair 32,5% e acende alerta para oferta em 2027

Redução da safra norte-americana coincide com expectativa de menor área no Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina, elevando a atenção sobre o abastecimento nas Américas


Publicado em: 16/09/2026 às 10:45hs

Produção de arroz longo nos EUA pode cair 32,5% e acende alerta para oferta em 2027
Foto: Flávio Burin

A produção de arroz longo dos Estados Unidos deve registrar uma queda expressiva na temporada 2026/27, ampliando as preocupações sobre a disponibilidade do cereal nas Américas em 2027. O movimento ocorre ao mesmo tempo em que importantes regiões produtoras do Mercosul projetam redução da área cultivada.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (USDA/NASS) indicam que a produção norte-americana de arroz longo poderá recuar aproximadamente 32,5% na comparação com a safra anterior.

Para o analista da cadeia de arroz Sergio Cardoso, o cenário ainda não caracteriza uma crise de abastecimento. Entretanto, a combinação entre produção menor nos Estados Unidos, retração de área no Mercosul e demanda importadora nas Américas exige acompanhamento do setor.

Safra de arroz longo recua nos Estados Unidos

O USDA/NASS manteve praticamente estável a estimativa para a produção total de arroz dos Estados Unidos. A projeção passou de 158,4 milhões para 158,2 milhões de cwt — unidade equivalente a 100 libras —, volume correspondente a aproximadamente 7,18 milhões de toneladas de arroz em casca.

A principal alteração ocorreu no segmento de arroz longo. A previsão foi reduzida de 106,7 milhões para 103,5 milhões de cwt.

Na comparação anual, a retração é ainda mais significativa. A produção norte-americana de arroz longo havia alcançado cerca de 153,3 milhões de cwt em 2025. A estimativa atual, portanto, representa uma diminuição próxima de 32,5%.

A queda ganha relevância porque os Estados Unidos estão entre os fornecedores de arroz longo para mercados importadores da América Central, do Caribe e de outras regiões do continente.

Estoques maiores oferecem suporte no curto prazo

Os estoques iniciais norte-americanos foram revisados de 37,6 milhões para 41,8 milhões de cwt. O volume adicional pode reduzir parte da pressão imediata sobre a disponibilidade do produto.

Apesar desse suporte, os estoques mais elevados não eliminam os efeitos potenciais da redução da safra. A capacidade de atendimento aos mercados interno e externo dependerá do ritmo das exportações, do consumo e da evolução da oferta nos demais países produtores.

Caso a demanda permaneça firme, a menor produção poderá tornar o mercado mais sensível a mudanças climáticas, logísticas e comerciais ao longo de 2027.

Área de arroz deve diminuir no Rio Grande do Sul

No Mercosul, as primeiras projeções também indicam uma possível redução na área cultivada.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do Brasil, a intenção de plantio levantada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) é de 861,8 mil hectares. A estimativa representa queda de 3,4% em relação ao ciclo anterior.

Na Fronteira Oeste, uma das principais regiões orizícolas do estado, a retração prevista alcança 3,7%.

Além do tamanho da área, o mercado acompanhará o ritmo de implantação das lavouras. O percentual semeado dentro da janela recomendada pode influenciar diretamente o desenvolvimento das plantas, a produtividade e o volume disponível na próxima colheita.

Paraguai, Argentina e Uruguai entram no radar

A possibilidade de menor oferta não está restrita ao Brasil. Paraguai e regiões produtoras da Argentina também trabalham com expectativa de redução da área de arroz, enquanto o Uruguai avalia uma eventual retração.

O comportamento desses países será decisivo para o equilíbrio regional. Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai integram uma cadeia comercial conectada, na qual mudanças na produção de um país podem alterar os fluxos de importação e exportação dos demais.

Uma safra menor no bloco, simultaneamente à queda da produção norte-americana, pode reduzir a disponibilidade de arroz longo para os mercados compradores das Américas.

Oferta de arroz em 2027 exige acompanhamento

Na avaliação de Sergio Cardoso, os dados disponíveis não indicam falta de arroz neste momento, mas formam um conjunto de fundamentos que merece atenção.

O resultado final dependerá da área efetivamente plantada, da realização da semeadura no período adequado, das condições climáticas durante o ciclo e da produtividade alcançada em cada país.

A demanda de mercados dependentes de importações, principalmente na América Central e no Caribe, também será determinante para o comportamento das cotações e dos fluxos comerciais.

Com a perspectiva de menor produção de arroz longo nos Estados Unidos e sinais de retração da área no Mercosul, a disponibilidade do cereal em 2027 passa a ocupar posição central nas análises do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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